A Unesp de Bauru, por meio da direção da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (Faac), informou que foi finalizada a sindicância que apurava internamente as denúncias de assédio sexual contra o professor adjunto Marcelo Magalhães Bulhões. O relatório final da comissão indicou a abertura de um processo administrativo (PAd), que foi iniciado na terça-feira (24). Nesta última etapa, o colegiado avaliará se há uma possível punição ao docente. Já o educador reafirma que é "inocente".
Conforme o JC noticiou, as denúncias contra Bulhões ganharam repercussão depois que um banner, mostrando mensagens de teor sexual supostamente enviadas por ele a alunas, foi exposto no câmpus em julho do ano passado. Na data, várias possíveis vítimas publicaram relatos nas redes sociais e houve um protesto na universidade pedindo a exoneração do docente.
Desde então, o professor da Faac foi afastado das atividades e a Unesp passou a apurar internamente as acusações. Algumas alunas também procuraram a Polícia Civil para registrar queixa de importunação sexual contra Bulhões, alegando que ele costumava, em sala de aula, fazer comentários com conotação sexual que causavam "medo", "desconforto" e "insegurança". O inquérito ainda está em andamento.
'MATERIALIDADE'
Segundo a Faac/Unesp, em seu relatório final, a comissão de sindicância recomendou pela abertura do PAd por ter encontrado 'materialidade' nas denúncias investigadas. Agora, esta é a 'última instância' e objetiva, em resumo, ao avaliar o que foi apurado, apontar se há possível pena disciplinar para ser aplicada ao docente, que pode variar desde advertência à exoneração. Essa análise é encaminhada ao reitor, que tem autonomia para acolher ou não à indicação. O prazo legal deste processo é de até 90 dias.
OUTRO LADO
Questionado pela reportagem a respeito do PAd, Marcelo Bulhões conta que teve acesso ao relatório da sindicância e afirma que "nada foi encontrado que imputasse a ele o crime de assédio sexual".
"A abertura de um PAd é totalmente sem fundamento, uma vez que nenhuma irregularidade cometi, e demonstra que houve desvio de finalidade da apuração: fui inocentado da acusação de assédio, como eu naturalmente esperava, e agora busca-se 'algo' para justificar toda a difamação de que estou sendo vítima", opina.
"O parecer da sindicância apenas colheu depoimentos de que em sala de aula eu comentei que o universo da literatura abriga todas as dimensões do humano, como a vida erótica", complementa o docente. Ele acrescenta, ainda, que apresentou queixa-crime contra a pessoa que, segundo ele, foi identificada como responsável por colocar o banner no câmpus em 2022.