09 de julho de 2026
Geral

TV por assinatura

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Setor de TV paga quer retomar crescimento a partir de 99

Setor de TV paga quer retomar crescimento a partir de 99

Texto: Rose Araujo

Depois de dois anos de estagnação, em que o movimento de negócios caiu 50%, o setor de TV paga pretende recuperar o fôlego e o percentual perdido no próximo ano. Com o início das atividades de cerca de 10 novas empresas no setor, a idéia é de retomar o mercado e aumentar o faturamento, mesmo tendo que enfrentar um ano de recessão, como os analistas estão prevendo para 99. A informação

é do presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Fornecedores de Redes Multiserviços em Telecomunicações

(Abraforte), Foad Shaikhzadeh, 42 anos.

Ele explicou que as TV's a cabo foram as que mais sofreram nos dois últimos anos. Isso porque, além de ter que correr atrás de clientes, elas tiveram que promover investimentos na estrutura, que inclui as redes de cabo. Quanto às que funcionam através do sistema MMDS e por satélite, o problema ficou mais restrito à conquista de público, segundo Shaikhzadeh. "A parte de satélite foi a que menos sofreu, porque não precisa construir rede, tem o investimento já feito, então depende apenas da influência do consumidor. Agora, para o segmento via rádio, que é o MMDS, ou via cabo, o investimento físico é bem maior, porque é feito cidade por cidade. Este teve uma paralisia grande esse ano, e a gente espera que essa situação seja revertida em 99", disse.

Ele lembrou que foram disponibilizadas 144 localidades para concessão de TV paga este ano. Para cobrir todos esses pontos, foram escolhidas, através de licitação, de 10 a 20 empresas de pequeno e médio portes, grande parte delas de capital misto, ou seja, formado por investidores nacionais e estrangeiros, conforme explicou Shaikhzadeh. "A legislação brasileira não permite que investidores estrangeiros sozinhos tomem conta do setor. É preciso de parceiros brasileiros", disse. Para ele, isso dificulta o mercado, pois os investidores hesitam na hora de aplicar dinheiro juntamente com empresas brasileiras.

De acordo com o presidente da Abraforte, Lourenço Coelho, as novas concessões já reverteram cerca de R$ 61 milhões para o governo e devem significar a geração de cerca de 30 mil empregos diretos e 150 mil indiretos a partir do próximo ano.

Internet

A Abraforte, quando foi criada, estava relacionada apenas à TV por assinatura. No entanto, como o mercado de telecomunicações cresceu, a associação decidiu abranger um setor maior, incluindo as redes de multiserviços, como Internet e rede de satélites. Atualmente, a entidade possui 150 empresas associadas. Essa mudança ocorreu esse ano, graças

à convergência de serviços de telecomunicações.

"Antigamente, a gente tinha rede só para TV a cabo, só para telefonia ou só para dados. Hoje, essas coisas funcionam simultaneamente. Inclusive, o proprietário da rede pode ser um e o prestador de serviço pode ser outro", disse.

Shaikhzadeh explicou que o País, no setor de telecomunicações, passou por uma situação diferente esse ano. Com a privatização do setor, a venda da Telebrás e de suas subsidiárias, o mercado entrou num processo de desregulamentação, o que gera competição num primeiro momento. "É um ambiente totalmente novo para o brasileiro. A médio prazo, várias empresas vão poder competir, oferecendo serviços e preços diferenciados", salientou.

Ele acredita que o consumidor será o grande beneficiado com isso, pois poderá optar pela qualidade e valor que melhor lhe convier.

Prêmio

A Abraforte irá entregar, no próximo dia 10, o prêmio

"Profissionais de Destaque", relativo ao setor de telecomunicações. O evento será no Rosa Rosarum, em São Paulo, e deverá contar com a presença do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, eleito personalidade do ano.

Serão premiados os cinco profissionais do setor que foram selecionados pela Trevisan como destaques de suas respectivas

áreas: Moysés Pluciennik, diretor geral da Globo Cabo; Ronald Dauscha, diretor de vendas da Siemens, Daniel Hourquescos, presidente da Impsat; Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat e Eldad Eitelberg, presidente da Linksat.

Renato Guerreiro receberá o prêmio de personalidade do ano por ter dado continuidade ao projeto iniciado pelo ministro das Comunicações Sérgio Motta, falecido em abril deste ano.