Mestre da gaita
Mestre da gaita
Texto: Ricardo Polettini
"A gaita tem tanto potencial e tanta força quanto qualquer instrumento. Mas é preciso ser um herói, cara. Eu acho que vale a pena. "
Depois de B.B. King, do saxofonista Gary Brown e de Moraes Moreira, a parceria entre a Cervejaria dos Monges e a casa paulistana de shows Bourbon Street Music Club traz a Bauru o mestre da gaita Sugar Blue. O show do premiado gaitista blueseiro acontece no próximo sábado.
Sugar Blue tem uma história interessante. Começou sua carreira como músico de rua, gravando pela primeira vez em 75, com os legendários bluesmen Brownie McGhee e Roosevelt Sykes. No ano seguinte, emprestaria seu sopro impecável para outros artistas, antes de se mudar para Paris, seguindo o conselho do tecladista de blues Memphis Slim.
Foi lá na terra dos "croissants" que Sugar Blues viria se juntar com os Rolling Stones. A identificação dos roqueiros ingleses com o som da gaita do norte-americano foi tão imediata que eles o convidaram para gravar "Some Girls" e os álbuns "Emotional Rescue" e o célebre "Tatoo You".
Embora tivesse sido convidado para seguir com o grupo, tendo inclusive participado de diversas apresentações dos Stones, Sugar Blue preferiu seguir carreira solo a tornar-se uma eterna
"atração secundária".
Porém, antes de voltar aos EUA, deixou sua marca na França, gravando dois discos, "Crossroads" e "Chicago to Paris".
De volta ao país de origem, seguiu orientações de outros mestres da gaita de blues, tocando com James Cotton e Junior Wells, entre outros. Alguns anos mais tarde, encararia uma elogiadíssima turnê ao lado do amigo e professor Willie Dixon, como parte dos "Chicago Blues All Stars".
Isso até formar sua própria banda, já em 1983. A partir daí, Sugar Blue começou a subir.
Em 85, recebeu o Grammy por seu trabalho no álbum "Blues Explosion", gravado ao vivo no Festival de Jazz de Montreux.
Mais tarde, em 89, se encontraria novamente com Willie Dixon para gravar "Hidden Charms", que por sinal, também faturou um Grammy.
Percorrendo o mundo
Sugar Blue já levou sua música a diversas partes do mundo. Dos Estados Unidos para a Europa e África, tocando em palcos de grandes festivais, ao lado de artistas do calibre de Muddy Waters, B.B. King, Art Blakey, Ray Charles e Jerry Lee Lewis.
Até o cinema já se rendeu ao vigor da gaita de Sugar Blue, com sua participação na tela e na trilha do aclamado thriller "Angel Heart", com Robert Redford, além de também ter estrelado em "Johnny Handsome" e "An Unmarried Woman".
Sonho de criança
Sugar Blue afirma ter se tornado o artista que sonhou ser quando jovem. Depois do Grammy, milhares de apresentações, incontáveis participações especiais, o músico se diz pronto para o estrelato.
Em vez de imitar os artistas mais velhos, ele incorpora aquilo que ele aprendeu ao seu estilo visionário e único, expandindo a música para além dos limites imagináveis do blues.
Sugar Blue chegou à fama para mudar a idéia de qualquer pessoa que ache que a gaita não é um instrumento tão importante quanto a guitarra dentro de seu estilo.
Combinando elementos do blues rural e urbano junto com rock e jazz, Sugar é um gaitista no mínimo singular. De acordo com ele: "A gaita tem tanto potencial e tanta força quanto qualquer instrumento. Mas é preciso ser um herói, cara. Eu acho que vale a pena".
Serviço
Sugar Blue se apresenta na Cervejaria dos Monges no próximo sábado, 23 de janeiro. Ingressos: R$ 15,00. A casa abre a partir das 21 horas. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações:
(014) 234-7773.