O Amor na Era da Informática
O Amor na Era da Informática
Quem já não foi tomado por uma paixão avassaladora, daquelas que tiram o sono de muita gente?
Durante décadas, os apaixonados do nosso século experimentaram as mais variadas e difíceis técnicas, a fim de viver uma grande paixão.
Entretanto, as técnicas até pouco tempo atrás praticadas, todas primitivas, faziam os apaixonados sobressaltarem-se na difícil arte de amar, tendo como único instrumento de convencimento o seu coração. E só!
Durante décadas ouvimos as histórias de nossos avôs e pais sobre as conquistas e as dificuldades sobre suas paixões. Daí suas dificuldades em entender os tempos de Internet.
Plugados no mundo, os internautas podem "paquerar" com dezenas de outros ciber-colegas, e da mesma forma, intitularem-se
"namorados". E não faltam adeptos.
No Brasil real, ao adentrarmos sites como o do Mandic (www.mandic.com.br), do UOL (www.uol.com.br) ou o do ZAZ (www.zaz.com.br), percebemos a infinita quantidade de papos que rolam nas salas destinadas ao mundo do amor.
Observando-os rotineiramente, percebemos que os internautas buscam, desenfreadamente, cúmplices para uma louca paixão, buscando levá-las até suas últimas consequências. Recentemente, esses amores cibernéticos andaram estampando páginas dos jornais e noticiários de televisão.
Não pela paixão que produziram, mas sim pelas "ciladas cibernéticas" em que acabaram se envolvendo aqueles mais encantados com essa
tamanha facilidade do mundo imaginário.
A nós, cabe sabermos "separar o joio do trigo".
A Internet tem se demonstrado, ao longo dos últimos anos, uma ferramenta indispensável à integração mundial dos povos. Suas características, entretanto, devem ser as mesmas do mundo real, quais sejam, a honestidade, o caráter e principalmente o sigilo de cada ato que praticamos.
Se assim o é na vida real, porque na rede haveria de ser diferente?
Muito pelo contrário! Nela, não vemos cara, e sequer coração!
Dessa forma, os critérios para um "amor imaginário" se tornar "real" são ainda maiores.
Não cabe aos amantes do próximo século acreditar nesse mundo tão próximo, na prática, e tão distante, na teoria. Sim, porque os amantes reais ainda vivem, e precisam dos olhos para saber o que querem. E eles são mágicos. Em um único segundo exprimem muito mais do que duas longas horas de "Chat". E ainda têm uma vantagem: são reais!
É bem verdade que aquele amor transcedental destina-se a conquistar seu principal público: os tímidos. Capazes de praticar verdadeiros atos amorosos, os encabulados amorosos do mundo real transmutam-se com esse "amor catódico", seja ele feito por pulsos ou tons telefônicos. E eles, pouco a pouco, arrebatam seus seguidores. Esses são capazes de escancarar-se, realizar verdadeiras odisséias com um teclado, praticar impulsos nunca dantes pensados. Mas perdem-se na plenitude do sentimento. Basta a conexão cair.
Recentemente, um estudo feito com os usuários norte-americanos da rede, apresentado pela America On Line (www.aol.com), revelou que mais da metade (62 %) daqueles que diariamente acessam a Internet a procuram para, de uma forma ou de outra, achar "amor" ou "prazer".
No Brasil, dados assim ainda não foram revelados, mas não devem ser tão distantes.
Diante da grande galera que busca "bate-papos" diariamente nas salas brasileiras, começamos a assistir tais mudanças, que, inevitavelmente, acabam refletindo no comportamento social desses adolescentes cibernautas.
Entretanto, perdem-se os significados nada tecnológicos acerca das paixões, das conquistas, e sobretudo dos amores.
O valor de cada um deles perde-se no tempo, tal qual a desconexão feita a cada dia navegado.
E no entanto, no amor real que vivemos a cada novo dia, somente aos nossos olhos cabe dizer e viver cada paixão. Mesmo que ela seja imaginária.
E ainda há quem não acredite nisso!
Erick Prado Arruda, 30 anos, advogado, analista de sistemas, diretor do Conselho de Ética do SINDPD/SP