08 de julho de 2026
Geral

Ano novo oriental

Solange Monteiro
| Tempo de leitura: 4 min

Japoneses comemoram o ano novo com moti

Japoneses comemoram Ano Novo com moti

Texto: Solange Monteiro

A colônia japonesa de Bauru, seguindo a tradição japonesa, comemora a chegada do Ano Novo com moti, um bolinho de arroz que deve ser comido com zooni (sopa tipicamente japonesa) na primeira refeição do dia 1 de janeiro em família. Na cultura japonesa acredita-se que o moti traz muita sorte e saúde no ano que se inicia.

O moti começa a ser preparado no dia 29 de dezembro e segue durante toda a madrugada. No dia 30 o bolinho de arroz é entregue para as pessoas que fizeram a encomenda. Em Bauru, cerca de 50 pessoas, com idade entre 60 e 80 anos, participaram do preparo do moti, no Templo Budista, na Vila Independência.

Mostrando que têm muita organização, homens e mulheres nisseis - a segunda geração dos japoneses

-, fizeram 600 quilos de moti durante uma madrugada. Toda a renda

é revertida para o Templo Budista. Segundo Yassuko Matsumoto, 65 anos, há pessoas, inclusive ela, que fazem o moti há 35 anos e continuam fazendo, apesar de reconhecerem que o trabalho

é cansativo.

Encontro de gerações

Apesar da maioria dos participantes ter idade acima de 60 anos, o casal Edson Eizi Nakao, 34 anos, e Susana Harumi Yano Nakao, 31 anos, faz parte do grupo do moti há três anos. A mãe de Susana também participava do preparo, mas agora está no Japão. Fumiko Yano, 79 anos, avó de Susana, faz o moti há 35 anos e tem uma disposição que muitos gostariam de possuir.

Aliás, disposição é o que não falta para os 50 preparadores de moti, que parecem se divertir enquanto preparam o bolinho de arroz. Ainda que Marisa Sassaki diga que o preparo do moti seja uma obrigação, pois seus pais faziam e seus avós também.

Tradição é fato porque o moti chegou ao Brasil com o primeiro imigrante japonês, há 90 anos. Embora no começo tudo fosse mais difícil porque era preciso socar o arroz em um pilão, usando muita força física, o trabalho continua cansativo, mas parece que dá muito prazer a quem o faz ou pelo menos de integrar o grupo que passa a madrugada conversando, rindo e, claro, preparando o bolinho de arroz.

Encomenda

Ao todo, neste ano, a colônia japonesa de Bauru usou seis sacos de arroz de 60 quilos para preparar 600 quilos de moti. O pacote do bolinho de arroz com um quilo (contendo entre 17 e 22 bolinhos, dependendo do tamanho), foi vendido a R$ 6,00.

As encomendas são feitas antecipadamente e cada participante possui uma cota para entregar. Por exemplo, a Fumiko tem 100 quilos encomendados no seu setor, ou seja, no bairro onde mora.

O moti é feito basicamente de arroz, mas a técnica

é o que conta, com certeza. Talvez o preparo em grupo, aliás muito harmônico, influencie para que o ano de quem come o moti seja melhor, embora Yassuko pense que não. Na sua opinião, quem come o moti não se lembra de quem o preparou.

Preparo

O arroz próprio para moti, que cresce na água, deve ser deixado de molho durante 12 horas. Depois é colocado sobre um pano que cobre a peneira a fim de que toda a água escorra. Em seguida, é colocado no pilão, hoje elétrico, até obter a consistência necessária.

Em seguida, a massa é colocada sobre uma bandeja de madeira, polvilhada com maisena. A massa ainda quente é aberta com rolo e os bolinhos são cortados com a forma própria. Em seguida, são enrolados, um a um, e levados para a mesa onde esfriam. Por fim, eles são embalados e pesados.

O Templo Budista possui três pilões elétrico, um deles importado do Japão em 1977. Os preparadores se dividem em escoar o arroz, socá-lo no pilão, abrir a massa na bandeja, cortar os bolinhos, enrolá-los, levá-los para a outra mesa onde outra equipe os embala. Feliz Ano Novo na língua do País do Sol Nascente

Além do moti, os japoneses tem outra tradição no Ano Novo: cumprimentar seus parentes e integrantes da colônia com a frase "Aquemáshite Omedetou Gosáimássu", que significa feliz entrada do Ano Novo. O cumprimento pode durar até 30 dia no Japão. No Brasil, os descendentes costumam saudar-se uns aos outros durante uma semana.

Os japoneses não costumam ter feriados como os brasileiros e, por isso, é costume no País do Sol Nascente ter férias coletivas no período do Ano Novo. Essas férias podem durar até 30 dias, dependendo da região, segundo Maria Keiko Ayakawa.

Em Bauru, ela teve quitanda durante 30 anos e no período do Ano Novo fechava o estabelecimento durante seis dias para descansar, como uma espécie de férias. O primeiro dia é reservado para as festividades e os demais para descanso.

Em Bauru, a festividade no primeiro dia do ano, chamada de Shinenkai,

é realizada no Clube Cultural Nipo-Brasileiro, após as famílias se reunirem e comerem o moti em suas casas.

Na sede do clube, os japoneses se reúnem com a família e amigos para celebrar o novo ano. A celebração começa com o Hino Nacional do Brasil e depois o hino japonês. Em seguida, a autoridade do clube faz o seu discurso e só depois é servida a refeição com pratos típicos. Essa é a cerimônia da sociedade mais importante para os nisseis.