Lideranças do movimento que bloqueia integralmente as faixas expressas da rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Bauru, conclamaram os manifestantes para permanecerem nas imediações do quilômetro 340, no feriado de Finados, nesta quarta (2). A informação foi reiterada pelo grupo há pouco, inclusive no carro de som utilizado durante o protesto, iniciado na tarde desta segunda-feira (31).
A decisão dos manifestantes contraria a posição do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), que não descartou, na manhã desta terça-feira (1), o uso de força por parte da Polícia Militar para desbloquear as rodovias do estado. De acordo com ele, as negociações se encerram com a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para os governos adotarem imediatamente "todas as medidas necessárias e suficientes" para liberar as vias ocupadas por bolsonaristas em protesto pelo resultado das eleições.
Ainda assim, não há, até o momento, qualquer negociação no local entre autoridades e representantes do protesto para que desobstruam o trecho. Como não aceitam que Lula (PT) assuma a presidência da República em 2023, manifestantes pedem Intervenção Militar, conforme é possível constatar também em faixas levadas ao ato, que denominam como ‘Resistência Civil’.
BLOQUEIO
Por conta do protesto, as faixas expressas da rodovia Marechal Rondon (SP-300) em Bauru permanecem completamente interditadas nos dois sentidos, na altura do quilômetro 340, proximidades do trevo de acesso à avenida Nações Unidas. Já uma faixa das marginais está liberada, em ambos os sentidos.
Embora com alguns momentos de tensão, a manifestação segue pacífica, com seus participantes utilizando palavras de ordem, assim como música. Apoiadores ainda levam refeições ao grupo, que montou tendas na pista. Logo na manhã desta terça-feira (1), houve tensão porque alguns integrantes do protesto também tentaram interromper totalmente o tráfego nas marginais.
A iniciativa contrariava a orientação do Policiamento Rodoviário, que precisou intervir, conforme noticiou o Programa Cidade 360, uma parceria do JC, JCNET/Sampi com a 96FM. Alguns embates também foram registrados pela reportagem entre motoristas que precisam cumprir compromissos e as pessoas que mantêm o ato. Um dos caminhoneiros precisou insistir muito para que o liberassem seguir viagem.
O INÍCIO
O protesto em Bauru começou por volta das 18h desta segunda-feira (31), organizado por caminhoneiros bolsonaristas com participação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, derrotado no pleito de domingo (30) para Lula. Atos semelhantes ocorreram também na região e por todo o País.
O movimento em Bauru chegou queimar pneus, na noite desta segunda-feira (31). Depois, prosseguiu com a adesão de pedestres que participavam de outro ato nas imediações da Havan, com bandeiras do Brasil, pedindo por "justiça, honestidade e democracia".
O JC esteve no local e conversou ontem com pessoas que se pronunciavam por meio de caixas de som em uma caminhonete, na pista sentido Capital-Interior. "Somos pró-democracia. Temos a intenção de dar um grito ao Judiciário e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de que nós, brasileiros, não concordamos com a soltura e com a candidatura do Lula. Não estamos nem falando em não aceitar o resultado das urnas, mas acreditamos que foi uma fraude eleitoral a candidatura dele. O Brasil foi solapado em sua democracia", aponta o representante comercial Felipe Alcântara, morador de Bauru. "Não queremos trazer ônus para ninguém bloqueando a rodovia, tudo aqui é feito de forma ordeira", completa.
"Nosso movimento é sem nome, individual e de organização natural dos cidadãos de bem. Os caminhoneiros nos ajudaram a fechar o trânsito e as pessoas foram simplesmente parando o carro também e vindo para cá", reforça o comerciante Silmar Thomazi. O gesseiro Elton Ramlov ficou sabendo do protesto pelas redes sociais e, ao sair do trabalho, passou para pegar a esposa e a filha a fim de todos participarem do ato. "Só viemos por ver que era seguro e pacífico. Estamos aqui pelo Brasil e pela melhor apuração de tudo que houve nessas eleições. A censura prejudicou o Bolsonaro", comenta o manifestante.
MULTA DE R$ 100 MIL/HORA
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou ainda nesta segunda-feira (31) que a Polícia Rodoviária Federal e as Polícias Militares estaduais tomem medidas imediatas para desbloquear as rodovias do país.
Moraes acolheu um pedido da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), apresentado também nesta segunda. O ministro do STF também ordenou ainda que donos de caminhões usados em bloqueios sejam multados em R$ 100 mil por hora.
Já o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), ameaçou, na manhã desta terça-feira (1), usar a Tropa de Choque da Polícia Militar para desbloquear as rodovias do estado. Garcia instituiu Gabinete de Crise para tratar do assunto e ainda determinou multa de R$ 100 mil por hora para cada veículo que resistir à determinação de desbloquear as vias. “Vamos fichar e prender quem resistir. Se necessário, vai haver uso de força”, afirmou o governador.