10 de julho de 2026
RAIZA BERNARDO

'Orgulho em ser a primeira modelo fissurada a posar para a Vogue'

Por Marcele Tonelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Joyce Malaguti/Divulgação
'Tenho orgulho e triplicado, porque além da fissura sou negra e plus size', diz Raiza Bernardo, maquiadora que posou para a Vogue

A cicatriz que um dia já remeteu ao preconceito e à tristeza é, hoje, sinônimo de força e empoderamento. Nascida com fissura labiopalatina, a maquiadora Raiza Bernardo, de 26 anos, se enche de orgulho ao contar que entrou para a história como a primeira mulher com a condição a posar para a famosa revista Vogue, de Portugal.

Paciente há mais de duas décadas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho da USP Bauru, ela "repaginou" a vida há seis anos após mergulhar no mundo da moda. Ao se tornar ativista da causa, acabou indicada para a edição, publicada no ano passado.

"Tenho muito orgulho disso. E orgulho triplicado, porque, além da fissura, sou negra e plus size. O convite da Vogue chegou para coroar uma nova fase da minha vida. É algo que mostra que, assim como todos os fissurados, eu tenho o meu lugar e um universo a conquistar", celebra.

Após a publicação da revista internacional, ela passou a ser chamada por marcas de maquiagem para propagandas, especialmente de batom. "É até engraçado, porque, na adolescência, eu vivia me cobrindo de maquiagens pesadas e odiava o batom, já que ele ressaltava a minha cicatriz", lembra a jovem, contando que passou a ter outra ideia de si mesma apenas com a conclusão do curso de maquiagem, aos 20 anos. "Foi aí que eu comecei a me olhar no espelho e percebi que aquele receio de a cicatriz aparecer não era meu", completa.

'INSPIRAÇÃO'

Determinada a mudar não só a sua história como a de outras pessoas, Raiza se transformou em influenciadora e ativista da causa, que nomeia como 'beleza fissurada'. Seu perfil pessoal no Instagram (@raizabernardooficial), inclusive, já tem quase 28 mil seguidores.

Pela atuação voluntária, ela ganhou ainda o título de embaixadora da Smile Train Brasil, uma instituição filantrópica internacional que trata a fissura labiopalatina e é parceira do HRAC/Centrinho.

"Antigamente, quase não havia informação sobre essa condição. Eu cresci sofrendo preconceito e bullying e passei a me importar demais com o que as pessoas pensavam de mim. Por muito tempo, eu me senti um fracasso, diminuída e chorava escondido. Então, hoje, quero ser uma fonte de informação e inspiração", destaca.

'SÓ POR SAÚDE'

Operada pela primeira vez aos oito meses de vida, Raiza Bernardo passou por outros quatro procedimentos cirúrgicos. "O Centrinho e Bauru foram a minha segunda casa por muito tempo", agradece a jovem, que mora em São Paulo.

O fim da reabilitação depende de mais duas cirurgias, uma na mandíbula e outra reparadora no nariz. "Agora, o significado é outro. Terminarei o tratamento não por beleza, porque aprendi a me amar com a minha cicatriz, mas por saúde, para poder respirar melhor", finaliza.