08 de julho de 2026
Geral

Maus tratos

Renata Raposo
| Tempo de leitura: 4 min

Crami registra menos casos de maus tratos em 98

Crami registra menos casos de maus-tratos em 98

Texto: Renata Raposo

O Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus-Tratos

à Infância (Crami) registrou em 1998 uma redução de 13,8% do número de casos de maus-tratos à criança, em relação ao ano anterior (1997), que teve um total de 418 casos registrados. No ano passado, o Crami recebeu 360 indicações de maus-tratos físicos, psicológicos, negligência, abandono e abuso sexual.

Os maus-tratos físicos lideram o número de casos registrados, segundo informou a assistente social Márcia Regina Ricordi. Em 1998 foram 112 casos, número ainda menor que no ano anterior, quando foram registrados 232 casos de maus-tratos físicos.

De acordo com a assistente social, a crise financeira e o desemprego são alguns dos fatores que levam os pais ao consumo de drogas e de bebidas alcoólicas, o que libera a agressividade que atinge sobretudo as crianças.

As brigas conjugais também são resultado dessa situação geral da crise e de entrega aos vícios, segundo Márcia, o que também reflete no relacionamento com as crianças.

Os casos de negligência, que ocorrem quando os pais não atendem as necessidades básicas das crianças, como oferecer escola, higiene, alimentação e atendimento médico, entre outros, também reduziram em relação a 1997. Dos 188 casos registrados no outro ano, em 1998 somaram 104, número ainda muito alto.

Os maus-tratos psicológicos tiveram uma redução de 94 casos em relação a 1997. No primeiro ano, foram registrados 117 casos e em 1998, apenas 23.

Márcia explica que esses tipos de maus-tratos se caracterizam por ofensas verbais, xingamentos, ameaças e comportamentos não indicados para a orientação das crianças.

Casos de abandono são 26 em 1998 e 54 em 1997, mostrando também uma redução.

O único tipo de maus-tratos que manteve seu número em 1997 e 1998 foi o de abuso sexual, com 13 e 12 casos respectivamente.

Márcia comenta que o número de casos de abuso sexual ainda é muito elevado, já que em muitos anos foram registrados pelo menos a metade desses casos.

A redução para o número de casos de maus-tratos

à criança, segundo Márcia, se deve ao trabalho que o Crami vem realizando junto às escolas, instituições e outros estabelecimentos, onde leva informações sobre o assunto e divulga o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Levar a informação aos pais e orientadores, segundo Márcia, os torna mais alerta para o problema e mais cuidadosos. Neste ano, ela afirma que os trabalhos continuação sendo realizados nesse sentido, buscando ainda uma maior redução.

De acordo com Márcia, muitos casos não chegam ao conhecimento do Crami porque as pessoas têm medo de denunciar os maus-tratos, duvidando ou desconhecendo a garantida de sigilo.

Em 1998, foram registrados 79 denúncias anônimas, 113 realizadas por pessoas da comunidade (vizinhos, conhecidos, etc), 110 por familiares e 66 por instituições (escolas, creches, atendentes da saúde).

As expectativas de Márcia para este ano não são muito otimistas. "A crise brasileira é preocupante", afirma a assistente social, e acredita que a situação pode gerar um aumento dos maus-tratos. "Espero que diminua, mas a situação é preocupante", afirma.

Crami passa por dificuldades

A crise não atinge somente os desempregados e as pessoas mais carentes, mas também o próprio Crami, que passa por dificuldades financeiras e corre o risco de fechar, segundo Márcia.

O trabalho que já vem sido realizado em escolas e outras instituições continuará sendo realizado, segundo Márcia, mas a situação não está boa.

O Crami tem um gasto mensal de R$ 5 mil, que são conseguidos em campanhas de arrecadação, em doações voluntárias, contribuição da Prefeitura e a Instituição Toledo de Ensino (ITE).

De acordo com Márcia, a ITE arca com 50% das despesas do Crami, além de ceder o espaço físico para funcionar. A contribuição da Prefeitura, segundo ela, está atrasada em quatro meses e só contribui com R$ 600,00 por mês. "Corremos o risco de estar fechando as portas", comenta.

Em novembro, o Crami teve que vender uma viatura e demitir um de seus funcionários para pagar parte da dívida que estava acumulada. Mesmo assim, o déficit é ainda de R$ 6 mil, "que continua acumulando mês a mês".

Serviço

O telefone do Crami, para denúncia de maus-tratos ou mais informações é o 238-300.

Maus-tratos registrados pelo Crami

1997 1998

Maus-tratos físicos 112 232

Maus-tratos psicológicos 23 117

Negligência 104 188

Abandono 26 54

Abuso sexual 12 13

Total 277 604