19 de março de 2026
Geral

Ciesp

Paulo Toledo
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Ciesp quer movimento de igualdade

Ciesp quer movimento de igualdade

Texto: Paulo Toledo

As empresa que são devedoras da União devem receber o mesmo tratamento que o Governo Federal deu aos Estados na rolagem de suas dívidas, com prazo dilatado e juros de Primeiro Mundo. A adoção desta bandeira de luta é a proposta que a diretoria regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) está enviando, hoje, para a diretoria estadual da entidade e para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Horácio Lafer Piva é presidente das duas entidades.

A decisão de enviar a proposta foi tirada de uma reunião especial da regional, realizada na manhã de ontem. Ricardo Marques Coube, 45 anos, diretor estadual do Ciesp, disse que será feito um pedido para que a Fiesp-Ciesp analise juridicamente e politicamente a propositura de que as empresas devem ter o mesmo tratamento que os Estados na renegociação das dívidas.

Ele lembra que os Estados tiveram na renegociação de suas dívidas com a União um prazo de 30 anos para pagar, a um juro de 6% ao ano. "Quem banca isso? Somos nós, os contribuintes, que estamos bancando a má administração dos Estados, o fisiologismo e corporativismo dos políticos. É a economia privada ativa, os pagadores de impostos, pessoas físicas e jurídicas, que estão bancando todo esse processo ineficiente e ineficaz, negociado entre Governo Federal e Estados, para defender interesses políticos", afirmou.

A proposta da diretoria regional do Ciesp é de que as empresa tenham suas dívidas com a União renegociadas a um prazo extremamente dilatado e com juros de 6% ao ano, que é considerada uma taxa de Primeiro Mundo. Coube disse que os Estados foram beneficiados com condições "sonhadas" pelo empresariado para poder concorrer, em igualdade de condições, com as empresas de outros países.

A diretoria regional quer que a Fiesp-Ciesp estude a proposta e se reivindique essas condições junto ao Governo Federal para as empresas do Estado de São Paulo. Coube diz que a regional está buscando fazer sua parte num processo para buscar melhorar o País e o setor produtivo.

Críticas

Coube critica a postura do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que adotou um jogo de barganhas na formação do seu novo ministério, que visou somente a garantia de votos no Congresso, deixando o quesito da competência dos ministros em segundo plano. Ele ainda reclama do fato dos deputados terem exigido cerca de R$ 16 mil pela convocação extraordinária de apenas 20 dias para votar as reformas. "É deprimente essa postura dos políticos profissionais deste País, que só sabem ver seu fisiologismo, seus interesses próprios e dos grupos que defendem, em detrimento a uma sociedade que está extremamente esmagada por esse processo de política monetária, pressão tributária, queda de mercado, concorrência internacional e, assim por diante", afirmou.

Para Coube, os políticos ficam em Brasília ignorando a realidade de emprego, desemprego da população e da sobrevivência das empresas, numa atitude absurda.