10 de julho de 2026
BAURU

'Bauru precisa de prefeitos que pensem na cidade e não em suas carreiras...'

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Da esquerda para a direita, o convidado desta sexta, advogado Carlos Braga, e os jornalistas João Jabbour, Kleber Santos, Ricardo Bizarra e Reinaldo Cafeo

Bauru precisa de alguém que viva pela cidade e pense por ela, defende o advogado Carlos Braga, presidente do Partido Progressista (PP) municipal. A cidade, diz ele, carece de alguém que a comande com pretensões republicanas e não veja o cargo como um trampolim à sua carreira política e vida pessoal.

"Quem está preocupado com Bauru? Quem abre mão de sua vida para pensar no município?", questionou Braga em entrevista ao Café com Política, uma parceria entre a 96FM e o Jornal da Cidade, na manhã desta sexta-feira (2).

Para o advogado, existem candidaturas pessoais, representadas pelas disputas de vereadores ou deputados, e há eleições que dependem de forças externas, como a composição de grupos. Estas, afirma Braga, são as disputas para cargos majoritários - prefeito, governador ou presidente.

"Os últimos prefeitos que assumiram a administração e pensaram na cidade foram [Alcides] Franciscato, [Edmundo] Coube e [Osvaldo] Sbeghen. Os demais passaram pelo governo por carreira política e vaidade. Não estavam efetivamente preocupados com Bauru", aponta. Ele abre uma exceção ao ex-prefeito Tuga Angerami, a quem atribui um legado importante e que abriu mão de seu capital político para deixar as finanças do Palácio das Cerejeiras em ordem.

Os bons ventos semeados por Tuga, defende, beneficiaram o então prefeito Rodrigo Agostinho, "que só fez um primeiro governo muito bom graças ao Tuga", disse Braga em conversa com os jornalistas João Jabbour, Kleber Santos, Ricardo Bizarra e Reinaldo Cafeo.

O advogado também alfinetou a prefeita Suéllen Rosim (PSC), cuja eleição ele define como um acaso político. "Com todo respeito à atual prefeita. Na época em que ela lançou seu nome, todos nós sabíamos que era uma pré-candidatura a deputada federal". Ainda ao longo da conversa, Braga admitiu que pode avaliar uma pré-candidatura à Prefeitura, mas que teria de haver alianças neste sentido.

APONTAMENTOS

Advogado atuante em Bauru e também em São Paulo, além de ser também professor universitário, Carlos Braga criticou as atuações do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no processo eleitoral brasileiro e também com relação às ações envolvendo o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"É lamentável que tenhamos na Presidência da República uma pessoa despreparada e condenada por corrupção", apontou. Para ele, Lula deve manter um governo fisiológico nos próximos quatro anos, a exemplo do que fez quando governou o País. "Terá o apoio do 'centrão' e também haverá acordos", afirmou.

Para o advogado, uma eventual intervenção das Forças Armadas no processo político seria um preço "muito caro" a se pagar pela própria instituição. "Por mais que haja respaldo nas ruas", disse. Ele refutou, por exemplo, o argumento de que o artigo 142 da Constituição, que ficou famoso nos últimos meses, dê aval à intervenção militar. "Isso não existe".