11 de julho de 2026
BAURU

Mulheres vivem drama após chuva invadir imóveis: até fralda descartável é lavada

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo pessoal
Fraldas no varal

A água da chuva não poupou nada, quanto mais fraldas descartáveis. Até o item precisou ser lavado para ser utilizado em um bebê que mora no Piquete, região onde vivem mais de 100 famílias de baixa renda. Instalada próxima o bairro Fortunato Rocha Lima, a comunidade enfrenta o drama de tentar recuperar roupas, colchões e objetos atingidos pela enxurrada, que invadiu imóveis por conta das últimas chuvas.

Se a situação é desoladora agora, acompanhar a lama subir rapidamente e atingir os mantimentos comprados com suor para alimentar os filhos também foi desesperador, conforme relatam duas mulheres que lá residem. Com a casa destelhada, elas pedem socorro.

“A água veio com força dos barrancos e subiu próximo da altura do joelho. As crianças dormem em colchões, no chão mesmo, e estão todos molhados. Nem sabemos se vão secar hoje. Está muito difícil”, comenta Eliane Grazielle Raimundo. Aos 32 anos, ela tem oito filhos com idades entre oito meses e 16 anos.

 “ESTRAGOU ATÉ BERCINHO”

A vizinha Neiva Regina de Lima tem três, sendo a primogênita uma jovem de 18 anos e o caçula um recém-nascido de 21 dias. “Estou lavando fraldas descartáveis para utilizar. Aqui em casa, ou a gente usa o dinheiro para alimentar a família ou para comprar novas. A água chegou a atingir a minha cintura (mais de 1 metro de altura). Acabou com os colchões, inclusive o bercinho do bebê. Os meus armários estragaram e o gabinete da pia da cozinha está caindo. Precisamos de ajuda”, pontua.

De tão delicada, a situação chegou a chocar outras duas mulheres, que já conhecem os desafios dos moradores do local. É o caso da professora Sebastiana de Fátima Gomes, a “Tiana”, e Maria Inês Faneco, fundadora do projeto Esquadrão do Bem. Ao apontarem a situação como desesperadora, também pedem a contribuição dos munícipes para que possam ajudar as famílias do bairro. Solicitam a doação de alimentos, roupas, fraldas, telhas e móveis em bom estado.

A Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Bem-Estar Social estão monitorando o local. A reportagem acionou a assessoria de imprensa do município e aguarda resposta.

SEBES

A Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) informou que possui o Serviço de Proteção em Situação de Calamidades Públicas e de Emergências, para atendimento de famílias desabrigadas, desalojadas ou em condições de risco por conta das chuvas que tem assolado a cidade, e que pode ser acionado em caso de necessidade.

No caso das mulheres citadas pela reportagem, na comunidade do Piquete, elas podem procurar o Fundo Social de Solidariedade, que está arrecadando móveis e eletrodomésticos usados, que serão destinados para as famílias atingidas pelas fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias. Algumas casas foram invadidas pela água e, com isso, famílias perderam móveis. Também estão sendo arrecadados roupas e calçados usados em bom estado de conservação.

As doações podem ser feitas na sede do Fundo Social de Solidariedade, na Praça das Cerejeiras, 1-40, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. O Fundo também pode retirar os móveis ou eletrodomésticos onde o doador reside. Para isso, é necessário entrar em contato com o telefone (14) 99105-3428, que é Whatsapp, de segunda a sexta-feira.

SERVIÇO

Munícipes que quiserem fazer doações aos moradores do Piquete podem fazer contato com os seguintes telefones: 14 99675-5495 (Faneco), 14 99739-9487 (Tiana) e 14 99724-8262 (Eliane).