O ano de 2022 foi repleto de conquistas para o jovem bauruense Pedro Popoff. Conhecido como Pedro do Cordel, o artista tomou posse como presidente da "Comissão IOV Brasil da Juventude" da International Organization of Folk Art (em português, Organização Internacional de Folclore e Artes Populares) no último dia 4, um importante passo em sua carreira como cordelista e promotor das artes típicas nordestinas.
Pouco antes, em 12 de setembro, seu projeto "Cordelteca Gonçalo Ferreira" foi consagrado como um trabalho de excelência em prol da salvaguarda da Literatura de Cordel pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro, a cordelteca foi criada por uma iniciativa do próprio Pedro quando tinha apenas 13 anos de idade, em 2019.
"Além de reunir um acervo rico, com mais de três mil exemplares de cordéis, a Cordelteca está aberta ao público e recebe regularmente a visita de estudantes das escolas de Bauru e região. Promove a Literatura de Cordel e outros elementos da cultura popular brasileira, e o faz majoritariamente com esforço e recursos próprios. Constitui, portanto, uma ação de grande valor para a memória e o patrimônio cultural brasileiros", consta no documento publicado pela autarquia federal.
PELO BRASIL
"O Pedro atua nessa área desde pequenino. Nessa trajetória, ele tem viajado muito, sendo reconhecido em diversos lugares", afirma Carla Motta, mãe do artista. "Além de feiras literárias, ele é chamado para fazer palestras sobre cultura nordestina no próprio nordeste. Em julho, ele foi até lá participar do maior congresso sobre cangaço do Brasil [Cariri Cangaço], que reuniu centenas de pesquisadores", relembra.
No evento, Pedro do Cordel foi condecorado como o mais jovem conselheiro do projeto. Na mesma época, viajou até Paulo Afonso (BA), onde recebeu uma homenagem da Academia de Letras da cidade.
"Ele também recebeu uma moção de aplausos na cidade pelo seu trabalho com a cultura popular", complementa Carla.
"Foi um ano muito corrido, mas um ano que tive a oportunidade de aprender muito. Cada lugar que vou, conheço pessoas novas e aprendo coisas diferentes. Sempre tento levar um pouco mais de cultura popular pelo Brasil. O pessoal sempre me recebe de braços abertos, mesmo não sendo de lá, sou muito bem acolhido", conta Pedro.
Segundo ele, os melhores momentos de suas viagens estão além dos títulos e nomeações. Eles ficam nos pequenos gestos, nas apresentações artísticas e nas vivências conjuntas. "Os maiores momentos são os pequenos. São os aprendizados. Momentos como, por exemplo, quando participei da missa dos vaqueiros, em Pernambuco, ou na missa do cangaço, em Sergipe. As pessoas que encontrei, conheci e fiz amizade... Esses são os melhores momentos", finaliza.
Para o artista, trabalhar com a cultura popular é uma missão de vida. De passo em passo, ele deixa seu nome registrado nos mais diversos Estados do País, levando seu conhecimento para as mais variadas gerações e públicos, promovendo, assim, a difusão cultural.