11 de março de 2026
Geral

Denúncias contra Izzo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

ECCB grava entrega de "celular" para Izzo

ECCB grava entrega de "celular" para Izzo

Texto: Nélson Gonçalves

O prefeito Antonio Izzo Filho (PPB) aparece em uma gravação onde combina com Nerle Quaggio a entrega de "celular"

O prefeito Antonio Izzo Filho (PPB) também foi gravado em conversas mantidas com representantes da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB). A comprovação está em pelo menos uma gravação que está sendo utilizada pela empresa como uma das provas de que foi extorquida pela gestão izzista, conforme denúncia que está sendo apurada pelo Ministério Público.

Nesta primeira gravação, a sócia-proprietária da ECCB, Nerle Quaggio Bresolin, liga para o telefone celular do prefeito, é atendida pela secretária de Izzo e, em seguida, conversa com o próprio prefeito. Nerle Quaggio combina com Izzo Filho a entrega de "celular". Nerle afirma que o "celular" fazia parte dos códigos utilizados nas conversações telefônicas com os representantes do governo municipal para a entrega de dinheiro.

A fita com a gravação, entregue de forma anônima, veio depois de uma ligação telefônica para a redação, na tarde do último dia 31 de dezembro, véspera de Ano Novo. Sem se identificar, o interlocutor comentou que era alguém com trânsito na Emdurb. Sem prolongar o diálogo com a redação, o interlocutor apenas mencionou que iria aparecer a primeira "indicação de que o nosso prefeito tem estreitas relações com a ECCB" e que "este será o primeiro sinal de que ele tem muito o que explicar". Na fita, o prefeito conversa rapidamente com a sócia-proprietária da ECCB, Nerle Quaggio Bresolin.

Na conversa, Nerle Quaggio liga para o prefeito. A secretária do prefeito (Luciene) atende e reconhece a voz da representante da ECCB, depois de mencionar que Izzo Filho estava em reunião. A secretária prossegue perguntando sobre o assunto e Izzo Filho acaba atendendo Nerle Quaggio. Em código, demonstrando saber exatamente do que se tratava a conversa, o prefeito acerta a entrega de um "celular" com a representante da ECCB,

às 9 horas, em sua residência. No diálogo gravado, fica indicado que Izzo Filho estava na Prefeitura de Bauru, na sala de reunião, próximo de um final de semana, à noite.

Em seu depoimento, Nerle Quaggio Bresolin revela que conversava com os representantes do governo municipal através de códigos, entre os quais "celular", "documentos", "papel". Em uma das conversas gravadas já divulgadas, tanto Nerle quanto Carmem Quaggio, por outro lado, falam da entrega de quantias em dinheiro para representantes do governo municipal. Isso está demonstrado em pelo menos um diálogo gravado com o ex-presidente da Emdurb, André Luiz Torrens, e com o ex-diretor da ECCB, Adhemar Previdello. O último é citado pelas representantes da família Quaggio como intermediário entre a ECCB e o governo municipal, nas negociações de pagamento de extorsão.

Em depoimento à Delegacia Seccional, Carmem Quaggio confirma as informações prestadas pela mãe, Nerle Quaggio, e afirma que, no período de cerca de um ano a empresa foi extorquida em aproximadamente R$ 1,5 milhão. Boa parte do dinheiro, dizem as representantes da empresa de transporte coletivo, era entregue em dólar para os agentes municipais. A ECCB também registra em conversações que efetuou a troca de dólares em Bauru e fora daqui, no Estado, para cumprir a programação estabelecida pelos agentes municipais para o pagamento da extorsão.

Em outras conversações, as representantes da ECCB gravam as falas onde tanto o ex-presidente da Emdurb, André Luiz Torrens, como o ex-diretor da empresa, Adhemar Previdello, comentam sobre as datas e respectivos valores. Em outro diálogo já divulgado, Adhemar Previdello confirma que recebeu quantia em dinheiro para "pagar o saldo do dia 15", depois que cobra da representante da empresa a definição para o cumprimento de outros repasses.

A denúncia de extorsão contra a ECCB está sendo apurada pelo Ministério Público, através do promotor de Justiça e Cidadania, Carlos Roberto Simioni. A promotoria intimou o prefeito Izzo Filho, mas este não compareceu. Izzo respondeu, na semana passada, através de sua assessoria de imprensa, que não vai depor porque se sente perseguido e vítima do Ministério Público. A declaração do prefeito veio depois que a Procuradoria de Justiça o denunciou por formação de quadrilha com base em outro inquérito concluído pelo MP, que apurou o pagamento de propina a 14 fornecedores, como condição para a liberação de créditos junto à Prefeitura Municipal de Bauru.

Íntegra da gravação

Som do toque do telefone.

Luciene - Alô.

Nerle Quaggio - Quem fala?

Luciene - Luciene, se tá com o celular do Izzo né?

Luciene - É, eu, eu tô, ele está na sala de reuniões. Quem está falando?

Nerle - Eu volto a ligar, então.

Luciene - Por favor, se a senhora pudesse falar...

Nerle - Você não pode dar o celular pra ele não né?

Luciene - Quem está falando, é a dona Nerle?

Nerle - É.

Luciene - Um momentinho, deixa eu ver se eu posso interromper a reunião.

Izzo - Pronto.

Nerle - Boa noite?

Izzo - Boa noite.

Nerle - Eu, eu quero o celular pra você e eu, eu vou mandar o meu irmão entregar, que horas mais ou menos na sua casa?

Izzo - Ah, acho que, nove horas?

Nerle - Nove horas?

Izzo - É.

Nerle - Tá bem.

Izzo - Tá bom?

Nerle - Certo.

Izzo - Então falou.

Nerle - Tá, uma boa noite, bom fim de semana.

Izzo - Boa noite.

Nerle - Até logo.