Funcionário da Cohab depõe sobre atentados e diz que foi pressionado
Funcionário da Cohab depõe sobre atentados e diz que foi pressionado
Texto: Gustavo Cândido
O auxiliar de comercialização da Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru, Sandro de Miranda depôs ontem de manhã na Delegacia de Investigações Gerais
/ Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) de Bauru, no inquérito que apura os atentados às residências dos vereadores Erlon Junqueira (sem partido), Luiz Carlos Valle (PDT) e Luiz Roberto Relvas (PDT).
Segundo Miranda o depoimento começou às 8h30 e foi até às 10h20 e durante todo o tempo ele foi intimidado pelos investigadores e o delegado titular da DIG/Garra, J.J. Cardia para admitir que havia participado dos atentados e sabia o nome dos envolvidos.
"Eles me pressionaram várias vezes dizendo que eu era 'peixe-pequeno', que o Pedro Valentim era 'peixe-grande' e que no final eu iria pagar o pato. Eu disse que fiquei sabendo de tudo através da mídia", afirmou Miranda que também disse nunca ter sido subordinado à Pedro Valentim. "A gente trabalhou na mesma secretaria mas em setores diferentes. O Pedro Valentim era diretor do departamento social, eu era ligado direto ao secretário, nunca fui assessor comunitário, nem nunca fui subordinado a ele".
De acordo com J.J. Cardia, o depoimento de Miranda (a décima pessoa ouvida no inquérito) não acrescentou nada
à investigação. O delegado afirmou que outras pessoas vão ser ouvidas mas revelou que não vai mais fazer intimações e sim levar as pessoas diretamente para a delegacia. Cardia evitou fazer comentários sobre as investigações por não ser o delegado responsável pelo caso, que é do 3º DP e também não comentou a reclamação de Miranda quanto a pressão que teria sofrido. "Eu não ia trazer ele aqui para perguntar quem é o presidente da república ou o centroavante do Flamengo, Tenho que perguntar sobre o assunto que estou investigando", resumiu o delegado.