A primeira metade do mandato de Suéllen Rosim (PSC) à frente da Prefeitura de Bauru, desde 1 de janeiro de 2020, se encerra no próximo mês de dezembro. Este primeiro biênio, porém, não foi suficiente para que o governo conseguisse aprovar projetos de impacto a longo prazo - ou "estruturantes", como também são chamados. É o que avalia o presidente da Câmara, Markinho Souza (PSDB).
Markinho compara o fim dos primeiros dois anos a uma ampulheta, que recomeçará a contar o tempo a partir de 1 de janeiro. Os grãos de areia que caem lentamente representam o prazo que Suéllen terá para enfrentar propostas que não conseguiu emplacar até o momento. Entre elas, cita o tucano, o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo.
"De certa forma isso é preocupante. Até porque 2024 é um ano eleitoral, então teremos, na prática, um ano e meio para discutir temas relevantes. O último semestre do mandato já dá a largada à disputa municipal", aponta.
O presidente deve promover uma audiência pública e convidar a prefeita e demais secretários para que o Executivo aponte quais são exatamente os planos para Bauru até o final do atual governo. "Os projetos de impacto que chegarem ao Legislativo não vão enfrentar dificuldade de aprovação. Desde que estejam bem confeccionados", diz.
Algumas dessas propostas até foram encaminhadas à Câmara, mas acabaram rejeitadas pelos vereadores. É o caso do recente projeto do lixo, por exemplo. "Entendo que houve dificuldades de aprovação pela própria burocracia do serviço público", avalia. Ele admite, porém, que há dificuldade de interlocução entre a prefeitura e a Câmara e diz que o distanciamento entre os Poderes se torna um obstáculo a determinadas propostas. "Precisamos que Legislativo e Executivo falem a mesma língua. Foram dois anos de um relacionamento difícil. Eu, enquanto presidente, fui muitas vezes o equilíbrio entre as partes", afirma.
O tucano até tem dúvidas de que a Câmara conseguirá abordar todos os chamados projetos estruturantes até a metade do ano de 2024. Garante, no entanto, que vai lutar para que isso aconteça.
"Temos o impasse envolvendo a Cohab, de cujo futuro ninguém comenta. A Emdurb, que vive uma situação financeira complicada. Depois vêm temas como Plano Diretor, processo envolvendo o lixo, iluminação pública etc", cita. Na avaliação do líder do governo na Câmara, Júnior Rodrigues (PSD), ainda que as propostas não tenham sido abordadas no Legislativo - ou acabaram rejeitadas quando foram a votação -, o governo já vem conduzindo estratégias para encaminhar as medidas o quanto antes. "Muitas coisas estão em andamento. A Lei de Uso e Ocupação do Solo, por exemplo, foi retirada da Câmara para sofrer adequações. O mesmo acontece com outras propostas", afirma.
Para ele, a reunião com os membros do Executivo é "totalmente válida". "O objetivo é, acima de tudo, que os vereadores entendam, de maneira detalhada, quais são os planos da administração", afirma.