Pesquisa do Sebrae mostra que 98 foi um ano ruim para empresas
Pesquisa do Sebrae mostra que 98 foi ruim para as empresas
Uma sondagem realizada pelo Departamento de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, junto a 399 micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas, dos setores industrial, comercial e de serviços, mostrou que 1998 foi ruim para as empresas, reafirmando o que foi encontrado na pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e publicado no caderno de Economia do Jornal da Cidade do último domingo.
A manutenção da taxa de juros em patamares elevados durante 98 afetou drasticamente o desempenho das pequenas empresas paulistas: 57% registraram queda no faturamento, 66% afirmaram que a concorrência aumentou e quase 40%
reduziram o número de empregados, com relação ao ano anterior, verificou a sondagem, realizada entre 7 e 18 de dezembro, para obter uma avaliação do desempenho das MPEs em 98 e levantar as expectativas e planos para o primeiro semestre de 99. .
De acordo com a pesquisa, 24% das empresas entrevistadas apontaram como a principal dificuldade de 98 a elevada carga tributária, seguida da elevada taxa de juros (22%), situação econômica do país (21%), inadimplência dos clientes (20%), falta de capital (14%), entre outras.
Esse cenário afetou o desempenho nas vendas, no faturamento e na geração de empregos dessas empresas. Cerca de 57% disseram que as vendas em 98 foram inferiores às de 97, 28% afirmaram que ficou igual e 15% registraram aumento em relação a 97.
O quadro se repete nos níveis de emprego e salário, porém observa-se que a queda nos postos de trabalho não teve a mesma proporção da queda das vendas, uma vez que 53% das MPEs entrevistadas indicaram estabilidade em 98, 39% registraram queda e apenas 8% afirmaram que aumentou o nível de emprego.
Com relação aos salários, 80% das empresas mantiveram os mesmos patamares de 97, 11% indicaram aumento no salário real pago aos funcionários e apenas 9% das empresas registraram queda no valor médio dos salários reais.
Expectativas
Os primeiros 180 dias de 99 não vão ser fáceis. Os rumos da conjuntura econômica refletiram nas expectativas dos empresários das micro e pequenas empresas: 65% esperam retração na atividade econômica, 27% acreditam que o nível de atividade se mantém e 8% projetam aumento da atividade no primeiro semestre de 99. Seguindo esta tendência, 70% dos entrevistados acreditam que o nível médio de emprego também deverá cair neste período.
Com relação às taxas de juros não há um consenso: 34% esperam um aumento, 30% acreditam na manutenção dos níveis atuais e 36% dizem que haverá queda.
Mesmo com as expectativas desfavoráveis com relação
à economia no primeiro semestre de 99, os empresários das MPEs não estão tão pessimistas com relação
à evolução de seus próprios negócios: 47% acreditam que o nível de atividade será mantido estável, 24% projetam aumento dos negócios e 29% esperam redução.
Os micro e pequenos empresários paulistas também estão bastante cautelosos com relação ao seus planos de investimento: 67% das empresas entrevistadas não pretendem realizar nenhum tipo de investimento.
O consultor do Sebrae-SP, Ari Rosolen, acredita que chegou a hora dos empresários planejar melhor seu negócio, cortar todas as gorduras que ainda restam, analisar detalhadamente os custos, trabalhar com capital próprio, evitando recorrer a empréstimos bancários, provisionar o mínimo de estoque, mantendo a produção ativa e constante e usar a criatividade para descobrir novos nichos de mercado.
"O empresário deve ainda concentrar esforços nas vendas, oferecendo produtos com qualidade e assistência técnica eficiente. E mais, é fundamental analisar todo crédito concedido aos clientes", analisa Ari.
Dos 33% que planejam investir, 45% pretendem ampliar ou melhorar suas instalações, 26% planejam adquirir máquinas e equipamentos, 20% pensam em adquirir bens de informática e 16% pretendem investir na formação de capital de giro.
Para os que pretender investir, Ari alerta: "analise bem todos os riscos antes de fazer qualquer tipo de investimento, observando as tendências do mercado."