07 de julho de 2026
Geral

Era da informática

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Fadigas visual e mental são comuns pelo uso prolongado do computador

Fadigas visual e mental são comuns pelo uso prolongado do computador

Texto: Sabrina Magalhães

É preciso fazer várias pausas no decorrer do dia para dar tempo ao organismo de relaxar, sem se estressar

Quem passa horas e horas trabalhando em um computador, além do desgaste físico, certamente vai reclamar de "areia" nos olhos, diminuição do potencial visual e cansaço mental. São sintomas claros do excesso de exposição

à "maquininha que pensa". Mas os médicos são unânimes em afirmar que não há provas científicas de que o computador faça mal

à saúde. O que existe são indícios de que o uso prolongado e contínuo prejudica o bem-estar do indivíduo.

O envolvimento do homem com o computador requer envolvimento físico

(pelo toque), perceptivo (pelos olhos e ouvidos) e cognitivo (pelos processos e atividades mentais), de forma que abusar do trabalho vai afetar todos estes sentidos.

O principal problema que pode surgir do toque, como já foi comentado (pág. 3), são as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), com conseqüentes dores musculares e sensação de peso, que causam a perda gradual da agilidade, levando à incapacidade dos membros

(em estágios avançados, um portador de LER não consegue manter um copo entre os dedos, senão com a ajuda das duas mãos).

Mas o usuário também está suscetível a apresentar alterações visuais, auditivas, mentais e até abortos espontâneos (não há comprovação científica), em função da radiação emitida pela máquina. Segundo a autora do livro "Computador e Saúde - Manual do Usuário", Joanna Bawa, todo e qualquer aparelho elétrico, inclusive os fios, apresentam eletromagnetismo, mas eles não são considerados prejudiciais à saúde. O problema é que em se tratando de computador, a distância entre o indivíduo e a fonte de radiação é muito pequena e o tempo de permanência diante do equipamento é excessivo, ou seja, a exposição à energia é exagerada. Claro que os inventores do equipamento pensaram nisso e desenvolveram meios de diminuir a incidência dos raios. Os monitores de hoje, por exemplo, eliminam boa parte da radiação por uma camada de chumbo que fica atrás do vidro. O pouco que escapa, sai pela parte de trás e laterais do monitor. Uma quantidade mínima escapa pela frente.

É bom considerar que várias experiências de laboratório já associaram o eletromagnetismo do computador ao aparecimento de câncer, alterações neurológicas e até abortos. Porém, os resultados nunca chegam a um denominador comum, então nada é confirmado. Ainda assim, precaução é uma boa saída: usar filtros solares pode aliviar bastante a absorção destes raios pelo organismo.

Fadiga visual

Os olhos também são grandes vítimas dos computadores. Depois de longas horas diante da tela, qualquer pessoa sente cansaço visual, irritação, ressecamento, "areia". Segundo Bawa, isso acontece por causa da oscilação da luz, tanto da que é emitida pelo monitor, quando da que vem das lâmpadas fluorescentes, usadas na maior parte das empresas. Em geral, estas oscilações não são percebidas, mas incomodam os olhos, devido à necessidade de microajustes constantes da dilatação da pupila e contração da lente ocular.

Para diminuir as condições irritantes aos olhos,

é possível usar duas lâmpadas ligadas juntas, de forma a oscilarem em circuitos invertidos, de forma a manter a luz quase constante. Outro cuidado importante é saber combinar a iluminação do ambiente com a do monitor: quanto menor o contraste e o ofuscamento, menor o esforço visual.

O ajuste neste sentido, segundo Bawa, vai depender da atividade. Se o usuário vai manter os olhos na tela, a luz ambiente pode ser mais suave. Isso vai ressaltar a imagem, facilitando o trabalho de focalização dos olhos. Porém, ao contrário, se existe a necessidade de desviar os olhos constantemente entre a tela e um papel sobre a mesa, a claridade ambiente precisa ser semelhante à luminosidade do monitor. Um contraste exigiria mais esforço ocular para se adequar entre uma imagem e outra. Com a iluminação equivalente, os ajustes serão bem menores.

Uma recomendação importante: tal qual para o relaxamento muscular, as pausas regulares são imprescindíveis para o descanso dos olhos. Desviar o olhar do monitor, fechar os olhos por alguns segundos ou minutos, deixando-os descansar, diminui a sensação de desconforto no decorrer e no final de uma jornada de trabalho, além de evitar a chamada

"vista cansada", que exigirá o uso de lentes oculares a médio prazo.

Estresse

Todo esse processo de desgaste físico está diretamente ligado ao desgaste mental. A pressão da concorrência, pela manutenção do emprego; as exigências do patrão, a necessidade de atenção minuciosa para evitar erros, somadas às jornadas abusivas, às formas erradas de usar o computador, como passar várias horas seguidas trabalhando, sem pausas; a poluição sonora - telefones tocando, o toque dos dedos no teclado, a ventilação da máquina, conversas dos colegas. Juntos, estes fatores geram um quadro hoje batizado de estresse, que significa um desgaste mental, cansaço, gerando uma série de sintomas, como náuseas, dores de cabeça, tonturas. Associados, todos estes problemas ligados ao trabalho vão levando o indivíduo a perder parte de seu potencial. Para evitar situações extremas, a lei garante ao trabalhador o direito às pausas e às férias. Afinal, a máquina humana também está sujeita a panes e exige manutenção periódica.