Realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo Demográfico 2022 em Bauru ainda não conseguiu contabilizar oficialmente cerca de 43 mil habitantes da cidade, que não foram encontrados em suas casas ou se recusaram a responder o questionário. Após cinco meses do início das visitas aos domicílios, não foram localizadas pessoas em 12.933 imóveis habitados e, em 3.153, os moradores se negaram a participar do levantamento.
Até esta terça-feira (3), 321.403 residentes no município já haviam sido recenseados. Assim, a projeção, neste momento, é de que Bauru registre cerca de 364,5 mil habitantes até o encerramento do Censo 2022.
O quantitativo, contudo, é apenas uma estimativa, considerando que as recusas ou ausências ocorreram em 16.086 dos 133.457 domicílios ocupados. E, como a média de moradores por imóvel em Bauru é de 2,68 pessoas, chega-se à projeção de 43.110 habitantes não recenseados. Assim, muito provavelmente, o município não irá alcançar a estimativa feita pelo próprio IBGE em 2021, de 381.706 moradores.
O número também difere da prévia divulgada pelo órgão no final do ano passado, quando o cálculo era de que Bauru chegaria a 388.686 residentes. Por outro lado, a expectativa é de que a cidade supere a população registrada no último Censo, de 2010, quando foram contabilizados 343.937 habitantes.
"Já percorremos praticamente 100% de todos os setores do município e, agora, estamos lidando com a fase mais difícil. Ainda temos, por exemplo, um condomínio residencial em que o síndico insiste em proibir a entrada do recenseador. Se essa recusa persistir, iremos registrar boletim de ocorrência contra ele na Polícia Federal, com quem já estamos em contato", frisa Bruno Dal Medico Hirsch, coordenador de área do Censo na região de Bauru.
MULTA
Vale destacar que o morador que se recusar a participar do Censo, após solicitação do IBGE, poderá ser multado em até 10 salários mínimos, conforme prevê a legislação federal. Porém, como, neste caso específico, a negativa é de um síndico, que sequer deu oportunidade para os condôminos escolherem responder ou não ao questionário, outras medidas poderão ser adotadas.
Segundo Hirsch, atualmente, 70 recenseadores e 19 supervisores trabalham para tentar diminuir o volume de recusas e ausências, com o objetivo de que o índice chegue a menos de 5% do total de domicílios visitados. "Acredito que não chegaremos a este patamar até o fim de janeiro, porque ainda temos muito trabalho a fazer. Então, nossa expectativa, até pelo que ouvimos na mídia, é de que o prazo para a coleta de dados seja prorrogado mais uma vez, até fevereiro", ressalta.
O coordenador explica que, diante de eventuais recusas, o recenseador é orientado a, ao menos, conseguir a informação sobre quantos moradores vivem no imóvel. Já quando ninguém é encontrado na residência, a recomendação é recorrer a vizinhos para obter o dado. "É um número que será contabilizado ao final do Censo, mas, mesmo assim, precisamos retornar nestes domicílios, porque não aplicar o questionário em ao menos 95% das casas prejudica a qualidade do levantamento", descreve.
Quem ainda não foi recenseado pode entrar em contato com o IBGE de Bauru pelo (14) 3214-1778 e agendar a visita do recenseador. Também é possível responder ao questionário presencialmente na agência, que fica na rua Engenheiro Saint Martin, 17-69, Centro.