Numa das eleições mais disputadas desde a redemocratização, o cenário a ser instalado no Brasil ao término da apuração das urnas gera preocupação, avalia o advogado e professor universitário Thiago Munaro.
Docente da ITE e da Unip de Bauru, ele participou nesta sexta-feira (28) do programa Café com Política, uma parceria do JC com a rádio 96 FM. E deu o recado: "Nós temos de ficar atentos", disse, em conversa com os jornalistas João Jabbour, Kleber Santos, Ricardo Bizarra e Reinaldo Cafeo.
"O clima após o primeiro turno foi tranquilo. Mas me preocupo com o segundo turno porque é um resultado definitivo. Podemos ter problemas no pós-eleição. E isso vale para os dois candidatos, independentemente de quem seja o vencedor", afirmou o advogado.
AÇÃO NO TSE
Thiago Munaro também abordou a ação protocolada pela campanha de Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segundo a qual foram inseridos menos programas eleitorais do presidente em emissoras de rádio do Norte e Nordeste do País.
A ação pedia que o caso fosse apurado, mas acabou rejeitada pelo TSE por falta de provas. Numa reviravolta, o ministro Alexandre de Moraes, que preside a Corte, enxergou no pedido uma tentativa de tumultuar as eleições e determinou a abertura de uma investigação contra a campanha de Bolsonaro.
"Eu li a decisão. A petição foi rejeitada por inépcia, quando não há elementos jurídicos para dar continuidade à ação, e por falta de provas", disse o advogado. "Isso é uma prerrogativa de qualquer juiz, seja de Bauru ou de Brasília", prosseguiu.
REGRAS PARA O VOTO
Ainda durante a conversa, Munaro lembrou que a manifestação silenciosa e individual é a única permitida neste domingo (30), no momento de ir às urnas. "O eleitor pode votar usando boné, camiseta, broche e outros acessórios em favor de seu candidato", afirmou.
Aquele que não votou no primeiro turno, ressaltou Munaro, está liberado para votar neste domingo. Mesmo que não tenha justificado sua ausência aos tribunais. "Só não consegue votar quem teve o título de eleitor cancelado. E o cancelamento acontece quando não se vota e não se justifica em três eleições seguidas", explicou Thiago.
TECNOLOGIA
Mesmo que o impulsionamento de conteúdo dos candidatos nas redes sociais esteja proibido já a partir de hoje (29), o consultor de marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos acredita que as redes ainda têm papel importante a um dia do segundo turno.
"Sobretudo o WhatsApp, que assume um papel importante agora. Tanto em grupos como em conversas individuais. E eu acredito que isso vai causar um aumento no compartilhamento de fake news. As campanhas precisam estar preparadas para o problema", afirmou Kleber Santos.