08 de julho de 2026
Geral

Assalto a banco

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 10 min

Assaltantes de banco são presos após perseguição em Bauru

Assaltantes do Banespa de P. Alves são presos após perseguição em Bauru

Texto: Fábio Grellet

Três assaltantes que roubaram a agência do Banespa em Presidente Alves, no início da tarde de ontem, foram presos logo depois, quando fugiam pela rodovia Marechal Rondon. Ao trafegar pelas proximidades de Bauru, os bandidos foram identificados, perseguidos e presos após intensa troca de tiros, por volta das 14h30.

Os criminosos planejaram o assalto em Bauru, onde a ação teve início, quando um dos assaltantes roubou de um taxista o veículo a ser usado para o assalto. A vítima foi mantida, durante toda a ação criminosa, no porta-malas do carro.

Todos os assaltantes já tinham passagem pela polícia e estiveram internados no Instituto Penal Agrícola (IPA), em Bauru. São eles: Sílvio dos Santos Souza, 30 anos, que morava em Santo André e fugiu do IPA em outubro; Joaquim Neto Ferreira, 36 anos, que deixou o IPA mediante concessão de liberdade condicional, e José Carlos Pereira, 39 anos, que mora em São Paulo e deixou o IPA para passar as festas de final-de-ano com a família.

Foi José Carlos que iniciou a ação, abordando o taxista José Wilson Moreira no terminal rodoviário de Bauru e solicitando a ele que o levasse até a rua Nélson Bonachela, no parque Alto Alegre. Os demais assaltantes entraram no carro nas proximidades dessa rua, quando o taxista já havia sido rendido.

Os criminosos foram presos quando voltavam de Presidente Alves, após realizar o assalto.

Taxista acompanhou a ação preso no porta-malas

Texto: Fábio Grellet/Marcos Zibordi

Segundo José Wilson Moreira, 42 anos, motorista de táxi que tem ponto no Terminal Rodoviário de Bauru, ele foi abordado, por volta das 5h45 de ontem, por um indivíduo, depois identificado como José Carlos Pereira, que pediu para levá-lo até a rua Nelson Bonachela, 3-155. Embora o número pedido tenha despertado suspeitas no motorista, por ser muito alto, Moreira iniciou a corrida, conduzindo o Vectra branco, placas BUS-3932, de Bauru.

A corrida transcorria em meio à chuva e, reclamando dela, o suposto cliente pediu a Moreira que fechasse completamente os vidros do carro. Depois disso, Pereira desconectou seu cinto de segurança e anunciou ao taxista que se tratava de um assalto. Sob a mira do revólver, de calibre 38, que Moreira portava, o taxista seguiu por mais duas quadras da via onde estava, já perto da rua indicada, quando parou, seguindo as orientações do assaltante. Naquele instante, surgiram outros três indivíduos, encapuzados, que estavam escondidos em um matagal e também dispunham de armas.

O taxista foi rendido e colocado no porta-malas, onde permaneceu até o final da ação, por volta das 15 horas. Mesmo sem ver os assaltantes, o taxista conversava com eles, que a todo momento garantiam a Moreira que nada aconteceria com ele, se tudo saísse como haviam planejado.

O indivíduo que havia assumido a direção do carro demonstrava muita dificuldade para conduzí-lo, e por isso pedia orientações ao taxista, inclusive sobre a mudança de marchas. Pela distância percorrida, Moreira percebia que haviam saído de Bauru. Ele pôde constatar ainda que, ao menos durante a maior parte do trajeto, o carro trafegava por estradas de terra. A primeira vez em que Moreira pôde se localizar foi quando ouviu um dos assaltantes comentar que estavam próximos de Gália. Antes disso, um dos criminosos desistiu da ação e pediu para descer do carro. Foi deixado durante o transcorrer do trajeto, em local não identificado pelo taxista.

Em certo local, que Moreira imagina ser próximo à cidade de Presidente Alves, os assaltantes pararam e procuraram outros indivíduos que, provavelmente, também participariam da ação criminosa. Mas não encontraram ninguém e, por isso, dois dos três ocupantes do carro queriam desistir da ação. Um deles, porém, insistiu para que os planos fossem mantidos e, então, todos decidiram seguir até Presidente Alves.

