Após um dia de intensas negociações com forças policiais e até com aplicação de multas, os manifestantes resolveram liberar a Marechal Rondon (SP-300), em Bauru, no final da tarde desta quarta-feira (2), assim como ocorreu em praticamente toda a região e em outras cidades do Brasil (leia mais nas páginas 8 e 13). O trecho urbano da rodovia, próximo do trevo de acesso à av. Nações Unidas, começou a ser desinterditado por volta das 17h10 e, cerca de meia hora depois, a via estava completamente reaberta ao tráfego.
Após deixarem a Rondon, os manifestantes seguiram para a frente da 6.ª Circunscrição de Serviço Militar (6.ª CSM), na quadra 3 da rua Bandeirantes, na região central de Bauru, onde um protesto com o mesmo mote ocorria desde o início da manhã. Até o fechamento desta edição, a rua permanecia interditada e ocupada por um grande número de pessoas.
Conforme o JC tem noticiado, o grupo que ocupava a Rondon desde as 18h da última segunda-feira (31) protesta contra a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, que foi eleito presidente da República no último domingo (30). A pauta é praticamente idêntica à do movimento em frente à 6.ª CSM.
NA RODOVIA
A liberação da Marechal Rondon neste feriado de Finados foi pacífica, porém, registrou divergências e resistências.
Pela manhã, a Polícia Rodoviária pontuou que, após as 11h, multaria cada um que estivesse interrompendo o fluxo. Diante disso, um grupo deixou a pista, contudo, outros resolveram manter o trânsito bloqueado. Até mesmo toras de madeiras foram colocadas sobre as faixas de rolamento da rodovia.
O Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) esteve no local no início da tarde, mas não conseguiu convencer os manifestantes a saírem. Houve negociações e os policiais deram prazo até 17h ao protesto, horário em que o Baep retornou.
Após novo diálogo junto aos comandos da Polícia Rodoviária e do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), os integrantes do movimento resolveram ceder e iniciaram o desmonte das barracas que haviam sido erguidas para distribuição de alimentos e água.
Na sequência, houve limpeza das vias por funcionários da ViaRondon e, aos poucos, os caminhões que ainda estavam estacionados na faixa de rolamento da rodovia começaram a deixar o local.
O sentido Capital-Interior foi o primeiro a ser aberto para o trânsito. Depois, foi a vez da pista contrária. Por volta das 17h40, a Rondon estava completamente desinterditada. Vale destacar que as marginais já estavam liberadas desde o dia anterior (1).
"Nossa missão aqui foi ajudar para que uma liberação tranquila ocorresse, garantindo a integridade de todos. Havia muitas mulheres, crianças e idosos no protesto", comenta o tenente-coronel Paulo Cesar Valentim, comandante do 4.º BPM-I.
Segundo o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar Rodoviária, capitão Gabriel Eleutério, houve a aplicação de algumas autuações de R$ 5,8 mil por interrupção do tráfego e outras por estacionamento irregular nas imediações da via. O número total de multas, porém, não foi detalhado. "Estamos atentos e continuaremos com efetivo reforçado para evitar que manifestantes voltem a ocupar as rodovias", conclui o capitão.
Até o fechamento desta edição, apenas alguns banheiros químicos, utilizados no protesto, permaneciam em canteiros da Rondon.
NO CENTRO
Com a liberação da Rondon, um grupo de manifestantes seguiu marchando atrás de um trio elétrico até a frente da 6.ª CSM, na rua Bandeirantes, onde pessoas vestidas com as cores da bandeira do Brasil já estavam desde a parte da manhã. O local foi interditado pela Polícia Militar, que acompanha o movimento.
O protesto na região central de Bauru, assim como o da rodovia, segue sem lideranças indicadas, mas representantes que estavam sobre o trio elétrico estimavam um público de até 5 mil pessoas no local durante a tarde desta quarta, uma vez que o ato foi ganhando adesão ao longo do dia.
"Estamos inconformados com as eleições desde a aceitação da candidatura de Lula. Também acredito que houve falta de paridade nas propagandas. Além disso, queremos a recontagem de votos", aponta Renato Tavares, presidente do Instituto Direita Bauru.
Uma faixa com os dizeres "O povo brasileiro quer intervenção federal (artigo 142). Deus, Pátria e Família" estava presa na lateral do trio elétrico.