10 de julho de 2026
PROTESTO

Após vitória de Lula, País segue tenso e espera fala de Bolsonaro

Por Marcele Tonelli - Atualizada às 6h | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Marcele Tonelli
Na Marechal Rondon, próximo ao trevo da Nações, manifestantes fecharam a rodovia

Um protesto iniciado por volta das 18h desta segunda-feira (31), em Bauru, fechou totalmente os dois sentidos da rodovia Marechal Rondon (SP-300), na altura do quilômetro 340, proximidades do trevo para a av. Nações Unidas. Não havia previsão para a liberação do trânsito até o fechamento desta edição. Atos semelhantes ocorreram também na região e por todo o País (Clique e leia mais: na região e no País).

O movimento em Bauru teve início com caminhoneiros e chegou a registrar até queima de pneus. Depois, prosseguiu com a adesão de pedestres que participavam de um outro ato nas imediações da Havan, com bandeiras do Brasil, pedindo por "justiça, honestidade e democracia".

Apenas as marginais da Rondon seguiam livres até a noite de ontem, mas com forte policiamento no trecho, em razão do fluxo de pessoas que atravessavam a pista para chegar ao protesto.

Já o trânsito na rodovia, na altura de Bauru, continuava completamente fechado e sem previsão de liberação. Somente ambulâncias e viaturas das polícias e do Corpo de Bombeiros, além de veículos com situações consideradas de urgência, tinham a passagem permitida pelo movimento.

O congestionamento já chegava a mais de quatro quilômetros. A Polícia Rodoviária e o patrulhamento local da Polícia Militar acompanhavam a situação.

Segundo o comandante da 1.ª Companhia do Batalhão de Polícia Rodoviária de Bauru, capitão Gabriel Eleutério, o congestionamento só não era maior por causa de outros protestos do tipo registrados em Lençóis Paulista, Pederneiras e Bariri, que ajudaram a diminuir o fluxo de veículos nas vias.

Um boletim de ocorrência não criminal sobre manifestação pública pacífica seria registrado pela Polícia Rodoviária.

O PROTESTO

O JC esteve no local e conversou com dois homens que se pronunciavam por meio de caixas de som em uma caminhonete, na pista sentido Capital-Interior. Eles explicaram que estavam em protesto na Havan, mas decidiram se unir e partir para a rodovia ao verem os caminhoneiros parando. Os dois movimentos, inclusive, teriam a mesma pauta.

"Somos pró-democracia. Temos a intenção de dar um grito ao Judiciário e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de que nós, brasileiros, não concordamos com a soltura e com a candidatura do Lula. Não estamos nem falando em não aceitar o resultado das urnas, mas acreditamos que foi uma fraude eleitoral a candidatura dele. Ele foi preso e condenado em três instâncias, deveria estar cumprindo pena. O Brasil foi solapado em sua democracia", aponta o representante comercial Felipe Alcântara, morador de Bauru. "Não queremos trazer ônus para ninguém bloqueando a rodovia, tudo aqui é feito de forma ordeira", completa.

"Nosso movimento é sem nome, individual e de organização natural dos cidadãos de bem. Os caminhoneiros nos ajudaram a fechar o trânsito e as pessoas foram simplesmente parando o carro também e vindo para cá", reforça o comerciante Silmar Thomazi.

O gesseiro Elton Ramlov ficou sabendo do protesto pelas redes sociais e, ao sair do trabalho, passou para pegar a esposa e a filha a fim de todos participarem do ato. "Só viemos por ver que era seguro e pacífico. Estamos aqui pelo Brasil e pela melhor apuração de tudo que houve nessas eleições. A censura prejudicou o Bolsonaro", comenta o manifestante.

No fim da noite, os presentes se organizavam para comprar marmitas aos caminhoneiros e aos que pernoitariam no protesto.