Campanha salarial do Banespa é política
Campanha salarial do Banespa é política
Texto: Márcia Buzalaf
A campanha salarial dos funcionários do Banespa deve ter uma conotação política este ano, muito mais do que apenas financeira e trabalhista. Esta é a afirmação do diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região, Marco Aurélio Silvestre, 32 anos.
A campanha, atualmente, está emperrada. O Comando Nacional dos Funcionários do Banespa não aceita a posição da empresa, que ofereceu reajuste salarial de 0,5% a partir deste mês (sem efeito retroativo), diferentemente do índice que a categoria bancária conseguiu este ano, que ficou em 1,2%.
Além disso, a diretoria do banco quer rever 34 cláusulas contratuais, entre elas, a estabilidade de emprego para os representantes da categoria.
De Bauru, Silvestre afirma que uma caravana da cidade deve participar do encontro nacional dos funcionários do Banespa, dia 30 deste mês, em São Paulo.
Na pauta de discussões, a privatização do Banespa é um dos temas que promete movimentar ainda mais a campanha.
O anúncio feito ontem, durante a posse do presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) pelo titular da diretoria do Banco Central, Paolo Zaghen, de que o banco do Estado de São Paulo será privatizado em maio, é motivo para que as mobilizações sejam intensificadas.
De acordo com Silvestre, a grande maioria dos funcionários do Banespa são contra a privatização. Na opinião do sindicalista, a privatização pode ser questionada antes mesmo do início do processo.
A péssima situação econômica do banco foi o motivo da intervenção, em 94. Isso causou vários questionamentos, já que, em 96, o banco apresentou um balanço positivo em R$ 1,2 bilhão e, no ano seguinte, em R$ 2 bilhões, maior lucro da história do sistema financeiro nacional. "Nunca nenhum banco teve este lucro", completa Silvestre. O questionamento dos funcionários é se os balanços dos anos anteriores, que apresentaram características negativas, foram forjados, segundo Silvestre.
Os funcionários do banco têm três caminhos a seguir para barrar o processo de privatização. Em primeiro lugar, o comando dos funcionários deve entrar com ações judiciais, contestando o processo de privatização.
As manifestações também fazem parte da campanha salarial. Passeatas e paralisações estão nos planos dos funcionários.
A outra vertente da campanha salarial é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que deve em discussão na Assembléia Legislativa no início de março. A PEC é uma proposta da comissão de funcionários do Banespa e prevê a revisão do pagamento de dívidas do Estado de São Paulo. "Foi aprovado em mais de 20 Câmaras Municipais do estado, inclusive Bauru", completa Silvestre quando diz que o número necessário de aprovações para a apresentação da proposta foi atingida. O acordo da dívida do Estado, feito pelo governador Mário Covas (PSDB), segundo Silvestre, prevê a privatização do Banespa. Silvestre afirma que a renegociação da dívida do Estado pode ajudar o comando nacional na briga para evitar o andamento do processo de privatização.