07 de julho de 2026
Geral

SUS

Renata Raposo
| Tempo de leitura: 4 min

Médicos recusam cirurgias eletivas pelo SUS

Médicos recusam cirurgias eletivas pelo SUS

Texto: Renata Raposo

A baixa remuneração para a realização de cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde

(SUS), tanto para os médicos quanto para os hospitais,

é a principal causa para a não realização dessas cirurgias. Muitos médicos não têm interesse em fazer essas cirurgias e os pacientes ficam na espera durante muito tempo, a menos que seja uma urgência.

De acordo com o superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Reinaldo Rocha, "não há interesse tanto dos médicos quanto do hospital na realização das cirurgias eletivas, tendo em vista a baixa remuneração do SUS, que não para os custos tanto para o hospital quanto a remuneração aviltante do médico".

As cirurgias eletivas seriam as de amigdalite, hérnias, varizes, entre outras, "que não têm resolutividade".

O Hospital de Base de Bauru (HB) realiza cerca de 1.616 internações pelo SUS por mês. Dessas internações, mil se enquadram em urgência e 616 em eletivas. "O hospital faz as eletivas, mas não em quantidade suficiente para que consiga atender a demanda", conta Rocha.

Segundo informações do superintendente, uma cirurgia que custaria cerca de R$ 60,00 no mínimo para o médico,

é paga pelo SUS o preço de R$ 30,00, praticamente a metade do valor.

Por outro lado, os médicos não são obrigados a realizar essas cirurgias eletivas, ao contrário dos casos de urgência.

O HB realiza cerca de 800 cirurgias por mês pelo SUS. De acordo com Rocha, 70% delas são emergências e apenas 30% se enquadram na categoria eletiva. "Pela remuneração, o hospital até que faz muito", afirma Rocha. Segundo o superintendente, o HB realiza mais internações que os outros hospitais da região, inclusive os universitários.

As desvantagens e prejuízos são muitos se compara o valor pago pelo SUS para o atendimento. A AHB é que arca com as despesas e tenta fazer as negociações.

Em sete internações infantis realizadas no último mês de junho, com casos de broncopneumonia, entero infecção e desidratação, o SUS pagou um total de R$ 705,20, mas o custo total custou para o hospital R$ 2.632,85, restando R$ 1.927,65 para a AHB arcar com a despesa.

Rocha afirma que se o sistema de saúde fosse pensado apenas empresarialmente, muitas alas que geram prejuízos deveriam ser fechadas, mas isso jamais poderia ser feito, pois os pacientes precisam ser atendidos.

Projeto pode dobrar remuneração via SUS

Reinaldo Rocha conta que existe um projeto da Secretaria Estadual da Saúde que permite o pagamento do dobro do valor pago hoje, para a realização das cirurgias eletivas. Entretanto, a resposta para a aplicação desse projeto ainda não foi aprovada.

"Se fosse implantado, com certeza teria grande aceitação por parte do corpo clínico e do hospital", afirma Rocha.

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) está só aguardando a aprovação desse projeto, quando o número de cirurgias eletivas com certeza aumentaria, atendendo com maior freqüência a população.

Rocha ainda aponta que a entidade não gera fila, que está dispersa nas unidades de atendimento e que a AHB gera até internações eletivas em bucomaxilo, cirurgia plástica e otorrino.

O aumento das internação até que não teria problema de cotas, segundo comenta Rocha, já que o número de Autorização de Internação Hospitalar (AIH) é superior ao utilizado.

Como o hospital é referência regional, possui 1.915 AIH e são utilizadas cerca de 1.618, que seriam as eletivas.

Os setores que geram lucros para o hospital são os serviços de diagnóstico, como laboratoriais, raio-x, tomografia, banco de sangue, quimioterapia, radioterapia, entre outros.

Quanto à realização de exames, a demora se dá pelo número estipulado de cotas do SUS e pela demora na autorização do exame, realizada também pelo SUS. Os exames de ultra-som, tomografia e fisioterapia são exemplos de exames mais procurados e que mais demoram para que o paciente consiga faze-los.

Essa demora, segundo Rocha, prejudica muitas vezes o estado do paciente e o que não era urgência pode se tornar.

A AHB fez um pedido de aumento de cota em 150 procedimentos, que podem ser realizadas tranqüilamente pela equipe do hospital, mas ainda não há resposta da Secretaria Estadual da Saúde.

O último pedido de aumento de cota, feito em outubro passado, foi atendido em 20% e esse pedidos que costumavam ser anuais, passaram a ser feitos semestralmente.