Os manifestantes que protestam em Bauru contra a eleição de Lula da Silva à Presidência da República ainda mantêm o trecho urbano da rodovia Marechal Rondon (SP-300) interditado nesta quarta-feira (2), nos dois sentidos da pista principal. Policiais estão no local tentando liberar a rodovia e já aplicam multas em veículos. Uma parte dos que protestam ocupam neste momento a quadra 3 da rua Bandeirantes, no Centro da cidade, em frente à 6ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM).
Até o fim da noite de ontem, os manifestantes permaneciam concentrados na altura do quilômetro 340, nas imediações do trevo de acesso à avenida Nações Unidas, onde foram instalados banheiros químicos e uma tenda para distribuição de refeições. No local, também havia diversas caixas com frutas, garrafas de água, papel higiênico, entre outros itens, como colchonetes, cadeiras e bancos.
Segundo os manifestantes, o protesto tem como objetivo dar visibilidade ao descontentamento deles com a soltura, anulação da condenação e candidatura de Lula, que acabou sendo eleito, no último domingo, presidente da República para o mandato de 2023 a 2026. "E, após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, classificando nossos atos como legítimos, além de não se dar por vencido, não admitir a derrota, nossa expectativa é de que, no feriado, nosso movimento cresça ainda mais. Não temos a intenção de sair da Rondon", declarou Silmar Thomazi, um dos participantes (leia mais sobre as interdições no País e na região e a respeito do pronunciamento de Bolsonaro nas páginas 13, 15 e 16).
RECEIO
A manutenção do protesto seguiu de forma pacífica nesta terça-feira, mesmo após o governador Rodrigo Garcia criar um gabinete de crise e determinar que as forças de segurança atuassem para o imediato desbloqueio de rodovias em todo Estado. A decisão foi tomada para garantir o cumprimento da ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para o fim das interdições em vias públicas em todo o País.
Em várias regiões do Brasil, policiais chegaram a utilizar gás lacrimogêneo e até balas de borracha para dispersar a concentração de pessoas, o que levou diversos manifestantes a temer que algo semelhante pudesse se repetir em Bauru, mesmo com a presença de crianças e idosos.
Ainda assim, o grupo decidiu permanecer no local e, diante de tentativas da polícia em desbloquear o trânsito, alguns participantes sentaram-se e até deitaram na rodovia.
"Estamos dentro da lei, é nosso direito de cidadão. Apesar de algumas pessoas terem dito que o melhor seria acatar a ordem da polícia, essa é nossa última chance de defender nossas famílias, o Brasil. Não podemos ceder", afirmou o manifestante Rodrigo Leandro Toqueti.
LIBERAÇÃO PARCIAL
Ao fim do dia de ontem (1), por volta das 18h30, após negociações com os comandos da 1.ª Companhia do Batalhão de Polícia Rodoviária de Bauru e do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, quando policiais do 13.º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) também já haviam chegado ao local, as pistas marginais da rodovia, que estavam congestionadas, funcionando com apenas uma faixa de rolamento em cada sentido, foram completamente liberadas.
Já na pista expressa, só tinham passagem permitida pelo movimento ambulâncias, viaturas das polícias e do Corpo de Bombeiros e veículos com situações consideradas de urgência, como pessoas passando mal ou transportando alimentos perecíveis. "Nosso objetivo não é atrapalhar a vida de ninguém, mas sim defender a família, a pátria, a liberdade e os valores que todo o cidadão de bem tem e que, agora, estão ameaçados", pontuou o participante Ricardo Bordin.
ATIVIDADES SUSPENSAS
Ao menos duas empresas de ônibus que transportam passageiros entre cidades e que atuam em Bauru paralisaram suas atividades em razão dos bloqueios registrados em várias rodovias do País.
Por meio de suas redes sociais, a Reunidas Paulista informou que, por "segurança, conforto e transparência com seus clientes e com a população em geral", suspendeu as viagens desde as 18h30 de segunda-feira (31), até que o tráfego de veículos seja normalizado.
A empresa disse, ainda, que passagens já adquiridas poderiam ser remarcadas para datas futuras, por meio de seus canais de atendimento ou nos guichês de vendas.