Principal fonte de receita da Emdurb, a coleta de lixo está rendendo cada vez menos recursos à empresa pública. Isso porque, nos últimos cinco anos, tanto o volume de resíduos orgânicos quanto o de materiais recicláveis recolhidos despencou.
Para se ter ideia, em 2018, a companhia coletou 87,267 mil toneladas de lixo domiciliar na cidade, ante a 80,582 toneladas em 2022, quase 10% menos. Já na coleta seletiva, a redução foi ainda maior: as 1,768 mil toneladas de materiais arrecadados em 2018 minguaram para 694,27 toneladas, menos da metade do montante.
Presidente da Emdurb, Donizete do Carmo dos Santos explica que a diminuição acentuada é reflexo de alguns fatores. Um deles é a ampliação do número de grandes geradores cadastrados na Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), obrigados a custear o transporte e destinação final dos resíduos que produzem, normalmente por meio de contrato com empresa especializada.
É o que determina uma lei sancionada em 2018 e regulamentada em 2019, para que todos os estabelecimentos comerciais, públicos e de prestação de serviços que geram a partir de 200 litros diários de lixo providenciem o tratamento de seus resíduos. "E hoje, já são mais de 300 empresas cadastradas, onde a Emdurb deixou de fazer a coleta. É um número que vem crescendo a cada ano", frisa, acrescentando que a pandemia de Covid-19 também contribuiu para mudanças de consumo das famílias nos últimos anos.
RECICLÁVEIS
Já em relação à coleta seletiva, Santos atribui a queda à quantidade crescente dos chamados atravessadores, que são pessoas e até empresas que sabem os dias e horários da coleta oficial e passam nos bairros antes dos caminhões da Emdurb. "Com a pandemia, muitos moradores deixaram, inclusive, de colocar os materiais recicláveis na rua para entregar a estes informais, na tentativa de ajudá-los a obter renda", descreve.
Em busca de seu reequilíbrio financeiro, a empresa pública tem implantado medidas dentro de um plano de recuperação, sendo a mais recente um novo cronograma de coleta de lixo orgânico, com divisão de Bauru em dois setores (Norte e Sul), que passou a valer no último dia 16.
A medida visa concentrar todas as equipes em uma mesma área da cidade a cada dia, o que agiliza a realocação de um setor para outro quando há registro de quebra de caminhões, um problema ainda recorrente. Segundo Santos, agora, várias equipes, por estarem próximas, podem entrar em ação ao mesmo tempo para cobrir um bairro com coleta prejudicada, reduzindo, assim, prejuízos à Emdurb.