DAE acusado de perseguir ex-funcionária
DAE acusado de perseguir ex-funcionária
Texto: Luciano Augusto
A ex-funcionária do Departamento de Água e Esgoto
(DAE), Simone Stoco Scaraboto Cury, 36 anos, protocolou, ontem, a defesa de seu pedido de revisão de processo de demissão. Para ela, sua saída do DAE foi provocada por motivos políticos.
A ex-funcionária, filiada há mais de dez anos ao PMDB, era concursada e trabalhou como assistente social no DAE, de dezembro de 95 a outubro de 97.
Como nos contou, ela começou a ter problemas quando houve a mudança de prefeito, no inicio de 97.
Na época, perdeu o seu cargo de chefe de seção assim que a nova administração assumiu. "Até aí, este procedimento é aceitável", disse. Em seguida, foi "encostada" pelo Centro de Manutenção do DAE, onde permaneceu até outubro. Em outubro, quando faltavam menos de três meses para completar dois anos de nomeação e ter assegurado o seu direito à estabilidade, por ter sido aprovada em concurso público, Cury foi chamada pela diretora de recursos humanos do DAE, à
época,
Maria Gabriele Ferreira de Melo, e pela chefe de seção, Luciane Merli de Oliveira Sementili, para que tomasse conhecimento de sua avaliação anual de produtividade e assinasse o documento.
Este é um procedimento normal no DAE. Os funcionários são avaliados de acordo com a produtividade e, se a avaliação for positiva, há o pagamento "de uma espécie de recompensa" ao funcionário.
Cury afirmou que recebeu este benefício até o mês de outubro de 97. No entanto, a sua avaliação anual era negativa. Como nos contou, "sua avaliação era péssima e sem nenhum ponto positivo". Então, pergunta, "como é que eu vou ser uma boa profissional até outubro e numa avaliação anual eu sou péssima? Era tudo contra mim".
Diante desta situação, a ex-funcionária entrou em pânico e este nervosismo foi usado, contra ela, no processo de demissão, o qual relatava que "a funcionária Simone tentou agredir fisicamente sua chefe de seção e também com improvérbios e palavrões". O processo teve continuidade e funcionária foi demitida por justa causa, justificada como insubordinação grave.
Todos estes fatos ocorreram no mesmo período da instauração da Comissão Processante (CP) contra o prefeito Izzo Filho. De acordo com Cury, "a CP mau havia terminado a sua avaliação e o presidente do DAE, João David Felício, assinou a minha demissão. Ele sequer teve tempo de analisar o processo".
Quando Nilson Costa assumiu a Prefeitura, a ex-funcionária entrou com um pedido de revisão do processo de demissão e foi nomeada uma nova comissão, formada por funcionários do DAE. Nas investigações realizadas por esta nova comissão foram encontrados documentos de avaliação razurados, além de duas avaliações referentes a um mesmo mês. Uma positiva, assinada por Cury e uma outra, negativa, sem nenhuma assinatura. Justamente a avaliação que não estava assinada foi utilizada no processo.
Em um novo depoimento da chefe de seção, que teria sido vítima das agressões que culminaram com a saída de Cury do DAE, a funcionária desmentiu as agressões e disse que foi coagida pela diretora de recursos humanos para forjar a história da agressão. Para Cury, "ela só fez isso porque também estava em período probatório. Então era ela ou eu".
Agora, o processo está sendo revisto por uma comissão que tem como presidente a advogada do DAE Adriana Rufino. Mas, acrescenta Cury, "de acordo com fontes fidedignas de dentro do DAE, ela e todo o restante da comissão estão sendo pressionados para que eu não retorne". Segundo informações da ex-assistente social do DAE, "o processo está pronto e finalizado. Basta entrar com o documento de defesa e eles vão indeferir".
Desempregada
Por ter sido demitida por justa causa, a ex-funcionária está com problemas em arrumar um novo emprego. Há mais de um ano desempregada, ela também está impedida, pelo período de cinco anos, de prestar concurso público.
Preocupada, diz: "tenho 15 anos de carreira, com curso superior e pós-graduação, e tenho o meu nome profissional para zelar. Eles simplesmente jogaram minha carreira no lixo".