08 de julho de 2026

Pelé e a bola

Por Paulo De Marchi Sobrinho |
| Tempo de leitura: 2 min
Assinante, eletricitário aposentado e advogado militante; no futebol... simplesmente Paulinho.

Não portava grande beleza

Rústica, redonda, de opaca cor

Nasceu no País da realeza

Apanhava sem sentir dor

Nova ou velha a todos encantava

Cabeçada, pisada, chute forte

Nada disso a irritava

Só de furos ocorria sua morte

Se tocada suavemente

Na grama rolava contente

E quando adormecia no fundo

Era a glória de todo mundo

Esta é sua Majestade... A Bola!

Pois bem, quando o glorioso Pelé começou a jogar, a bola era de capotão, as chuteiras eram de legítimo couro e as travas eram fixadas a prego; a minha, a primeira, foi um par de Kichute. Pelé começou na Seleção em 1958, com 17 anos; eu tinha 12 anos. Nossa vizinhança era muito dada e feliz. Corria o jogo da Suécia, não tinha TV, o radião estremecia; Dona Claudia, a qual eu tinha como minha mãe preta, entrava na casa de Dona Izaura, voltava na sua casa que ficava em frente daquela, correndo para o seu radião, nos disse: a Izaura falou que se o Dico entrar, ele muda o jogo! E eu lá sabia quem era o Dico?!

Dona Izaura e seu Jorge eram compadres de Dona Celeste e do Dondinho desde Minas Gerais. E o Dico, que já era Pelé, entrou, deu duas chapeletas, seguindo, fez um belíssimo gol.

O Brasil entrou na história de campeão mundial e Pelé saiu para a glória. Amigo de infância das lindas filhas de Dona Izaura, Célia e Sônia, eu conheci a simpática Maria Lúcia, irmã de Pelé, que sempre visitava o pessoal. Conhecí também o Zoca, irmão de Pelé, acho que paquerava as meninas.

Aparecia na esquina todo bonitinho, me chamava e pedia: ooo, alemão, fica aqui um pouco conversando comigo. Vieram as copas, a Júlio Rimet, o Santos, os títulos, mas e a bola?

No seu milésimo gol, Pelé abraçou-a, beijando-a como ela merece, não só como sua ferramenta de trabalho, mas também como sua amada companheira material.

Participo até hoje do futebol de seniores da Luso (rachão) e do Clube "Amigos da Bola", de Duartina, e fico emocionado quando eu ou alguém beija a bola como Pelé, porque para nós, futebolistas veteranos amadores, ela nos representa o prazer, a saúde, a amizade, a recreação e muitos mais benefícios.

Bendita seja a Dona Celeste, ainda viva, que gerou este gênio; bendita seja a alma do Dico, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que para nós, brasileiros e principalmente bauruenses, eternamente será imortal.

O mundo todo chora sua morte.

Amém!