"Tatu" isenta "Ico" e acusa Pauletti
"Tatu" isenta "Ico" e acusa Pauletti
Texto: Marcos Zibordi
Em entrevista, o vereador João Carlos da Silva diz que
"Ico" não sabia do suposto suborno e que fez a gravação para "enquadrar" Pauletti
Agudos - O vereador João Carlos da Silva (PSDB), o "João Tatu", concedeu ontem entrevista onde acusa o vereador Régis Pauletti (PSD) de tentativa de suborno, dizendo que ele já o havia procurado outras vezes, antes da eleição para a presidência da Câmara Municipal. "Tatu" também isentou José Aparecido de Oliveira (PDT), O Ico, de qualquer envolvimento com a suposta tentativa de suborno. Segundo "Tatu", a citação, durante a conversa, do nome de "Ico", serviu somente para dar continuidade ao diálogo, que ele estava gravando:
"O vereador Ico nem sabia dessa fita", disse.
Em entrevista concedida ontem, na Câmara Municipal, o vereador João Carlos da Silva falou sobre como a fita foi gravada, quando e onde. Nela ele também acusa Pauletti de tentativa de suborno e afirma que não sabia que "Ico" divulgaria a fita.
A entrevista foi concedida com a presença do Assessor Jurídico da Câmara Municipal, Paulo Geraldo Mainine. A vereador também gravou a entrevista. Jornal da Cidade - O senhor fez a gravação da fita. Em que local ela foi gravada?
João Carlos da Silva - Em frente à minha casa.
JC - Na rua?
João - Isto.
JC - O vereador Pauletti tinha conhecimento de que a conversa estava sendo gravada?
João - De jeito nenhum.
JC - E a conversa foi gravada em que dia?
João - No dia da sessão da Câmara Municipal, da votação para a presidência da Câmara Municipal de Agudos.
JC - Em que horário?
João - Foi em torno de umas quatro e meia, vinte para cinco da tarde.
JC - No começo da conversa que existe na fita entregue
à imprensa, passa a impressão de que o senhor já tinha tido uma conversa preliminar com o vereador José Aparecido de Oliveira (Ico). Essa conversa aconteceu?
João - Não, não. No início da fita tá que o vereador Régis diz que passou umas 3, 4 vezes na minha casa, no dia da sessão. Esse é o início da fita...
JC - ...mas não houve nenhuma conversa anterior entre o senhor e o vereador "Ico"?
João - Não, porque o vereador Régis quis me usar como trampolim, e o vereador Ico nem sabia dessa fita.
JC - Quando o senhor diz que ele quis te usar como trampolim, o que o senhor quer dizer com isso?
João - Porque ele já tinha várias vezes me procurado na minha casa sobre a presidência da câmara municipal, que ele queria pleitear a presidência e que estava oferecendo R$ 5 mil. Em comentário com amigos meus, falaram olha João, isso dá cassação de mandato, isso aí é suborno. Eu falei: mas eu não tenho prova, só tenho prova verbal de que ele está falando isso pra mim. Ai os próprios amigos meus me arrumaram não foi um gravador, arrumaram foi três gravador, para registrar o que ele disse. Então no teor, no conteúdo daquela fita, está tudo escrito o que ele realmente disse: que ele queria dar R$ 5 mil e, no dia, eu sabia que ele ia voltar a me procurar novamente, porque ele ia ter que saber realmente se o rapaz ia aceitar R$ 5 mil, se eu tinha conversado, se não tinha conversado, então no dia da sessão ele me procurou novamente, e foi o dia que eu fiz a gravação.
JC - Então, conforme o senhor está dizendo, já tinha havido uma conversa preliminar?
João - Não, o vereador Régis teria que saber se eu tinha conversado com o vereador Ico para saber se ele ia aceitar ou não.
JC - Então o que senhor está querendo dizer
é o seguinte: o senhor deu a entender que tinha conversado, mas na verdade não tinha?
João - O vereador (Ico) nem sabia. Quem tinha que manifestar que o vereador sabia se ia aceitar o R$ 5 mil era o Régis, que era ele que estava subornando o vereador, ele que tinha que saber. O vereador Ico não tinha que saber nada.
JC - Durante a conversa gravada na fita, o senhor seria o intermediário dessa suposta negociação. Segundo o Ico, foi você que entregou a fita para ele, gravada. O senhor confirma isso?
João - Foi, porque ai eu falei para o Ico que eu tinha essa fita. Ele pediu para ouvir. Eu peguei e entreguei a fita para ele.
JC - O senhor não acha estranho o fato do senhor ter entregue essa fita para o "Ico", uma fita na qual o senhor também se compromete, enquanto intermediador dessa suposta compra de voto?
João - Não, eu acho que não me compromete não, porque o vereador Régis Soares Pauletti faltou com a postura de política, tentando comprar voto. Eu me senti ofendido e mostrei para ele que isto prejudica a população, que é onde a política hoje está totalmente desacreditada, então eu mostrei para ele. Eu vou gravar e, posteriormente, quando tiver o momento correto, na hora certa, eu passo a fita para a pessoa que estava oferecendo propina. Porque ele não estava oferecendo para mim. Se ele tivesse oferecendo para mim, eu teria denunciado ele na hora, no ato. Mas como não foi para mim, então eu não denunciei por causa disso. Mas eu passei para o vereador que estava sendo usado para votar para ele.
JC - Em conversas com o Régis, ele também concorda que o "Ico" não sabia disso. O senhor também é da mesma opinião: não houve uma conversa anterior com o "Ico"?
João - Justamente. O Ico foi citado porque o vereador Régis queria usar o vereador para suborno. E para poder aumentar a conversa, foi onde eu mesmo falei que o vereador não queria R$ mil, ele queria R$ 10 mil. O Ico nem sabia, nem sabia.
