09 de julho de 2026

O Brasil que eu não quero

Por Benedito José Almeida Falcão |
| Tempo de leitura: 1 min

Ontem, voltando para casa, me deparei com uma cena deprimente. Espremido no tráfego de carros que passam apressados, um homem puxava um carrinho imenso de papelões. Em meio ao resto do consumo urbano, encolhidos em um canto, seus dois filhos (tão descartáveis nessa sociedade excludente, quanto o resto da coleta).

Sim, era um homem igual a eu e você... As crianças em meio aos descartáveis eram iguais a qualquer um de nossos filhos... O homem não era um vagabundo, não era um bandido... Era simplesmente um homem... Um homem a quem a desigualdade impôs um abismo intransponível... E esse é o Brasil que eu não quero.

Um Brasil de pessoas indiferentes ao sofrimento alheio... Um Brasil em que as pessoas, para se sentirem grandes, precisam diminuir seu semelhante.... Para se sentirem importantes, precisam dos invisíveis... Para que se sintam humanos, precisam ver outros homens bestializados, puxando carroças...

Naquele momento eu e minha esposa paramos para ajudar com aquilo de que dispúnhamos... Não porque ele nos pediu... mas por que era o mínimo que podíamos fazer por outro ser humano... Fomos embora em silêncio... Não conseguíamos tirar da cabeça aquela imagem... Uma Imagem que se repete cada vez com mais frequência nas esquinas desse Brasil...

E se para alguns atitudes pontuais como essa anestesiam a consciência, para nós, fez ela ainda mais desperta: é preciso fazer mais... é preciso fazer muito mais... é preciso lutar todos os dias por justiça social...

Porque ser patriota não é dependurar uma bandeira no carro... Ser patriota é pensar no povo... Porque ser cristão não é frequentar igrejas... Ser cristão é se condoer pelos excluídos... Porque ser "humano" é muito mais que pertencer a uma espécie... é a capacidade de se colocar no lugar do outro e reconhecer em cada um deles, um pouco de nós...