Em 38 anos de loja, Catarina Cristóvam conta que nunca viu tanto movimento no estabelecimento de sua família, que comercializa fantasias no Calçadão da Batista de Carvalho, como neste Halloween. Prova de que o Dia das Bruxas - celebrado em 31 de outubro e uma tradição nos Estados Unidos - foi mesmo "abraçado" pelos bauruenses e atinge, agora, outros públicos, como bares e universitários.
"Este Halloween está diferente. As festas aumentaram muito depois da pandemia, e todo mundo quer se fantasiar. Há uns quatro anos, isso era uma 'moda' que se restringia mais aos cursos de inglês, escolas e condomínios fechados. Agora, vemos clubes, bares e até festas universitárias inteiras com a temática", avalia a comerciante.
Desde o rock até o pagode, são vários os estabelecimentos que, de fato, têm apostado na temática Halloween em Bauru. Segundo o JC apurou, cerca de 20 festas do tipo, a maioria em bares noturnos, estão programadas para este final de semana. E esse agito maior é o que, segundo apontam lojas da cidade, tem levado muitos a investirem em fantasias, máscaras e acessórios.
'LOOKS'
Na corrida pelo "look assustador", que segundo Catarina teve início há duas semanas em Bauru, os clientes têm investido em média de R$ 50,00 a R$ 200,00. E os figurinos mais procurados, especialmente por adolescentes e jovens, nem sempre são os da moda convencional.
"Sempre vendemos muita tiara de capetinha, além dos trajes de Malévola e Cruella. As máscaras do Pânico, do Palhaço Assassino e do Coringa também sempre vendem muito para o Halloween. Só que, neste ano, percebemos que o pessoal tem misturado fantasias. Tivemos muita saída de tiara com orelha de coelho preta, o que, antes, era algo praticamente sem comércio na data. Confesso que ainda estamos decifrando qual seria esse personagem de fato, porque nem as pessoas que compram sabem explicar ao certo", brinca Catarina.
"Muita gente também tem investido em acessórios, como tiaras, para uma fantasia mais 'clean' e fácil de se desfazer nas festas", acrescenta a comerciante.
ATÉ PRÊMIO
Outra loja de fantasias, na rua Virgílio Malta, também tem notado um movimento maior do que em Halloweens passados.
"Logo após a liberação das restrições em razão da pandemia, as pessoas passaram a fazer mais festas. O Halloween deste ano está realmente mais movimentado. E olha que o valor de muitos itens importados aumentou", observa Karen Zoulato, gerente da loja. "Tem bar dando prêmio em dinheiro para a melhor fantasia e, com isso, muita gente investe mesmo, até aluga roupa", diz ela, completando que o público mais jovem elegeu lentes de contato descartáveis, brancas ou foscas, como o acessório "queridinho".
FILME DA VEZ
Na loja da rua Virgílio Malta, as fantasias que, geralmente, lideram as vendas nesta época são de vampiro, de bruxa, de esqueleto, do Chucky, do Michael Myers (do filme Halloween) e do Pânico.
Neste ano, contudo, as máscaras inspiradas no filme "Uma Noite de Crime" (The Purge) sumiram das prateleiras do estabelecimento, conta Karen. "As vendas estouraram nas últimas duas semanas e essa máscara esgotou. A maioria dos clientes tinha entre 18 e 25 anos. Acredito que seja alguma festa universitária de Halloween na cidade", observa a gerente.
Ela também relata que recebeu clientes em busca de fantasia de uma espécie de "coelho do mal" e acredita que a inspiração tenha vindo também de cenas do filme "Uma Noite de Crime".
Entre as crianças, segundo as duas comerciantes, os figurinos não costumam fugir tanto de personagens já tradicionais na data, como vampiro, bruxa, esqueleto, Coringa, Pânico, Arlequina, Cruella e Malévola.
DOCE OU TRAVESSURA
O Halloween será celebrado em uma festa na praça do Villaggio 2, neste sábado (29), a partir das 19h30. Voltado aos condôminos, o evento, que contará até com food trucks e DJs, é organizado pelos próprios moradores, responsáveis também por decorar todo o local.
Na mesma noite, as crianças e adolescentes do residencial sairão tocando as campainhas das casas identificadas e que aceitaram participar da ação para o clássico "doce ou travessura?". Como manda a tradição, na noite de Halloween, as crianças saem pelas ruas, de porta em porta, em busca de doces, com a condição de aprontarem uma travessura se não tiverem o pedido atendido.