Os criminosos avisaram o taxista que fariam um assalto, recomendando a ele que permanecesse em silêncio. Dois dos três assaltantes saíram do veículo e foram até a agência do Banespa, enquanto um terceiro se manteve na direção do carro.

Em poucos minutos, efetuaram o assalto e saíram da cidade, trafegando pela rodovia Marechal Rondon no sentido Presidente Alves-Bauru.

A certa altura, o taxista começou a ouvir o barulho de sirenes e concluiu que os assaltantes estavam sendo perseguidos. O taxista percebeu quando o Vectra sofreu uma colisão (com um veículo da CESP, no trevo do núcleo Gasparini), mas não se machucou e o carro seguiu em fuga. Quando o veículo parou, após rodopiar numa rotatória que liga a rodovia Marechal Rondon à avenida Nações Unidas, o taxista ouviu os tiros entre policiais e assaltantes.

Quando percebeu, pelo silêncio, que o tumulto já havia se encerrado, o taxista deixou o carro, após oito horas de tensão. Para tanto, ele abriu a tampa do porta-malas do Vectra por dentro do compartimento, pressionando a trava interna, e saiu.

Durante o tempo em que permaneceu sob as ordens dos assaltantes, o taxista saiu do carro duas vezes, para urinar, sempre usando sua camisa como capuz, e comeu duas das quatro mangas oferecidas pelos criminosos. Tomou, ainda, um refrigerante, também comprado pelos assaltantes durante o trajeto.

Os criminosos haviam recolhido os R$ 90 que o taxista possuía, mas todo o dinheiro foi deixado no porta-luvas do Vectra e recuperado por Moreira.

Perseguição durou cerca de meia hora

Segundo a Polícia Militar de Bauru, quando a informação sobre um assalto, praticado em Presidente Alves por criminosos que trafegavam em um Vectra branco com placa vermelha (que identifica o uso para táxi), foi divulgada através do rádio da polícia, uma viatura do Tático, que trafegava pelo parque Vista Alegre, seguiu pela rodovia Marechal Rondon no sentido Bauru-Presidente Alves. Na altura da Companhia Energética de São Paulo (CESP), situada às margens da rodovia, a viatura policial cruzou com um Vectra que apresentava as características descritas e trafegava no sentido inverso. Os policiais, então, usaram um retorno, que havia a 500 metros do local, para iniciar a perseguição aos suspeitos. Eles não atiraram temendo que houvesse alguém preso no porta-malas, como, segundo a polícia, é usual nesses casos - e ocorria também nesse assalto.

Usando o rádio da polícia, eles avisaram as demais viaturas, e uma delas postou-se nas proximidades do trevo do núcleo Gasparini. Quando chegou ao trevo, o Vectra tentou tomar o sentido da rodovia Bauru-Marília, mas foi fechado pela viatura policial. Ao tentar desviar dela, o Vectra colidiu com um carro da Cesp, perdeu o pára-choques dianteiro, mas conseguiu seguir em fuga, retornando à Marechal Rondon.

A perseguição continuou e a polícia rodoviária fez um cerco, na altura do viaduto sobre a avenida Nações Unidas. Para desviar dele, os assaltantes decidiram seguir pela alça que dá acesso à avenida Nações Unidas, mas o motorista dirigia em alta velocidade e perdeu o controle do carro, fazendo o Vectra rodopiar pela grama que circunda o acesso.

Então, os três ocupantes do veículo seguiram a pé, correndo cada um para um lado. Estavam armados e trocaram vários tiros com a polícia, mas ninguém se feriu.

A polícia rodoviária foi responsável pela prisão de um dos criminosos, os policiais militares que ocupavam a viatura do Tático prenderam o segundo e aqueles que estavam na segunda viatura da PM prenderam o terceiro.

Eles foram conduzidos ao 3.º Distrito Policial, onde seria lavrado o auto de prisão em flagrante dos assaltantes.

A perseguição, conforme os policiais, demorou aproximadamente 30 minutos. Foram recuperados R$ 2,8 mil dos cerca de R$ 4 mil roubados em Presidente Alves. Com os assaltantes também foram apreendidos três revólveres calibre 38 - um deles da marca Taurus e outros dois da marca Rossi. (FG)

Taxista encerrava jornada de 24 horas

O taxista José Wilson Moreira, 42 anos, estava completando 24 horas em serviço quando foi abordado pelo primeiro assaltante. Ele havia iniciado sua jornada às 6 horas do domingo e iria permanecer no ponto do terminal rodoviário até

às 6 horas de ontem. Por volta das 5h45, foi abordado pelo suposto cliente.

