Em épocas de festas, é comum que algumas pessoas acabem exagerando no consumo de bebidas alcoólicas. Mas depois de beber em excesso é preciso lidar com a ressaca. Embora os sintomas possam variar de um caso para outro, no geral, quem está de ressaca apresenta fadiga, sede, dor de cabeça, problemas de concentração, apatia, desequilíbrio, náusea, tontura, tremores, problemas gastrointestinais, confusão, suor e taquicardia.
A ressaca é o resultado da intoxicação aguda por álcool, cujos sintomas físicos e mentais, experimentados no dia seguinte a um único episódio de consumo excessivo, começam quando a concentração de álcool no sangue se aproxima de zero.
Por isso, os médicos afirmam que é importante que o indivíduo que decide beber mantenha seu consumo dentro de limites de baixo risco. Para homens, não mais que quatro doses em um único dia, sem ultrapassar 14 doses na semana. Para mulheres e pessoas acima de 65 anos, não mais que três doses em um único dia, sem ultrapassar sete doses na semana. Cada dose equivale a uma lata de 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho, ou 45 ml de destilado.
Mas se você não conseguiu se segurar e a ressaca já surgiu, é importante se hidratar bastante - especialmente com água -, comentos alimentos que contenham carboidratos e descansar para o seu corpo se recuperar.
Alimentar-se bem antes do consumir bebidas alcoólicas, de preferência com alimentos leves, ricos em proteínas e carboidratos, ajudam. Após o consumo excessivo de álcool, também é indicado estes mesmos tipos de alimentos, mas o principal antes de tudo é beber com moderação para evitar problemas.
PÍLULA BRASILEIRA PROMETE EVITAR MAL
Um suplemento alimentar que chegou ao mercado brasileiro em abril promete prevenir a dor de cabeça e o mal-estar associados à ressaca com a ingestão de três comprimidos antes do consumo de álcool. Segundo a fabricante, cerca de 80 mil pessoas já teriam provado o produto, chamado Novvo, com avaliação positiva de 92%. A promessa é semelhante à dos comprimidos da empresa sueca Myrkl (lê-se no inglês “miracle”) vendidos desde julho no Reino Unido. O “milagre” anunciado por lá, que causou euforia ao mercado dos apaixonados por bebidas, é que o produto decomporia até 70% do álcool ingerido em uma hora, bastando tomar duas unidades pelo menos uma hora antes para não sofrer no dia seguinte.
Mas o mecanismo de ação é de cada um é diferente e, nos dois casos, ainda é cedo para falar em eficácia.
O Novvo, da Biotech, é composto de vitamina C, vitamina E, complexo B, L-cisteína e quitosana, explica Rodrigo Hidaka, 40 anos, cofundador da Novvo Bem Estar. Ele vem com uma dose de três comprimidos, que deve ser repetida se a farra durar mais que sete horas.
O empresário conta que o produto foi descoberto por acaso em 2014, quando o sócio, Felipe Rebelatto, percebeu que um suplemento que tomava o ajudava a evitar a ressaca. O fabricante defende que a propriedade do pré-drinque Novvo é única e atua na absorção de aldeídos resultantes da quebra da molécula do álcool pelo fígado, diferentemente da pílula do Reino Unido, feita de outros componentes.
Segundo Hidaka, a pílula foi estudada por dois anos, mas o resultado ainda não foi publicado para não atrapalhar o processo de patente. A indicação é para qualquer pessoa acima de 19 anos que não seja lactante ou gestante.
O comprimido é um suplemento alimentar, não um medicamento. “É um produto natural que não precisa ser registrado, sendo necessária a comunicação de fabricação à Anvisa”, diz o empresário.
A Anvisa informou que de fato não existe medicamento registrado com nome Novvo e que a categoria de suplementos alimentares é vista como alimento, devendo os produtores informar e seguir apenas as regras de composição. “Neste caso, o produto não pode fazer alegações terapêuticas”, afirmou o órgão.
RISCOS
A ressaca é causada principalmente por desidratação, o que leva à dor de cabeça. Os sintomas, porém, vão além e podem incluir dor de estômago e náusea, o que ocorre pelo contato direto da bebida com os órgãos.
Sobre a eficácia – tanto da versão inglesa como da brasileira – para combater o mal, Rosana Camarini, especialista em neurobiologia do transtorno por uso de substâncias. diz que as evidências são baseadas em um único estudo e que o inglês teve uma amostra de apenas 24 homens jovens brancos, enquanto o outro não foi divulgado.
“Isso levanta um monte de questões. Funciona para qualquer tipo de indivíduo? Será só para jovens? Existe diferença no efeito entre homens e mulheres? O que acontece quando você ingere álcool com outros tipos de alimento junto? Outros medicamentos podem mudar o efeito? Tem bastante coisa ainda para ser pesquisada”, ressalta.
Como o consumo excessivo de álcool (conhecido como “binge”, em inglês) em um tempo curto pode aumentar o risco de problemas sérios de saúde e causar episódios de violência ou acidentes, a docente faz um alerta: “Essa propaganda de que você não vai ter ressaca no dia seguinte pode levar as pessoas a beberem mais”.