11 de julho de 2026
9 MIL NA ESPERA

Bauru tem quase 9 mil mulheres na fila por exames endo e transvaginais

Por Tânia Morbi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Pedro Romualdo/Câmara Municipal
Rose Lopes, do Conselho de Saúde, durante audiência que discutiu os exames represados, em novembro

Entre os cerca de 40 mil exames represados em Bauru, desde 2014, quase 9 mil são ultrassons transvaginais ou endovaginais, indicados para vários diagnósticos, inclusive o de câncer. Em meio a todos os tipos de procedimentos contabilizados, esse é o tipo de exame que possui maior número de pacientes aguardando para serem chamadas pelo Estado, conforme lista divulgada recentemente pela Secretaria Municipal de Saúde, no site da prefeitura.

Os dados das filas de exames e cirurgias mantidos pelo município e pelo Estado são díspares, como mostrou o Jornal da Cidade no início de novembro. Por isso, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) deve esperar o cruzamento dos números para dimensionar a situação real e avaliar a possibilidade de ingressar com uma ação civil pública.

A LISTA

As 8.923 pacientes da lista divulgada pelo município aguardam ser chamadas pelo Estado para os ultrassons transvaginais ou endovaginais.

Quando as vagas são liberadas, a Diretoria Regional de Saúde (DRS) entra em contato com a Secretaria de Saúde de Bauru, que faz os encaminhamentos. Após esta fase, o município deixa de acompanhar o andamento, segundo explica a conselheira Rose Lopes.

Assim, os dados publicados no site da prefeitura referem-se a mulheres que ainda não tiveram sequer os pedidos encaminhados. "Esta fila de quase 9 mil é de pacientes que aguardam abrir vagas no Estado. A partir do momento que os pedidos são repassados, a Secretaria de Saúde deixa de 'enxergar' estas pacientes, porque elas entram em outra fila, à qual o município não tem acesso", detalha a conselheira.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

O desencontro nas informações entre as listas de exames e cirurgias eletivas mantidas pela DRS e pela Secretaria Municipal de Saúde foi o principal assunto da audiência pública convocada pela Comissão de Saúde da Câmara, presidida pelo vereador Eduardo Borgo (PMB), no dia 9 de novembro, conforme mostrou o Jornal da Cidade.

Durante o encontro, a secretária de Saúde Alana Trabulsi Burgo informou que, desde 2014, estariam represados em Bauru 39.741 exames, 23.275 consultas e 2.121 cirurgias.

Ela colocou sua equipe à disposição para unificar as informações. Uma reunião para iniciar o processo chegou a ser agendada para o começo de dezembro, porém, segundo apurou a reportagem, como o encontro havia sido marcado para o dia em que houve jogo da Seleção Brasileira na Copa, ele foi adiado.

O represamento de vagas e a disparidade dos dados foram debatidos também na reunião do Conselho Municipal de Saúde de novembro. A decisão foi aguardar a unificação das estatísticas para conhecer os números reais e, depois, definir qual próximo passo tomar. "Só então podemos entrar com uma ação civil pública ou procurar o Ministério Público para cobrarmos o Estado", conclui Rose Lopes.

MUTIRÃO

Questionada pela reportagem sobre os motivos do represamento dos ultrassons transvaginais ou endovaginais, a Secretaria de Estado da Saúde apresentou apenas dados sobre o mutirão de cirurgias eletivas, realizado desde julho.

"No início do mutirão, havia mais de 538 mil pessoas em todo o Estado aguardando por cirurgias ortopédicas, oftalmológicas, urológicas, vasculares, ginecológicas, entre outras. Hoje, somente na região de Bauru, já foram realizados 5.686 mil procedimentos, o que representa uma redução de 80% da fila inicial", informou.