09 de julho de 2026

Pensando nas próximas gerações

Por Cesar Augusto Teixeira de Carvalho Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil Faculdade de Engenharia da Unesp – Bauru SP |
| Tempo de leitura: 6 min

Acredito que nunca vai existir um sistema perfeito de sociedade, uma vez que o problema maior está no próprio ser humano, que é bem diversificado, tanto para o bem como para o mal. Temos que conviver com isso e só nos resta achar modos (leis) de estimular mais os que ajudam, e inibir os que atrapalham. E o melhor caminho para uma sociedade evoluir, é procurar formas de gerar riqueza e distribuí-la. Mas, o que é riqueza? É dinheiro? Na realidade, dinheiro é apenas um artifício prático para se efetuar as trocas, e a verdadeira riqueza é poder fazer as coisas. É poder se alimentar bem; se divertir; viajar pra onde quiser; ter uma roupa que lhe agrade; cursar uma boa escola; ter bons médicos e hospitais ..., enfim, poder ter liberdade e saúde para aproveitar a vida. Assim, o dinheiro só serve bem se você estiver num lugar que ofereça as várias opções que gosta ou necessita (EUA, por exemplo), e num lugar onde houver poucas opções (Cuba, por exemplo), não serviria pra quase nada. Assim, criar riqueza é gerar atividades ou produtos atrativos, e isto foi acontecendo naturalmente desde o início dos tempos. Já havia liberdade e as pessoas foram aprendendo aos poucos a conviver, pois: se num lugar faltava uma "padaria", sempre aparecia alguém disposto a bancá-la; se noutro a necessidade era um "forró dançante", logo surgia uma pessoa afim de promovê-lo; se um empreendimento não dava certo, logo se tentava novamente.

Esta combinação "liberdade & empreendimento", resultou em "democracia & capitalismo", que deu início ao sistema mais vitorioso na geração de riqueza. É utilizada em mais de 100 Países, onde se inclui os de maior renda per capta e de menor índice de desigualdade social, como: Noruega, Alemanha, Holanda, Austrália, ..., e sua eficácia não é uniforme pois depende das leis locais, do nível educacional das pessoas e do rigor judiciário para inibir os espertos. Formalmente, "democracia" significa que o soberano da nação é o povo, com o poder de eleger representantes para o parlamento criar as leis do País. Nelas, se destaca a liberdade como fator fundamental dos direitos do cidadão, inclusive a de empreender que caracteriza o "capitalismo". Com isso, o próprio povo cria múltiplas atividades ou produtos (padaria, forró dançante, indústria, ...) que atendem aos vários interesses e gostos, e esta dinâmica passa a permear toda sociedade com a geração dos empregos. Cada pessoa se encaixando conforme sua habilidade e esforço, o trabalho e ganho de um, ajuda a criar o trabalho e ganho do outro, gerando ao final um benefício coletivo. Este fato é a grande virtude da "democracia & capitalismo", na criação e distribuição da riqueza. Entretanto, uma questão polêmica neste sistema diz respeito em como a riqueza gerada é distribuída. Evidentemente, ela não é repartida igualmente aos participantes, como o socialismo defende, e isto se justifica pelo fato de que, num empreendimento: o conhecimento, a criatividade e o risco de dar certo ou não, é exclusivo dos investidores. Ganham destaque público os empreendimentos que dão certo com os responsáveis ficando ricos, mas, em geral, a realidade é outra: grande parte deles apenas se equilibram, e muitos fracassam com perda total para os investidores e nem se fica sabendo. Nos empreendimentos que permanecem, normalmente os empregados contribuem para seu sucesso com a qualidade de seu trabalho, e são premiados com salário proporcional ao seu desempenho. Creio que estas considerações são levadas em conta nas leis sobre o assunto, aprovadas pelo parlamento que representa o povo.

Já o "socialismo" coloca o poder do Estado acima de tudo, diminuindo muito a liberdade do povo, e, formalmente, hoje é usado em apenas 5 Países. Historicamente, o socialismo é considerado um sistema preparatório para o comunismo, onde se atingiria uma sociedade harmoniosa de igualdade social. É uma bela teoria, sendo mais um desejo do que uma possibilidade, pois já houve diversas pequenas experiências neste sentido, que nunca chegaram nem perto de dar certo. Seu primeiro grande experimento (1922 a 1991) foi a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), onde não havia democracia, uma vez que o soberano da nação não era o povo e sim o PCUS (Partido Comunista da União Soviética). Isto resultava numa hipocrisia enorme, uma vez que nas questões essenciais do povo (alimentação e moradia), o Estado soviético que controlava tudo, garantia as mais básicas possíveis, enquanto para as classes dominantes (cúpula, burocratas, militares, ...) havia muitos privilégios. Note que este modelo socialista de sociedade, possibilita uma vida social pouco diversificada e pouco interessante, sendo mais estática e pobre que aquela bem dinâmica da "democracia & capitalismo". Este modelo, Cuba utilizou até pouco tempo, mas, quando aumentou muito as dificuldades no fornecimento de alimentos ao povo, passou a seguir o modelo socialista vietnamita, liberando pequenos empreendimentos capitalistas como: pizzarias e táxis. Já no formato chinês de socialismo, a hipocrisia é ainda maior: também não é democrático, sendo soberano da nação o PCC (Partido Comunista Chinês), com os pequenos empreendimentos permitidos para o povo, similar ao do Vietnã. Já os grandes empreendimentos que geram maior lucro, são permitidos apenas aos membros do PCC (5% da população), sendo que o governo chinês abocanha também grande parcela do lucro.

Como se nota, para gerar riqueza no sistema "democracia & capitalismo", basta dar liberdade às pessoas que querem trabalhar. E, para estimular seu aperfeiçoamento, a distribuição da riqueza deve seguir premiando o mérito, e isto se faz necessário para se evitar acomodações. Este procedimento, resolve os problemas da sociedade até um certo ponto, pois sempre pode surgir aqueles que não se encaixam ficando sem emprego e marginalizados, que podem merecer atenção especial. Conforme a quantidade e o motivo, uma solução que já foi usada (F. D. Roosevelt, por exemplo) seria o próprio Estado democrático criar forças de trabalho extras para empregá-los, uma vez que sempre existem coisas públicas a serem feitas. Lógico, é melhor gastar nisto do que deixar as pessoas passando fome.

Talvez estas situações de insegurança que estimulem a existência de simpatizantes do "socialismo", preferindo um Estado autoritário, mas que resolva seu problema. Por outro lado, isto também seria acreditar numa ilusão, uma vez que o paraíso do comunismo nunca chegou perto de existir, pois o socialismo nunca evoluiu como se esperava, funcionando até agora apenas como mais uma ditadura disfarçada de boas intenções. O curioso, é que aqueles que defendem o socialismo como a solução da humanidade (Karl Marx, por exemplo), são pessoas que nunca tiveram experiências empresariais, e desconhecem o trabalho que dá para montar algo lucrativo, que ajude os outros. Outra curiosidade, diz respeito ao "capitalismo de compadrio" já utilizado no Brasil (Lula, por exemplo), uma vez que tem semelhanças ao que ocorre no socialismo chinês, onde as grandes riquezas geradas pela parte capitalista, já são antecipadamente reservadas para um grupo restrito.