Empossado presidente da Câmara neste domingo (1), o vereador Júnior Rodrigues (PSD) deve enfrentar como primeiro grande desafio a tarefa de desvincular sua imagem da liderança do governo Suéllen Rosim (PSC) no Legislativo, função que ocupou durante o ano passado inteiro.
Júnior foi eleito presidente da Casa em 15 de dezembro depois de receber 10 votos e derrotar com facilidade os candidatos Júnior Lokadora (PP) e Mané Losila (MDB), que obtiveram 4 e 3 votos, respectivamente.
Candidato de primeira hora à Presidência do Legislativo, a vitória de Rodrigues não veio por acaso. Ele passou meses se reunindo com os colegas até convencê-los de que era um nome viável para assumir o cargo.
O principal temor dos vereadores girava em torno da função de Júnior na Câmara: a liderança do governo. Havia - e ainda há, ao menos na oposição - a avaliação de que a Presidência sob Júnior Rodrigues poderia se transformar numa extensão do Poder Executivo na Câmara.
A preocupação foi superada nos corredores do Legislativo. Mostrar essa garantia à sociedade bauruense, porém, só será possível a partir de agora, já empossado e com o poder da caneta nas mãos. "Não basta que a mulher de César seja honesta. Ela precisa parecer honesta", resumiu o vereador Eduardo Borgo (PMB), da oposição, no dia da eleição da Câmara.
É isso que Júnior tem buscado desde que venceu a eleição. No discurso da vitória, reafirmou seu compromisso com a manutenção de uma Câmara Municipal independente. Ao JC, em entrevista no mesmo dia, foi taxativo: "Fui líder do governo, e não bajulador", disse.
POSSE
Para além dos vereadores, também compareceram à sessão de posse a esposa, a filha e familiares de Júnior Rodrigues, a prefeita Suéllen Rosim (PSC), o vice-prefeito Orlando Costa Dias (PSC), e autoridades como o presidente do DAE, Marcos Saraiva.
Também tomaram posse na nova Mesa Diretora os vereadores Serginho Brum (PDT), vice-presidente, Markinho Souza (PSDB), primeiro secretário; e Miltinho Sardin (PTB), segundo secretário.
No discurso deste domingo (1), Júnior voltou a falar em independência da Câmara e disse que o Legislativo sob sua gestão será protagonista no desenvolvimento bauruense.
"Reafirmo meu compromisso com Bauru. Farei uma gestão pautada em muito diálogo, transparência, dedicação e independência do Legislativo. Sempre buscando a harmonia entre os poderes", afirmou. E prosseguiu: "Tenho muita esperança no futuro de Bauru, vou continuar trabalhando para que a cidade que desejamos se torne realidade".
Ele lembrou também da história que mantém com a Câmara, onde entrou há 10 anos, ainda como assessor parlamentar. "Foi o lugar que me acolheu", rememorou. O presidente disse ainda que descobriu a vontade de servir ao público ainda na adolescência, quando foi líder de jovens na igreja, e que fez disso uma missão de vida.
PROJETOS
À diferença dos primeiros dois anos do governo Suéllen Rosim (PSC), a Presidência da Câmara para o biênio que se inicia (2023-2024) deve ter maior protagonismo na discussão dos projetos.
Sobretudo pelos assuntos que estarão na mão do dirigente da Casa. A Lei de Uso e Ocupação do Solo é um deles - mas também há temas como o Plano Diretor, o próprio Orçamento anual e outras votações dos chamados "projetos estruturantes".
Em entrevista ao JC publicada neste domingo (1), por exemplo, a prefeita Suéllen Rosim afirmou que a discussão do novo Plano Diretor será reiniciada neste mês.
E afirmou, entre outras coisas, que a retomada das obras da ETE - projeto que precisa necessariamente passar pelo Legislativo - deve acontecer até a metade do ano, como prevê o secretário Leandro Joaquim (Obras).
Também caberá a Júnior Rodrigues enfrentar o debate - impopular, avaliam os próprios vereadores - sobre a necessidade de uma nova sede para a Câmara de Bauru. O atual imóvel, construído em meados de 1940, foi projetado para ser o Fórum. Com a construção de um novo espaço ao Poder Judiciário, o prédio se tornou a sede do Poder Legislativo de Bauru.
O prédio é grande, evidentemente, mas não foi projetado para abrigar vários gabinetes e um amplo espaço para reuniões legislativas. E a próxima legislatura, que será composta por 21 vereadores, precisará de espaço.
Júnior não citou a mudança de imóvel no discurso de posse, mas admitiu a necessidade de se discutir a medida em entrevista ao JC no dia em que foi eleito. "A urgência de uma nova sede é inevitável", apontou.