18 de março de 2026
Geral

Modernização

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 6 min

Orsi investe US$ i milhão para crescer

Orsi investe US$ 1,5 mi para crescer

Texto: Paulo Toledo

A indústria de massas Orsi, de Lençóis Paulista, está investindo US$ 1,5 milhão, em recursos próprios, na importação, da Itália, de uma nova máquina para fabricação de espaguete, que vai elevar em 30% sua capacidade mensal de produção, que saltará de 1,8 milhão de quilos de todas as massas para 2,34 milhões de quilos. Uma parte dessa máquina é fabricada no Brasil. José Antônio Orsi Moretto, 38 anos, diretor de produção da empresa, diz que o crescimento visa atender à demanda dos mercados atendidos pela Orsi.

O investimento na ampliação da capacidade produtiva num período marcado pela crise econômica mundial se justifica pelos próprios números do setor. A estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima) é de que o País consumiu aproximadamente um milhão de toneladas de macarrão em 1998, num crescimento de 8,7% sobre o ano anterior, quando foram consumidos 920 mil toneladas. No ano passado, faturamento do setor se manteve em R$ 1,5 bilhão, apesar do aumento do volume comercializado, em relação a 97, pois os produtos tiveram uma queda no preço, segundo informou a entidade.

Porém, destaca Silvia Tereza Orsi Moretto de Miranda Prado, 45 anos, diretora de vendas da Orsi, a esses números, devem ser somadas as produções de micro indústrias regionais, que acabam não sendo contabilizadas.

José Antônio afirma que, no segmento de espaguete, há espaço para expansão no mercado nacional. No caso das massas curtas e das chamadas "Ninho" não se observa potencial de crescimento de consumo. O aumento de 30% na produção tem um outro objetivo: reduzir os custos, já que não será necessário aumentar os custos fixos, em razão do sistema automatizado e, com a mesma estrutura, será possível colocar mais produto no mercado, com um preço menor, aumentando a competitividade da marca.

Os números foram discutidos e analisado pela diretoria colegiada da empresa, que reúne os seis diretores e têm a consultoria do economista Carlos Roberto Sette, 49 anos, há vários anos. As decisões estão calçadas em estudos estratégicos, que visam manter a saúde financeira da empresa nos bons níveis em que se encontra.

Para se ter uma idéia, as máquinas de espaguetes que existem hoje na Orsi fazem a produção de 1,2 mil quilos por hora e demoram 14 horas entre o início do processo e a massa pronta. A nova máquina tem capacidade para confeccionar 1,8 mil quilos por hora. Porém, o tempo de processamento cai para seis horas, num grande ganho.

Produção foi totalmente automatizada

A produção da Orsi é completamente automatizada. Da descarga da farinha e outras matérias-primas até a saída da massa pronta e empacotada, não há contato manual. Além disso, o sistema é protegido com detectores de metais, tanto na matéria-prima quanto no produto final, para evitar que corpos estranhos possa fazer parte da produção ou, mesmo, chegar ao consumidor.

"O cuidado é extremo. Não desejamos que ocorra qualquer problema", afirmou José Antônio.

O sistema completamente automatizado é inédito no País. Toda a produção é controlada por um computador, que monitora desde a quantidade que será produzida de cada massa até a formulação. Isso evita erros na composição dos produtos, de colocar mais farinha ou ovos ou vitaminas, fazendo que o produto tenha um padrão e uma qualidade constante, sem variações causadas por interferências humanas. Além disso, destaca Silvana Maria Orsi Moretto Cavalieri, 45 anos, diretora administrativa da Orsi, o sistema baixou para zero as perdas de farinhas e outras matérias-primas, que chegavam a cerca de 5% do total comprado. "É uma economia enorme", destacou.

Existem fábricas relativamente grandes que ainda utilizam comprar farinha em sacos de 60 quilos e fazem a formulação manual. Silvana destaca que, quando a Orsi tinha esse sistema, não havia como evitar que farinha ficasse esparramada pelo chão, causando perdas e má impressão.

O sistema de alimentação das máquinas foi concebido com muita dificuldade por empresas especializadas, pois não havia "know how" disponível. O auxílio de José Antônio e Silvana, que têm formação de engenheiro, foi fundamental.

A farinha vem em "bags" (bolsas) de 1,2 tonelada e é descarregado em um pré-silo receptor. Depois de peneirada,

é enviada por tubulações para os silos definitivos. Quando é preciso vitaminar é feito antes de enviar para o silo final. Os silos da Orsi têm capacidade de estocagem de 120 toneladas de farinhas. Há silos menores que estocam, por exemplo, ovo em pó. Do escritório central é feita uma programação para 24 horas de produção. O computador cuida do envio correto dos ingredientes para as máquinas. Hoje, os trabalhadores são supervisores do processo.

Além do cuidado no fabrico, a empresa tem um laboratório que testa as matérias-primas e os produtos finais. Para se ter uma idéia, a cada 30 minutos é cozinhado macarrão para saber se os lotes que estão saindo estão dentro dos padrões de qualidade exigido. Quando há algum problema, todo o lote é retirado e moído, tornando-se matéria-prima que será utilizada para fabricação de um novo lote.

Além disso, a Orsi conta, também com assessoria do laboratório Cerelab, especializado na área, que controla matérias-primas e, até o processo produtivo da empresa.

Mercado

O mercado de atuação da Orsi é São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás. Com a implantação das nova máquina, que entra em operação em junho, a idéia é melhor atender a essas regiões e, até, ampliar novas áreas. No inverno de 97 e 98, a Orsi só não vendeu mais macarrão porque não tinha para entregar, apesar da fábrica trabalhar em três turnos, sete dias por semana. Esse foi um dos motivos que levaram à decisão de fazer o investimento no novo equipamento.

Márcio Leandro Biral Orsi, 41 anos, gerente geral da Orsi, destaca que, neste momento, o consumo do País não está em tendência de crescer. Porém, o investimento que a empresa está fazendo está lastreado no potencial de mercado, que pode voltar a crescer. (PT)

Excelente no Selo de Garantia

A indústria de massas Orsi, de Lençóis Paulista, recebeu qualificação de "Excelente", com nota 91,91, na verificação feita pela Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias

(Abima) para o "Selo de Garantia Abima". O resultado

é muito significativo, pois poucas empresas conseguem obter tal graduação.

A Abima é extremamente exigente na verificação, conferindo a formulação e o processo de fabricação. Os técnicos da entidade entram na fábrica e fazem uma checagem completa do produto. Obter a classificação

"Excelente" é um privilégio, pois a Abima

é muito cuidadosa, para evitar que o "Selo de Garantia" seja desmoralizado por um mau usuário.

O resultado foi importante e deu "start" no projeto da certificação ISO 9000. De acordo com Carlos Sette, a previsão é de que o processo esteja completado até o ano que vem.

Com 51 anos de existência, a Orsi tem três marcas comerciais: Orsi; Semolar; e Bambino. Com 220 empregados, a empresa tem capacidade de produção de 1,8 milhão de quilos de massas por mês.

A empresa foi fundada por Zefiro Orsi. A segunda geração foi formada por Willian e Ivanise. Hoje, a indústria é gerida por seis sucessores da terceira geração: José Antônio Orsi Moretto, Silvana Maria Orsi Moretto Cavalieri, Márcio Leandro Biral Orsi, Silvia Tereza Orsi Moretto de Miranda Prado, Willian Orsi filho e Moacir Boso. (PT)