11 de julho de 2026
JUDICIÁRIO

Primeira etapa fracassa e o leilão do prédio da Cohab fica para novembro

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Malavolta Jr. / JC Imagens
O prédio da Cohab, na avenida Nações Unidas: leilão vai para a segunda etapa, com valor menor

Sem interessados, a primeira etapa do leilão da sede da Cohab, realizado nesta quinta-feira (27), fracassou. O lance inicial havia sido fixado em R$ 13.415.781,41, valor que cairá para R$ 8.049.468,85 na segunda e última fase do procedimento, agendada agora para 22 de novembro.

O leilão acontece na plataforma online "Sato Leilões", credenciada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para realizar o procedimento. Caso a segunda etapa da hasta também fracasse, o prédio ainda poderá ser negociado - em medida judicial ou extrajudicial -, mas com valor menor.

Localizado na avenida Nações Unidas, o edifício de 2.554,09 metros quadrados será vendido para quitar parte de uma dívida da companhia com a Construtora LR, cujo valor hoje atinge estratosféricos R$ 656.084.125,63.

O leilão do prédio da Cohab foi determinado pela Justiça em agosto a pedido da construtora, contratada pela companhia em 2001 para construir um conjunto habitacional em São Manuel. A obra seria custeada pela Caixa Econômica Federal (CEF) a partir de um convênio com a Cohab.

O banco, porém, deixou de repassar pelo menos 37,5% do contrato à Cohab, o equivalente a R$ 78 milhões em números da época. A construtora, consequentemente, também não recebeu os valores. Ajuizou, então, uma ação judicial para cobrar a Cohab. E ganhou o processo em todas as instâncias. Restava à Cohab quitar o débito, o que busca evitar desde então.

FUTURO

O leilão do prédio da Cohab, como noticiou o JC ontem, acontece em meio a um cenário de incertezas sobre o futuro da empresa.

A dívida da companhia supera R$ 1 bilhão num momento em que suas receitas caem cada vez mais.

Já não há mais os contratos de construção civil que levaram a Cohab ao seu apogeu, e sua receita hoje se baseia principalmente nas parcelas pagas pelos mutuários - que diminuem à medida em que os clientes quitam seus débitos junto à companhia.

Enquanto segue ativa, a empresa tenta negociar a dívida que contraiu com cada um dos credores. Um acordo com a Caixa Econômica Federal, a quem a Cohab deve R$ 348 milhões, prevê o pagamento em 30 anos.

Alguns dos encargos, a exemplo da dívida com a Construtora LR, ainda são um impasse à companhia, cujos bens estão avaliados em cerca de R$ 113 milhões - cerca de 10% do débito total da Cohab.

Uma das preocupações do governo está no fato de que a Prefeitura detém 72% das ações da companhia e é sua financiadora. Isso significa que as dívidas da Cohab recairiam sobre a administração caso a empresa feche.