10 de julho de 2026
'SOS DIGNIDADE'

Alimentos: entidade de Bauru propõe cadastro único entre prefeitura e ONGs

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Rafaela Monteiro
Antônio Carlos Pinto de Arruda, presidente de conferência da Sociedade São Vicente de Paula, em Bauru

"A distribuição de cestas básicas em Bauru é falha porque não há uma organização efetiva e integrada entre todos os órgãos que fazem as doações, tanto a prefeitura quanto entidades assistenciais". A avaliação é da Sociedade São Vicente de Paula, representada pelo seu presidente de conferência Antônio Carlos Pinto de Arruda, 79 anos de idade, 40 deles dedicados à filantropia. Ele procurou o JC para questionar a realidade em torno do número de 30 mil pessoas no Cadastro Único do Município, além de propor que a população e Poder Público discutam a implantação do que ele chama de "Projeto SOS Dignidade".

Segundo Arruda, a Sociedade São Vicente de Paula, que atende cerca de 3 mil pessoas, já teve experiências de que pessoas pediam cesta básica para eles, mas também requisitavam para todas as outras organizações, isso na mesma semana. "Infelizmente há alguns casos de má fé para pegar duas ou três cestas, enquanto quem precisa, de verdade, que mal tem condições de ir buscar, fica sem", cita. Ele enaltece o trabalho de todos os voluntários da cidade, mas reforça que precisa ter foco na organização.

E também diz que entende ser obrigação da prefeitura controlar essa situação.

A Sociedade São Vicente de Paula tem como premissa ajudar as pessoas, levar o alimento até as famílias, mas também o compromisso de desenvolvimento humanitário e profissional. Desta forma, segundo Arruda, a pessoa atendida deixa a situação de dependência.

"Fazemos até sindicância e entrevistas para acompanhar o que a pessoa sabe fazer, de trabalho, e qual foi o cargo do último emprego. Assim, podemos não só ajudar com comida, mas fornecer uma porta para que ela deixe essa situação o quanto antes. Feito isso, podemos direcionar ajuda para outras famílias", detalha Arruda.

PROPOSTA

Antônio Carlos Pinto de Arruda diz que a única forma de equacionar o problema de distribuições de cestas básicas é de criar uma estrutura compartilhada. Ele esclarece que seria uma forma sigilosa entre prefeitura e um(a) presidente de cada entidade séria, de criar um mecanismo ou aplicativo que acuse quando uma pessoa com CPF cadastrado já pegou uma cesta básica.

"Assim, ninguém vai burlar. O sistema iria confrontar os pedidos e as retiradas, inclusive com data e onde retirou. Veja bem, não é negar comida, é organizar para nenhuma família ficar sem, para não ter duplicidade e os envolvidos não ficarem batendo cabeça com cabeça", destaca.

Arruda diz ainda que o "SOS Dignidade" não seria só uma rede de cestas básicas. "Mas também uma ferramenta para ajudar a recolocar as pessoas envolvidas no mercado de trabalho, monitorar a desocupação profissional e até mesmo contratar em situações para prestar serviços, como por exemplo após o período de chuvas", acrescenta.

DEMORA

Conforme o JC noticiou, a demora em se rodar a fila de espera e ampliar a concessão de cestas básicas em Bauru tem preocupado entidades do município. Com 30 mil no Cadastro Único, a prefeitura afirma, em nota, que o número de cestas básicas fornecidas, tanto pela Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes) como pelo Fundo Municipal de Solidariedade, caiu de 1.225 em setembro para 940 em novembro.

PREFEITURA

Em nota, a prefeitura reforça que as famílias que precisam de cestas básicas ou estão em vulnerabilidade social devem procurar o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) da sua região. Nos CRAS, são realizados atendimentos a estas famílias, com avaliação de critérios socioeconômicos, encaminhamento a programas da assistência social compatíveis com as necessidades de cada família, e quando necessário, entrega de cestas básicas. Mas não há uma interação com as entidades que trabalham com a mesma finalidade.

O município ressalta ainda que o Fundo Social de Solidariedade atua de outra maneira, com campanhas de arrecadação, apenas como apoio, já que grande parte dos alimentos arrecadados são repassados para a Sebes, pasta responsável por destinar as cestas básicas para as famílias que precisam. "O Fundo Social não foi criado com intuito de entrega de cestas básicas apenas", finaliza a nota.