07 de julho de 2026
Geral

Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

Pescaria noturna: opção para o pescador

Pescaria noturna: opção para o pescador

Texto: Roberta Mathias

Pescar à noite sempre atraiu o pescador. Mesmo com os perigos que a escuridão oferece à beira do rio, eles encaram a umidade, o frio e, às vezes, o medo à procura de outras espécies de hábitos noturnos. Em rios e lagos, a emoção toma conta do pescador à espera de uma fisgada, que sempre vem acompanhada de muita briga.

A noite sempre tem seus mistérios e carrega com ela uma sensação difícil de explicar, mas muito fascinante.

É uma vontade de enfrentar o desconhecido, uma forma do homem superar seus adversários diurnos. O que não pode ser visto claramente sempre atraiu as pessoas, mesmo com uma pitada de medo. E isso acontece também na pesca.

Pensando nos pescadores "noturnos", o pesqueiro Pexe-Loko está abrindo suas portas às terças e quintas, das 18 horas até a meia-noite para os aventureiros. A procura, segundo o casal proprietário Luiz Antônio Sandri e Maria Elisabethe Artioli Sandri, está sendo muito boa.

"Às seis horas da tarde o pessoal começa a chegar, a preparar a tralha de pesca e se acomodar para a noite. Mesmo nos dias de chuva, muita gente veio pescar e saiu satisfeito", comenta Bethe.

Ela explica que o tanque maior (um alqueire), preferido pelos pescadores, exige mais experiência e habilidade, porém proporciona muita emoção. É lá que a pescaria noturna acontece. "Eles pagam R$ 15,00 por pessoa para pescar à vontade e muitas vezes saem carregados." Como o tanque é muito grande, os peixes possuem um comportamento mais aproximado do seu ambiente natural, o que proporciona dias de peixe e dias de pescador.

Bethe conta que os peixes mais procurados no pesqueiro são os pintados, dourados, pacus e matrinxãs, que oferecem boa resistência à captura e muita briga. À noite, os pescadores também estão pegando muito tambacu, além de outras espécies.

A grande maioria dos pescadores "noturnos" é formada de homens que trabalham e aproveitam as horas livres à noite para uma boa pesca. Mas o pesqueiro também é muito procurado nos finais de semana por pessoas que pretendem passar o dia com a família. No Pexe-Loko é oferecido também o pesque e solte, em que o pescador paga uma taxa

única para pescar e soltar todos os peixes.

O pesqueiro completou, no mês passado, um ano de fundação e, segundo os proprietários, ainda há muitas metas a atingir. "Nossa idéia é transformar o Pexe-Loko em um clube e, pensando nisso, nós já fizemos playground, campo de futebol suíço, estamos promovendo várias festas e, em junho, já vamos finalizar a cobertura de uma

área para eventos", explica Bethe.

O pesqueiro é todo comandado pela família, pai, mãe e os filhos Alexandre Luiz, 21 anos, e Rodrigo Artioli Sandri, 18 anos, trabalham unidos e apaixonados pela pesca. Sempre que possível enfrentam pescarias em outras regiões do País e possuem uma curiosa relação com as espécies do pesqueiro. "Muitos desses peixes nós trouxemos pequenos do Pantanal e acompanhamos seu crescimento", contam. Bethe chega a ficar triste quando seus peixinhos são fisgados. Mas, como boa pescadora, respeita os colegas e até registra o troféu em fotografias, que ficam expostas no painel da lanchonete.

Com o aumento da procura por peixes pantaneiros, Sandri coloca todas as semanas novos exemplares de pintado, para que todos possam, com uma certa habilidade, fisgar um belo exemplar. Lá é possível encontrar pintados de até dez quilos, dourados de cinco quilos, carpas e pacus de até sete quilos, mas a maioria dos peixes possui um tamanho menor. Mas é preciso ter habilidade e um pouquinho de sorte!

Como funciona

No pesqueiro Pexe-Loko há um tanque de um alqueire com dourado, pintado, pacu, piauçu, tambacu, patinga, piraputanga, carpa-cabeçuda, carpa húngara, carpa espelhada, catfish, traíra, matrinxã, tilápia e lambari, onde o pescador paga R$ 15,00 o leva todos os peixes que pegar, não precisa pesar. Tem mais quatro tanques pesque e solte, em que o pescador paga seis reais para pescar e soltar. Quem quiser levar os peixes paga entre R$ 4,00 e R$ 5,00, o quilo. Na lanchonete há uma grande variedade de porções. O pesqueiro possui também um playgrond e um campo de futebol suíço.

