08 de julho de 2026
Bairros

Bela Vista comemora 66ª quermesse

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

A mais tradicional festa junina de Bauru, na Paróquia Santo Antônio, no Jardim Bela Vista, teve início anteontem. As comemorações, que vão até o dia 18 de junho, atingem seu ápice no dia 13, data em que se comemora o padroeiro da igreja, Santo Antônio, o “santo casamenteiro”.

Assim como a festa junina e o bairro da Bela Vista, a Paróquia Santo Antônio também é uma das mais tradicionais de Bauru. Os cultos aos domingos chegam a reunir mais de 1.000 fiéis.

Para a festa junina deste ano, dezenas de voluntários irão preparar um bolo para cerca de 5.000 pessoas. “O bolo pesa mais de uma tonelada e será vendido no dia de Santo Antônio para arrecadar fundos para as obras sociais, para a creche e para a construção dos salões paroquiais”, explica o pároco da igreja, frei Sérgio Sebastião Pagan.

A festa, em sua 66.ª edição, terá barracas de pastel, quentão, vinho quente, chocolate quente, doces, pipoca, cachorro-quente, batata, minipizza, frango assado, churrasco, bebidas e pescaria; e a expectativa é que a fé e a tradição levem ao evento cerca de 20 mil pessoas.

A colaboração da comunidade com a paróquia, no entanto, vem de muito antes. De acordo com Pagan, desde 1937 já existiam pessoas doando terras para a construção de uma comunidade católica no Jardim Bela Vista. Em 12 de setembro de 1937, o padre João Van de Hubst lançou a pedra fundamental da Capela Santo Antônio, e no dia 24 de março de 1940, num domingo de Páscoa, o bispo diocesano Dom Luiz de Sant’Ana inaugurou a capela.

Todas as terças feiras, os padres missionários do Sagrado Coração de Jesus iam da Paróquia São Benedito, na Vila Falcão, para celebrar a missa em honra a Santo Antônio. Em 1951, padres franciscanos chegaram ao local e deram continuidade às celebrações, que permanecem até hoje.

Pessoas que viveram nessa época lembram com bastante emoção o nascer da comunidade Santo Antônio e falam das dificuldades enfrentadas por esses padres para chegarem para a celebração das missas. “Os padres vinham a pé ou a cavalo, mas não deixavam de cumprir com a sua missão”, comenta o aposentado Eliel do Carmo, 83 anos, morador da Bela Vista há mais de 60 anos.

No dia 19 de março de 1955, Dom Henrique Golland Trindade, bispo diocesano de Botucatu, promulgou o decreto de criação da Paróquia Santo Antônio, que foi desmembrada das paróquias de São Benedito da Vila Falcão e de Nossa Senhora Aparecida.

No entanto, pouco mais de uma década depois, o antigo prédio foi demolido para a construção de uma nova paróquia. No dia 12 de junho de 1968 foi realizada a última missa na Igreja antiga. No dia 13 de junho do mesmo ano, data da festa de Santo Antônio, foi celebrada a primeira missa na nova igreja.

Além das histórias de construção e celebração, a Paróquia Santo Antônio também foi palco de diversos fatos importantes na vida de bauruenses. A professora aposentada Hilda Manhon de Albuquerque, 71 anos, hoje viúva, se recorda perfeitamente do dia em que se casou na primeira igreja Santo Antônio. “A estrutura era bem mais simples do que é hoje, mas era linda. Foi lá que realizei meu maior sonho e consolidei um casamento que durou quase 40 anos”, diz.

O casal José Augusto Tavares, 94 anos, e Brasília Franco Tavares, 86 anos, casou-se há pouco mais de quatro anos na Paróquia Santo Antônio e garante que o padroeiro abençoou a relação. “Casamos num casório comunitário. Foi maravilhoso. Já morávamos juntos há algum tempo, mas queríamos consolidar a relação com a benção de Santo Antônio. Está dando tudo certo”, garante Brasília.