09 de julho de 2026
Internacional

Presidente reconduz Prodi ao governo

Folhapress
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Roma - O presidente da Itália Giorgio Napolitano reconduziu ontem Romano Prodi, que tinha renunciado havia cinco dias, ao posto de primeiro-ministro, para que enfrente uma votação de confiança a fim de testar sua maioria no Parlamento.

Prodi deixou o cargo depois de o governo perder a votação de uma moção que aprovaria suas diretrizes de política externa. A derrota foi provocada por medidas que racharam a base governista: a manutenção dos cerca de 1.900 militares italianos na missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, e a permissão para a expansão de uma base militar dos EUA em Vicenza (Itália).

Ele agora tem de conseguir um voto em ambas as cadeiras do Parlamento para mostrar que dispõe de apoio. A votação está prevista para a próxima semana. “Irei ao Parlamento assim que possível, com o apoio de uma coesa coalizão determinada a ajudar o país nesse difícil período’’, disse.

Nos últimos dias, Napolitano havia consultado líderes políticos sobre como resolver a crise. Os aliados de Prodi defendiam uma segunda chance para que ele pudesse mostrar como é capaz de comandar a maioria do Parlamento, enquanto o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi exigia novas eleições.

Mas Napolitano afirmou ontem que a maioria dos partidos concordou que as leis eleitorais devem ser modificadas antes de serem realizadas novas eleições e não havia consenso sobre a formação de uma ampla base de sustentação parlamentar.

“Está claro que no momento não há nenhuma alternativa concreta a não ser esta de voltar atrás e checar por meio de um voto de confiança que ele tem o apoio da maioria necessária’’, declarou Napolitano.

A oposição de centro-direita afirmou que a decisão do presidente iria apenas prolongar a agonia do governo Prodi. “Seu governo não tem unidade política suficiente para dirigir esse país’’, disse o porta-voz do partido da Aliança Nacional. Prodi tem a maioria na Câmara, mas dispõe de apenas um assento de vantagem no Senado, o que o torna vulnerável.

Desde que assumiu o cargo de premiê, há nove meses, Prodi depende do apoio dos senadores vitalícios. Mas isso não aconteceu na última quarta-feira, resultando em sua renúncia. Para evitar que isso se repita, Prodi vem tentando nos últimos dois dias obter maioria no Parlamento.

Após intensas negociações, ele parece ter obtido sucesso em ganhar apoio de pelo menos um senador da oposição centro-esquerda. Marco Follini, que serviu de vice-primeiro-ministro no governo Berlusconi, disse ontem que provavelmente o apoiaria.