Onde fica

O pesqueiro Pexe-Loko fica na rodovia Marechal Rondon, Km 320, em Agudos, após o trevo da Duratex. O telefone é

(014) 262-1486 ou 972-5451. O local fica aberto todos os dias, das 8 horas às 18 horas. Às terças e quintas, pesca noturna das 18 horas à meia-noite.

********** História de pescador**********

Pescar é preciso

Aconteceu a pouco tempo atrás, quando decidimos pescar, logo no começo da semana, fui convocando os meus amigos tradicionais, para a tão esperada pescaria noturna de bagres, em um rio aqui perto de Bauru.

O primeiro a ser chamado foi o Pavanato, contador de "histórias", mas ele não pôde ir, porque estava para resolver alguns problemas, justamente no sábado, e nós iríamos pescar na sexta à noite. Depois, foi o meu amigo Rogerião, não poderia ir, pois iria fazer uma prova na faculdade, fazer o quê! Chamamos nosso amigo Marccio, que não pôde ir pois tinha que ir ao circo, tanto que seu apelido a partir daquele momento foi "Orlando Orfei", que dura até agora, mas não paramos por aí. Eu digo paramos, pois o meu amigo Paulo Henrique, antes de eu convidar, já estava confirmado, ele larga tudo por uma pescaria.

Fui chamar meu tio Mário, também um topa tudo, mas o ele estava curtindo uma bela praia. Mas não tem nada não, vamos chamar o José Carneiro mais conhecido como "Zelão". Chegando lá, ele disse:

"Mas não é possível, justo hoje?"; querendo que eu adiasse a pescaria para outro dia pois estava de saída para Aparecida.

Eu pensei comigo mesmo: uma bela pescaria não é completa sem os amigos, aqueles que contam histórias, "causos", tiram aquele sarro, fazem a festa na beira de um rio, mas só restavam eu e o Paulo Henrique.

Nem pensamos duas vezes, lá fomos para um rio, indicado por um amigo nosso o sr. Deoclécio, que é um bom pescador, que também não pôde ir, porque já ia pescar em outro lugar, no sábado.

Chegamos lá sem saber ao certo onde pisar, pois já passava das nove da noite, após o reconhecimento do local com as lanternas, resolvemos explorar ao nosso redor, para achar lenha e acender uma fogueira, tão logo foi acesa, partimos em busca dos bagres. Uma escuridão de uma noite sem lua, só ouvindo o barulho do rio correndo, alguns animais noturnos, sapos, rãs e até pássaros. A noite passa calma, um bagre, que alegria, dois, e assim vai noite afora. O Paulo Henrique nem fome sente, o silêncio toma conta do ar, só interrompido com os tapas que se ouvia do Paulo Henrique contra os pernilongos, não podemos achar ruim, pois estamos na casa deles.

Lá pelas três horas da madrugada a fome aperta, está na hora de fazermos aquele arroz, bem temperado, com calabresa frita e cebola refogada, que beleza!!

Após a fome saciada, voltamos ao calmo rio. Entre um intervalo de um bagre e outro, podemos sentir a natureza que nos cerca, continuando o seu ciclo de rara beleza.

Uma hora de cochilo no carro, ouvindo bem baixinho modas de viola, daquelas bem antigas, e voltamos ao nosso arroz com calabresa, agora melhor, pois já era por volta das cinco da madrugada, e seria o nosso café da manhã. Colocamos mais lenha na fogueira e ali ficamos.

Começa a amanhecer, os primeiros sinais da passarada, os primeiros pulos dos lambaris, a nossa pesca muda, deixamos de lado os bagres para nos divertir com os tambiús e lambaris, que estavam alvoroçados, devido a uma revoada de "aleluias" e outros insetos, que saíam de dentro de um tronco seco na margem do rio. A passarada toda nem parecia notar nossa presença e disputava, no ar, os insetos, enquanto na água os peixes se fartavam e ainda atacavam nossos anzóis. A festa estava completa.

Lá pelas dez da manhã, outra panelada de arroz, só que agora com uma linguiça de porco bem fritinha, também com cebola, sentamos à sombra de uma árvore, e ali ficamos nos fartando e admirando o lugar onde estávamos e os peixes que pescamos.

Você deve estar pensando, onde está a história de pescador??

Os fatos acontecidos acima, são as verdadeiras "histórias de pescador", que não há dinheiro que pague os momentos que nós sentimos, nem que seja por algumas horas, fazendo parte da natureza ao nosso redor.

E quanto aos nossos amigos, que não puderam ir, fica aqui o meu abraço, dizendo que perderam uma bela pescaria, vocês sabem disso!!

Fernando Alvarez - Pesca nas horas vagas