07 de julho de 2026
Geral

Informatização

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Informatização da Santa Casa de Jaú custará R$ 100 mil

Informatização da Santa Casa de Jaú custará R$ 100 mil

A Santa Casa de Jaú que busca adotar padrões internacionais no atendimento a casos de politraumatismo e acidentes cardiovasculares vai investir R$ 100 mil em informática

Jaú

- A Santa Casa de Jaú concluiu a licitação para a compra de equipamentos de informática pelo convênio com o ReforSus. No total, quatro das nove empresas participantes vão fornecer cerca de R$ 100 mil em equipamentos para a integração dos setores do hospital em rede. O ReforSus

é um convênio com financiamento do Banco Mundial, através do Ministério da Saúde, cujo objetivo

é melhorar a qualidade do atendimento em hospitais brasileiros.

No edital, o material foi dividido em lotes. A Planus venceu a licitação dos lotes 01 e 03, e vai fornecer o servidor da rede e as impressoras. No primeiro caso, o modelo é um Proliant 1600, da Compaq, com processador Pentium II de 400 Mhz, equipado com duplo winchester de 9.3 gigabytes, 128 MbRAM e capacidade de duplo processamento. O computador já vem equipamento com o software Novell 5.0, que permite a interligação de 50 usuários à rede. O lote 03 é constituído de 25 impressoras, divididas em modelos a jato de tinta e matriciais.

O lote 02 ficou com a Reward, uma subsidiária da Isatec, e prevê a instalação de 35 estações de trabalho e um no-break para cada. Todos os micros são modelo Pentium. O lote 04 foi vencido por uma empresa jauense, a On Line, que vai fornecer equipamentos de CDRW e scanner de mesa.

A empresa Texel Informática foi a ganhadora do lote 05. Ela vai fornecer à Santa Casa de Jaú cinco hubs e um switch. Este equipamento é utilizado para gerenciar automaticamente o tráfego de informações na rede, segundo a solicitação de cada usuário.

Segundo o chefe do Departamento de Sistemas e Informática, José Enrique dos Reis, a previsão

é de que o equipamento seja entregue no final de janeiro. Ele informou também que o próximo passo é abrir a licitação para a instalação física da rede, na qual novas empresas serão convidadas.

Obra

A Santa Casa de Jaú também definiu a construção da nova lavanderia do hospital e serviços de reforma e acabamento no Lactário (Banco de Leite) e Centro Materno-Infantil.

A empresa vencedora da concorrência foi a Urbe, de Jaú, com um preço de R$ 276 mil e prazo de 300 dias para entrega da obra. O início dos serviços nos três setores previstos no edital deve acontecer em fevereiro.

Os investimentos também fazem parte do convênio com o ReforSus, que tem entre saus metas implantar melhorias no setor de atendimento a gestantes e recém nascidos.

Segundo a coordenadora adminitrativa da Santa Casa de Jaú, Maria Sueli Andreoli de Oliveira, "esses investimentos serão somados ao que já é realizado no hospital para melhorar o atendimento materno-infantil". Como exemplos, ela citou a criação do sistema de alojamento conjunto - onde mãe e bebê permanecem juntos no quarto desde o nascimento até o momento da alta

- e as campanhas para incentivar o aleitamento materno.

O provedor da Irmandade de Misericórdia do Jahu, Sylvio Netto de Almeida Prado, afirmou que o ReforSus vai garantir "um crescimento fundamental para a Santa Casa, cuja posição no atendimento regional é uma realidade inegável".

Busca pelo padrão internacional em atendimento de emergência

A Santa Casa de Jaú se prepara para adotar padrões internacionais no atendimento a casos de politraumatismo e acidentes cardiovasculares, além de montar um centro de referência materno-infantil. A iniciativa deve-se ao resultado da associação ao ReforSus, um projeto com financiamento do Banco Mundial para capacitação técnica e profissional em hospitais.

A lista de equipamentos que a Santa Casa já anunciou que vai adquirir através do ReforSus

é composta por 177 itens. Entre eles estão aparelhos como ventiladores utilizados em anestesia, com um custo de R$ 100 mil por unidade, monitores cardíacos multiparamétricos

(R$ 10 mil), berços com fonte radiante para bebês prematuros, incubadoras marcapassos e até mesmo itens básicos, como mesas para exames e carrinhos especiais para transporte de material hospitalar.