JC - Tudo que o senhor cita em nome dele, naquela fita, era para alimentar a conversa?
João - Para alimentar o suborno que ele queria fazer da compra de voto.
JC - O senhor tem informações se esta tentativa de suborno ocorreu com outras pessoas?
João - Olha, se ocorreu, eu não posso garantir. Agora, na fita, ele cita nomes de vereadores. Então nós vamos procurar fazer o levantamento aqui. O presidente da câmara municipal vai tomar as devidas atitudes. Esclarecimento total.
JC - Para quem o senhor votou para presidente da câmara?
João - Aparecido Dantas.
JC - No final da fita, existe um trecho onde o senhor diz:
"desta vez eu te peguei, f.d.p." . Foi o senhor que disse isso?
João - Isso daí deve estar registrado e gravado na fita. Se foi eu, vai passar por períncias técnicas
(sic) e provavelmente vai ser penalizado o culpado.
JC - O senhor não se lembra se foi o senhor que disse a frase?
João - Isso aí tá registrado e gravado na fita original.
JC - O senhor votaria pela abertura de uma Comissão Especial de Investigação?
João - Normalmente. Não é que tem que haver, tem que haver (sic), porque se o presidente não tomar essa atitude, eu vou tomar caminhos legais, autoridades máximas. Então tem que ter, tem que haver.
JC - Que avaliação o senhor faz dessas denúncias?
João - Eu acho uma coisa vergonhosa. O povo só tem a perder. Batalha-se tanto para um vereador entrar nessa casa de leis e, quando entra, essa vergonha de propina, suborno.
JC - O senhor disse, no começo da conversa, que fez a gravação e a divulgaria num momento oportuno. O que levou o senhor a achar que este era o momento oportuno, depois de quase um mês de transcorrida a eleição?
João - Em primeiro lugar eu disse, na fita, que o vereador me procurou 4 vezes na minha casa. Em segundo lugar, esse tipo de apuração que eu estou dizendo na câmara municipal, é somente do vereador, porque é ele que está enquadrado nessa gravação. Foi ele que botou as palavras no gravador, não fui eu que fiz ele falar.
É suborno totalmente dele. Agora ele que vai provar, ele que prove que não é ele.
JC - Na verdade, minha pergunta não foi essa. O senhor falou que tinha a fita e que esperou para divulgá-la no momento oportuno. Foi isso?
João - Não é questão do momento oportuno, é questão que o vereador Ico quis ouvir a fita que eu tinha já falado para ele.
JC - O senhor tinha falado da existência da fita para o "Ico" quando?
João - No dia da sessão, que ele não sabia. No dia da sessão eu falei olha: existe uma fita assim, assim, gravada, que o Régis tava te propondo um suborno. Ele pediu para ouvir e eu passei a fita para ele. Só que eu não sabia que ele ia fazer a denúncia.
JC - Quando o senhor passou a fita para ele?
João - Foi semana passada. Eu pensei que ele ia ouvir a fita e me devolver. Mas ele se sentiu ofendido e resolveu pôr em pratos limpos.
JC - O vereador Régis disse que o diálogo que ele manteve com o senhor foi para alimentar a conversa, para ver até onde ela ia. Este é o mesmo argumento usado pelo senhor? Quem alimentou a conversa de quem?
João - (...) Não seria eu que vou ter que esclarecer se ele tá querendo alimentar a conversa ou se
é eu que quis alimentar a conversa. Quem vai analisar o conteúdo é a perícia técnica. Eles são as pessoas que vão fazer uma análise e vão falar melhor que nós dois.
JC - Como é que os outros vereadores receberam a notícia?
João - Não só de outros companheiros, como também da própria população de Agudos. Muitas pessoas falam que o Régis merecia realmente passar por essa dificuldade que ele está passando para mostrar que honestidade, dignidade, cabe em qualquer lugar. Não
é porque a pessoa tem dinheiro que tem que ficar pisando nos outros.
"Ico" diz que recebeu ameaça anônima
Texto: Marcos Zibordi
Agudos - O vereador José Aparecido de Oliveira (PDT), o Ico, que entregou uma fita gravada sobre uma suposta tentativa de suborno para eleição da presidência da Câamara Municipal, disse ontem que recebeu três ligações telefônicas anônimas que o ameaçavam. Segundo o vereador, as ligações ocorreram entre o final da noite de anteontem e o começo da madrugada de ontem.
Segundo o vereador, durante a tarde, seu filho também teria recebido uma ameaça de desconhecido quando lavava o carro num posto de gasolina da cidade. "Chegou um rapaz que ele não conhece e falou: seu pai não está com medo?".
Durante a noite, segundo o vereador, ele recebeu três telefonemas ameaçadores. "Nós vamos fazer tua pele, e deligava. Você toma cuidado que nós vamos te pegar, onde você mora é lugar de escuridão. Eu não dormi de noite", contou.
Segundo Ico, as ligações foram feitas "uma foi onze horas da noite, outra foi lá pela uma e meia e depois às duas", precisou.
O vereador disse que pediu para a polícia reforçar o policiamento ao redor de sua casa.
Vereador corrige transcrição
Segundo o vereador José Aparecido de Oliveira, na errata publicada ontem sobre a transcrição da fita, não existem as palavras finais "pela prefeitura", na frase
"Ele quer R$ 10 mil, porque R$ 5 mil ele tira em viagem".
Outro trecho incorreto, publicado na edição de anteontem, está na frase "Na hora chega lá, eu vou fazer o quê, tem que barganhar, porque do jeito que eu estou vendo". Ao invés de "tem que barganhar", o correto é
"ele vai ganhar".