08 de julho de 2026
Geral

Suspensão

Fabio Turci
| Tempo de leitura: 3 min

Sindtran ameaça fazer "baderna e quebradeira"

Sindtran ameaça fazer "baderna e quebradeira"

Texto: Fabio Turci

Suspensão de três empregados pela ECCB leva presidente do sindicato a admitir medida extrema para pressionar a empresa

Revoltado com a suspensão de três funcionários da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru e Região (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, afirmou ontem que pode ser organizada uma nova greve, com "baderna e quebradeira". "Nós vamos para a porrada", ameaçou o sindicalista.

De acordo com Pinheiro, na última terça-feira, três funcionários da empresa circular foram suspensos por 30 dias após procurarem informações sobre a liberação do tíquete alimentação. Como explicou, na noite da terça, um delegado sindical conhecido como Leandro "Cabelo", procurou alguns funcionários que estavam na empresa para que, juntos, fossem pedir aos fiscais informações sobre a entrega dos tíquetes.

"Aí, durante a conversa, um ou outro mais exaltado

- e, na ECCB, todo mundo tem razão de sobra para estar nervoso - se expôs um pouco mais e a empresa achou por bem punir com 30 dias de suspensão", disse Pinheiro, inconformado. Os três suspensos, segundo ele, são o suplente de delegado sindical Eliazar da Silva Santos e os cobradores Tadeu Raimundo dos Santos e Pedro Marcos de Oliveira Pinto.

Pinheiro questionou se não caberiam providências aos dois fiscais que foram procurados pelos trabalhadores e que teriam respondido que já não sabem quem é o patrão e que, se os reclamantes quisessem ir embora da empresa, que o fizessem. "Eles (a ECCB) acham por bem punir dessa forma pessoas que levam dinheiro para dentro da empresa para eles poderem dar propina", lamentou o presidente do Sindtran.

O sindicalista afirmou que "a empresa deu dinheiro de propina

à pampa, ao ponto de chegar a R$ 1,5 milhão, e agora quer arrumar razões para demitir os trabalhadores sem pagar o que é de direito a cada um deles, e a gente não aceita isso". Ele frisou que o Sindtran vai tentar contato com a ECCB hoje, para que a punição aos três empregados seja revogada ou, ao menos, abrandada. Caso não aconteça dessa forma, ele diz que deve haver nova paralisação

"e, aí, nós vamos pra porrada, mesmo".

"O trabalhador da ECCB, do primeiro ao último, sem nenhuma distinção, tem sofrido horrores para que essa empresa continue funcionando", declarou.

"Até agora, nós fizemos greves decentes. No entanto, se for necessário, vamos partir para a baderna e para a quebradeira. Já que, no bom senso, fazendo corretamente aquilo que é direito - e nós temos direito de greve

- não resolve, nós vamos partir para a porrada", argumentou, destacando que "não é ponto em que a gente queria chegar, mas nós já estamos há muito tempo convivendo com essa situação, já chamamos aqui todos os setores que têm, de certa forma, responsabilidade com o sistema, e, nas nossas reuniões, não aparece".

Ainda conforme o sindicalista, o clima de indefinição sobre a situação da ECCB e o conseqüente nervosismo dos empregados da empresa já tem provocado acidentes de trabalho. "Os trabalhadores estão ansiosos, nervosos. Houve seis acidentes só nesta semana", afirmou. "Isso demonstra o estado de nervosismo em que esse pessoal está trabalhando. E nós transportamos gente. Esse pessoal precisa de tranqüilidade para trabalhar", defendeu.

Procurada ontem à tarde, a diretoria da ECCB não quis se manifestar e pediu à reportagem que "marque um horário".

Pinheiro lembra que, para a próxima segunda-feira, a partir das 15 horas, está agendada nova mesa-redonda entre o Sindtran e a ECCB, a TUA, a Kuba e a Emdurb, na Procuradoria Geral do Ministério do Trabalho, em Campinas. Na primeira reunião, marcada para a última segunda-feira, a ECCB não enviou representantes. Conforme Pinheiro, além do Sindtran, segue para Campinas o vice-presidente da Federação dos Condutores Rodoviários do Estado de São Paulo.