Do total de itens listados, 62% serão destinados à UTI Infantil e Pediatria. Outros 11% têm como endereço o Centro Obstétrico, e 25% dos equipamentos vão ser usados no atendimento a urgência e emergências, no Centro Cirúrgico e na UTI Adultos.

Rapidez e eficiência

O direcionamento de aparelhos para as urgências e emergências e para os casos cardíacos tem um motivo bem definido: o objetivo da Santa Casa de Jaú é adotar as normas chamadas, em inglês, de ATLS (Advanced Trauma Life Support, ou Suporte Avançado de Vida em Trauma) e ACLS (Advanced Cardic Life Support, ou Suporte Avançado de Vida em Cardiologia).

"Basicamente, isso significa aumentar as chances de sobreviência de quem sofre politraumatismo

- e a grande maioria dos casos é de acidentes automobilísticos

- ou um acidente vascular, como infarto e aneurisma", explica o médico anestesista Celso Módolo, responsável pela listagem dos equipamentos.

De acordo com as estatísticas, nos casos de morte por politraumatismo 50% dos pacientes morrem no local do acidente. Outros 30% vêm a óbito nas primeiras horas, quando acontece o atendimento pré-hospitalar e intra-hospitalar, e 20% podem ter complicações tardias como infecções.

"Nosso alvo principal são os 30% que conseguem sobreviver para receber o atendimento", explica o médico. Segundo Módolo, a adoção do ReforSus prevê também o treinamento de equipes médicas e de enfermagem para o atendimento a politraumatizados.

"O ATLS é uma rotina na qual o trabalho e a capacitação técnica, juntos, ajudam a reduzir as taxas de mortalidade", diz.

O aperfeiçoamento no sistema de atendimento, no entanto, reflete também numa redução das mortes por complicações tardias. O motivo é que, com melhores condições de assistência hospitalar, há uma diminuição de problemas através de um ganho na recuperação do paciente, o que fortalece as condições gerais do organismo e aumenta a capacidade de imunização a infecções, por exemplo.

Coração

No caso da ACLS, que prevê o aperfeiçoamento das rotinas relacionadas a problemas cardíacos, a meta

é minimizar os riscos de óbito após um acidente cardiovascular. Estudos mostram que o atendimento adequado no primeiro minuto após um ataque cardíaco, por exemplo, garante cerca de 90% de chances do paciente sobreviver.

"A cada minuto, as chances diminuem de 7% a 10", explica o médico Celso Módolo. O conceito da rotina nos casos cardíacos é semelhante ao utilizado em politraumatismos: capacitar equipes no hospital e melhorar o nível técnico dos equipamentos à disposição do paciente.

O ACLS, no entanto, pode ser desdobrado para ações que envolvem outros setores da comunidade.

"A Santa Casa faz o atendimento hospitalar. Mas nós podemos montar treinamento, por exemplo, para equipes de saúde externas que normalmente fazem um primeiro atendimento. Esse momento

é fundamental para a sobrevivência do paciente", afirma o médico.

Criança

No caso do atendimento materno infantil, o ReforSus vai privilegiar a compra de equipamentos destinados

à UTI Infantil, Pediatria e Cetro Obstétrico. Com um trabalho integrado, estes setores passarão a integrar um Centro de Atendimento Materno Infantil.

"Nós já temos um treinamento constante de pessoal. Agora, vamos melhorar em quantidade e qualidade nossos aparelhos", afirma o pediatra Luís Gonzaga Gerlin, especialista em Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica.

Com sete leitos atendendo principalmente através do SUS, a UTI Infantil da Santa Casa de Jaú

é a única na região, e representa a chance de sobrevivência de crianças e recém-nascidos com graves problemas de saúde.

Entre os 62% de equipamento do ReforSus que serão destinados a esses setores, estão detectores de batimento cardíaco fetal, tendas de oxigênio e aparelhos de glicemia.

Trabalho

A inclusão da Santa Casa de Jaú no ReforSus exige do hospital uma contrapartida de aproximadamente R$ 500 mil sobre o financiamento da compra de equipamentos.

Para isso, a Santa Casa vem planejando e executando campanhas junto à comunidade para obter ajuda na obtenção desses recursos. "A Santa Casa de Jaú tem como razão de sua existência a comunidade. É a ela que nós servimos, e essa mesma comunidade é que pode nos ajudar agora. Com certeza, vamos conseguir equipar o hospital e atender ainda melhor nossos pacientes", acredita o provedor da Irmandade de Misericórdia do Jahu, Sylvio Neto de A. Prado.