Começou o fim de semana de "maratona" de trabalho para eles. A demanda por Papai Noel em Bauru para a ceia natalina aumentou bastante do ano passado para 2022 e, inclusive, já alcança os níveis pré-pandemia. A avaliação é feita por profissionais que atuam no segmento. Eles apontam que, mesmo diante das dificuldades econômicas, muita gente tem feito questão de colocar a mão no bolso para receber em casa a visita mágica do Bom Velhinho entre a véspera e o dia de Natal.
Há mais de três décadas no ramo, Homero Guedes Gasparini, 67 anos, está com a agenda lotada. São cerca de 20 endereços diferentes para visitar entre as 14h deste sábado (24) e as 18h de amanhã (25). Trata-se da mesma quantidade de compromissos que ele tinha em 2019.
"Depois da paradeira da pandemia, as pessoas voltaram a se reunir. Graças a Deus, estou cheio de freguesia. É um fim de semana que emendo e nem chego a dormir praticamente. Antes, muitas crianças choravam de medo do Papai Noel. Agora, elas têm chorado de emoção quando chego. E eu me emociono junto", comenta.
A permanência de aproximadamente 15 minutos custa cerca de R$ 350,00. Em 28 horas de trabalho, o profissional relata conseguir quase R$ 10 mil, o correspondente ao triplo do que ele ganha um mês inteiro como segurança terceirizado, sua outra atividade econômica.
"É um bom dinheiro esse do Natal. Ajuda a realizar pequenos investimentos, a reformar a casa, a amparar algum familiar que precise… e também costumo viajar para descanso em janeiro", detalha Homero Gasparini, contando que, além das visitas domiciliares, atua, ainda, entre novembro e dezembro, como Papai Noel para uma empresa.
RETOMADA
A mesma percepção sobre o mercado é reforçada por Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares, 44 anos. Ele, que é mais conhecido como o Palhaço Faísca, trabalha há seis anos também como Papai Noel.
"Estamos caminhando para a retomada do cenário que tínhamos antes da pandemia. Sozinho, eu chegava a visitar 20 casas entre véspera e o dia do Natal. No ano passado, eu visitei somente seis endereços, mas, neste ano, serão 14", comenta. "Foram dois anos complicados, mas as pessoas estão voltando a nos contratar. Há um movimento das prefeituras da região também, que passaram a procurar profissionais para realizar a chegada do Papai Noel. Eu mesmo fiz duas cidades neste ano, Duartina e Avaí", observa.
Ele conta ainda que, se a visita do Bom Velhinho for à meia-noite, o valor pode ser majorado de R$ 350,00 a R$ 800,00. "É um horário disputado e a permanência no local acaba sendo maior, porque as famílias costumam fazer orações. E, logo depois, acontece a ceia, que, em alguns casos, o Papai Noel participa", narra o artista.
Ainda que sua agenda não esteja 100% lotada, Aleksander Soares conta que o valor obtido com o serviço, entre as 18h do dia 24 e as 15h de 25 de dezembro, cerca de R$ 6 mil, chega a ser o dobro do que ganha em um mês comum, com os trabalhos de locução e as apresentações como o Palhaço Faísca.
"Digo que o Natal é para o Papai Noel o mesmo que o Dia das Crianças é para o Palhaço", compara ele, frisando que parte do dinheiro obtido com o período natalino vai para investimentos na própria carreira e na compra de maquiagem e figurino do Bom Velhinho, que, a cada três anos, demanda renovação.
"Só a barba é quase R$ 2 mil. A maquiagem para deixar a pele branquinha, então, custa R$ 200,00 e rende apenas seis aplicações. É uma atividade com custo elevado", detalha.
'TUDO PELA MAGIA'
Empresária, Fabiana Gonçalves, 44 anos, é uma das moradoras de Bauru que não abriu mão da contratação do Papai Noel na ceia deste ano. É por lá que o personagem de Aleksander Soares se apresentará na noite de hoje.
"Tudo pela magia do Natal. Teremos uma ceia com poucas pessoas e a presença dele agitará", comenta ela, explicando ainda que há um motivo especial para a presença do Bom Velhinho. "Meu filho de 3 anos está ansioso pela chegada do Papai Noel e prometeu que, em troca, entregará de vez sua chupeta", finaliza.