Moreira mora em Bauru e é taxista há três anos, desde que ficou desempregado. O veículo que usava, porém, não era seu: pertence, segundo afirmou, a João Luiz Véscio. O Vectra branco, modelo GLS e placas BUS-3932, de Bauru, teria sido comprado há quatro meses, mas o taxista, segundo disse, só começou a trabalhar com ele no último dia 28 de dezembro.

Desolado, o taxista afirmou que, embora tenha sido assaltado pela primeira vez desde que começou a exercer essa função, o susto de ontem já foi suficiente para fazê-lo pensar em desistir da carreira de taxista. (FG)

Gerente considera assalto amador

Texto: Marcos Zibordi

Segundo o gerente do Banespa em Presidente Alves, o assalto ocorreu por volta de 13 horas, quando duas pessoas entraram na agência e uma delas se dirigiu até sua mesa, carregando um envelope e perguntando sobre desconto de duplicata. O indivíduo era moreno claro, de estatura baixa, usava boné e tinha sotaque nordestino. "Antes mesmo de eu dar alguma resposta, ele se dirigiu a mim e disse que era um assalto, para ficar tranqüilo. Sacou um revólver e, ao mesmo tempo, o outro rendeu o guarda do banco e tomou a arma dele".

O gerente disse que a ação foi rápida, durando menos que 5 minutos. Segundo ele, algumas pessoas nem perceberam que se tratava de um assalto. Haviam poucas pessoas na agência.

"Ele pediu para que eu passasse o dinheiro. Eu disse que não tinha dinheiro, que o dinheiro que tinha estava nos caixas e mesmo assim ele se dirigiu a apenas um guichê. Nos outros 2 eles nem mexeram". O gerente disse que os ladrões levaram cerca de R$ 4 mil.

Ele informou também que desde cedo as pessoas da cidade observaram a presença de um carro estranho nas ruas, um Vectra com placas que identificam o uso por taxistas. Mas não há nenhum táxi na cidade com aquelas características, segundo o gerente. Era o carro usado no assalto.

Segundo cálculos do gerente, haviam "cerca de meia dúzia de pessoas" na agência, na hora do assalto.

Um policial estaria na esquina do banco no momento do assalto, o que agilizou o trabalho da polícia. "Isso facilitou as coisas, o trabalho da polícia foi muito rápido, quase que perfeito".

O gerente diz que nunca sofreu nenhum assalto, mas que conseguiu contornar bem a situação. Ele disse que constantemente faz cursos, ministrados pelo banco, visando esse tipo de situação. Para ele, o assalto foi praticado por ladrões "totalmente amadores. Se fossem profissionais eles fariam mais coisas, pegariam dinheiro dos outros, jóias. Mas não, foram num caixa e só". Roubo do carro

O Vectra branco utilizado para o roubo da agência do Banespa em Presidente Alves foi roubado de um taxista em Bauru, na manhã de ontem, por volta de 6 horas da manhã, no ponto de táxi da rodoviária. José Wilson Moreira, 42 anos, o taxista, conta que pegou um passageiro moreno, de blusa, com uma bolsa preta, pedindo para ser levado na rua Nelson Bonacheli (parque Alto Alegre, final da rua Alves Seabra). "Quando eu cheguei lá na rua, na quadra 2, ele falou: é um assalto, não reage. Ele tirou um revólver, tocou até a rua de cima, falou pára aqui. Saíram mais 3 do mato. Eles me renderam e jogaram no porta-mala, estou todo rebentado de ficar dentro do porta-mala".

O taxista ficou preso durante mais de 7 horas dentro do carro e só conseguiu sair dele no trevo do shopping de Bauru, quando a polícia conseguiu deter o carro e ??? assaltantes.

"Fiquei dentro do porta-mala, ele não parava. Eles iam encontrar com mais gente em Presidente Alves. Andou para estrada, pela cidade, andou por tudo".

Segundo o taxista, logo que o carro chegou ao local onde o motorista foi rendido, um dos assaltantes, o que fretou o serviço, teria ficado no local. Os outros 3 que saíram do mato estariam emcapuzados.