10 de julho de 2026
EM BAURU

MDB pode lançar candidato, mas está aberto ao diálogo, diz dirigente

Por Tânia Morbi | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Mandaliti tem sido um nome sempre lembrado, mas considera ‘cedo’ para discutir eleição

A eleição deste ano finalizou um processo de ressignificação dos partidos políticos brasileiros. A federação dos partidos e as fusões que levaram à criação de novas siglas foram algumas das situações que ajudaram a definir o cenário eleitoral. O mesmo cenário foi pano de fundo para o enfraquecimento de siglas históricas, como o PSDB. No entanto, outra, o MDB, se manteve estável no centro da discussão política local e nacional. Para tratar do papel do partido nas próximas eleições municipais de Bauru, mas também abordar a escolha da nova Presidência do Legislativo local, e ainda debater sobre os gargalos da cidade, o convidado do programa Café com Política desta sexta-feira (18) foi o empresário e presidente do MDB bauruense, Rodrigo Mandaliti.

EXECUTIVO E LEGISLATIVO

O economista e âncora do programa, Reinaldo Cafeo, questionou o posicionamento do partido (MDB) em relação ao atual governo municipal. Segundo Mandaliti, seu partido tem um quadros fortes e condições de lançar candidato ao Executivo bauruense em 2024. Mas mantém o diálogo com outros grupos. "O MDB tem grupo político bastante interessante, que pode ajudar a cidade em uma construção para o futuro. Acho que Bauru precisa evoluir no processo de gestão. Sinto, às vezes, que Bauru ainda está na eleição, e isso é ruim para a cidade. A cidade precisa de projetos de união, de pacificação. Entendo, neste aspecto, que podemos contribuir muito", avaliou o convidado do Café com Política.

Entre os nomes possíveis para o comando do Poder Legislativo, cuja eleição é no dia 15 de dezembro próximo, confirmando o que o Café com Política já havia adiantado, Mandaliti cita os vereadores Mané Losila e Guilherme Berriel, mas aberto ao diálogo com outros partidos.

Para o governo municipal, em 2024, perguntado pelos debatedores, admitiu que o MDB tem nomes com potencial, como o de seu irmão, Reinaldo Mandaliti, e o dele próprio. Mas ressaltou que é muito cedo para se falar em sucessão municipal e as dificuldades que ambos teriam devido às responsabilidades empresariais.

DESAFIO: DEFINIR POSIÇÃO

Apesar da abertura ao diálogo, o diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, observou que o MDB terá de definir seu alinhamento político quanto à prefeita Suéllen Rosim (PSC), se na oposição ou na situação e, ainda, se lançará candidato próprio.

Rodrigo disse que tem uma boa avaliação da atual gestão e que entende as dificuldades enfrentadas por Suéllen no primeiro ano. "Até porque não tinha a habilidade política que é necessária no relacionamento com a Câmara. E falo isso para ela. Admiro a Suéllen. Mulher negra, jornalista, que saiu do nada e ganhou a eleição do maior grupo político que existia na eleição. Então, o MDB está à disposição para o que for necessário e bom para a cidade", afirmou.

O especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos abordou o posicionamento político/ideológico do partido, tendo como cenário a polarização das últimas eleições. "Eu não gosto do radicalismo, acho prejudicial. Eu me coloco numa neutralidade. O MDB é uma sigla partidária. Eu me coloco no centro à direita, tentando convergir os assuntos que são de interesse da cidade. Então, coloco o MDB nesta posição", definiu Rodrigo.

MANDATO É LIVRE

Sobre a eleição da Câmara Municipal, que terá forte influência nas eleições municipais, Rodrigo destacou que as escolhas dos dois vereadores do partido é livre e não tem interferência do partido, pois o mandato é muito mais de quem foi eleito do que do partido.

E sobre a próxima escolha municipal, Kleber Santos relembrou que as campanhas eleitorais mudaram muito nos últimos anos. "A campanha hoje é permanente, começa no dia seguinte da posse do prefeito, governador ou presidente. Da mesma forma, alguém que se coloca como alternativa ao poder tem que mostrar à população porque seria melhor alternativa", orienta.

FALTA ARTICULADOR

Mandaliti lamentou a falta de projetos que resolvam problemas da cidade, como no caso da Emdurb, Cohab, Plano Diretor, entre outros, e defendeu a terceirização de parte dos serviços, como a coleta e tratamento do lixo, em busca de melhorar a qualidade. "Você precisa pensar de forma macro a cidade. Falta gestão e na iniciativa privada vai ter esta gestão. É difícil tomar esta decisão, mas é preciso andar", opinou.

Para o empresário e presidente emedebista, apesar de reafirmar sua boa avaliação, falta ao governo atual alguém que faça a orquestração da gestão e relacionamento político e técnico com os demais setores da cidade.

STF E SEU PROTAGONISMO

Os participantes do programa também conversaram sobre as manifestações que continuam ocorrendo em protesto contra a eleição do presidente Lula (PT). Para Mandaliti, é preciso fazer a transição dos governos e dar condições para o novo governo trabalhar. E também abordaram decisões recentes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação aos manifestantes, viagem e os reflexos de suas ações. "Eles têm lado. Se continuar assim, vamos ter a ingovernabilidade", opinou o empresário. Todos acham que passou da hora de o STF mostrar mais comedimento.