Cuidados com botijão de gás podem evitar incêndio
Cuidados com botijão de gás podem evitar incêndio
O botijão de gás, que é indispensável na cozinha, também pode ser o agente destruidor de uma residência. Ligações mal feitas, botijões mal cuidados e abrigos mal localizados são alguns dos motivos das explosões e vazamentos provocados pelo produto combustível e inflamável.
A falta de cuidados com o produto já provocou acidentes e mortes pelo País todo. O mais recente, a explosão do shopping em Osasco, ainda está na mente dos brasileiros que acompanharam o drama das famílias que perderam seus parentes em um acidente que poderia ser evitado.
Cuidados básicos e de baixo custo podem evitar que em poucos minutos sua casa vá para os ares, ou que seja consumida pelo fogo. Segundo o tenente Humberto Shirotori, da Seção de Atividades Técnicas do Corpo de Bombeiros, embora não seja obrigatório, toda residência deveria ter um extintor de incêndio de pó químico. Ele serve para apagar fogo de madeira, gás, papel, entre outros, e pode conter o fogo até a chegada dos bombeiros, evitando destruição de grande porte.
O tenente explica que na maioria dos casos de incêndio as pessoas jogam água para conter as chamas. "Nem sempre a água pode ser usada. Se o local estiver energizado, em caixa de distribuição de energia elétrica por exemplo, a pessoa pode tomar uma descarga elétrica. Com o pó químico não há esse risco", explicou.
Para o bombeiro, a localização do abrigo do botijão deveria ser uma preocupação de todos os moradores.
"Colocar o botijão ao lado do fogão, na cozinha, não é aconselhável. O botijão deve estar do lado de fora da casa, longe das estruturas da construção. Em local com grande ventilação e longe de ralos", disse.
Shirotori explica que se o botijão estiver armazenado fora da casa e houver um pequeno vazamento de gás, o produto tende a se dissolver na atmosfera. "Mesmo que o abrigo seja fechado, as portas têm que ser de elemento vazado para que o gás, em caso de vazamento, se dissolva na atmosfera", ressaltou.
Ele lembra que o produto não deve ficar guardado próximo da tubulação de esgoto ou de águas fluviais.
"O gás é mais pesado que o ar. Quando vaza, entra pela tubulação, que é um espaço confinado, e pode causar uma grande explosão. O ideal é que o botijão seja armazenado pelo menos um metro e meio de distância da tubulação", disse o bombeiro.
O botijão de gás também não deve ficar próximo de alguma fonte de ignição. "O botijão deve ficar a três metros de distância de alguma fonte de ignição. Armazenar gás na garagem dos carros é perigoso, o motor funciona à explosão", afirma.
Tubulação deve ser a mais curta possível
O caminho percorrido pelos condutores do gás, do botijão ao fogão, não deve ser maior do que dois metros. Em distâncias maiores é necessário que esse caminho seja dotado de segurança. "O ideal é que se faça o mínimo de tubulação. De preferência a tubulação deve ir direto para o fogão, evitando passar sob parte da casa, como quartos, salas ou outro cômodo", explicou o tenente Humberto Shirotori.
A tubulação deve ser feita por um profissional habilitado, que pode ser contatado através da concessionária de gás. "Os materiais a ser usados devem atender às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas e conter a aprovação do Inmetro", disse.
O tenente diz que vários tipos de materiais podem ser usados.
"O tubo metálico, cano de metal, mangueira flexível para alta pressão, entre outros. "No caso de cano de metal, ele não pode ficar em contato direto com a terra e a umidade porque o material pode sofrer corrosão e ocasionar vazamentos. Nesses casos nós orientamos o morador a fazer uma canaleta de alvenaria, sem espaços confinados. Nós usamos a palavra embonecar a tubulação, de maneira que não fique espaços vazios", orienta o bombeiro. O mesmo procedimento deve ser tomado em relação a mangueira flexível.
Shirotori frisa que não são aconselháveis as emendas de tubulação. "Nas conexões podem ocorrer vazamentos", disse. Ele explica que nos edifícios as tubulações possuem conexões. "Tem que ser feita por profissionais habilitados que saibam executar o trabalho com segurança", ressaltou.
Válvula de segurança
A válvula de segurança do gás deve estar sempre junto ao botijão. "Ela serve para diminuir a pressão do gás no interior da mangueira. Em caso de vazamento, a pressão vai ser menor", ressalta o tenente.
Segundo ele, há outros aspectos que devem ser considerados pelo morador para evitar os vazamentos de gás. "Se a válvula estiver amassada, com sinais de corrosão ou com registro quebrado, está na hora de trocá-la", orienta.
Verificar se há vazamento de gás pela válvula pode ser uma opção para evitar incêndios e explosão, ensina Shirotori. "Coloque detergente em uma esponja e passe ao redor da válvula. Se surgir bolhas,
é sinal que há vazamento. Por menor que seja é hora de trocar a válvula", disse.
Explosão e vazamento
O tenente frisa que há diferenças entre uma explosão e um vazamento de gás seguido de incêndio. "Quando ocorre uma explosão há deslocamento de ar. Esse deslocamento pode derrubar uma parede, arrebentar portas e janelas, lançar vidros e até derrubar uma casa, dependendo da intensidade da explosão", explicou Shirotori.
O vazamento seguido de incêndio ocorre quando a válvula de alívio de pressão do botijão recebe um calor acima de 70 graus. "A válvula funde a 70 graus de temperatura. O metal derrete e o gás sai rapidamente. Se houver uma fonte de calor próxima, tem início o fogo. As chamas podem tomar proporções e queimar tudo", alerta.
Shopping de Osasco
A explosão do Shopping Center Osasco, ocorrida há cerca de dois anos, abalou a opinião pública, que acompanhou o drama das famílias que perderam seus parentes. Shirotori explica a causa do acidente. "A tubulação de gás passava por baixo do piso, num espaço vazio. Este espaço era confinado. Ocorreu o vazamento e não tinha por onde sair o gás. Por um motivo qualquer, ou por uma fonte de calor, aconteceu a explosão", relata.
Para explodir, lembra o tenente, é necessário que haja uma concentração de gás. "Com a concentração do gás, qualquer fonte de calor vai provocar a explosão. Um fósforo pode ser a fonte. O simples fato de acionar um interruptor de luz pode provocar uma explosão", disse.
Prédios de Bauru
Os prédios de Bauru armazenam o gás em uma central de GLP. Todos os prédios construídos depois de 1985 foram vistoriados pelo Corpo de Bombeiros e possuem ligações de gás e armazenamento correto, garante o tenente. "Em Bauru há um ou dois prédios que ainda conservam os botijões nos apartamentos. Nós não aconselhamos, porém na época em que eles foram construídos, era permitido", contou.
População desconhece normas
Cerca de 90% da população brasileira desconhece as normas da ABNT, segundo o proprietário da Mil Peças, empresa que instala tubulação e faz ligações de gás. "Ninguém se preocupa com o problema. Desconhecem as normas. Após algum incidente ou acidente envolvendo vazamento de gás é que as pessoas passam a se preocupar", contou o comerciante.
Na opinião dele, muitos incêndios poderiam ter sido evitados, tomando se pequenos cuidados. "Temos observado que as pessoas colocam o botijão do lado do fogão, de maçarico e até de caldeiras. Isso é perigoso e quando ocorre vazamentos normalmente gera acidentes", disse.
O armazenamento dos botijões é outro fator que na opinião de Gomes deveria ser observado pela população. O uso indevido dos botijões de 13 quilos, segundo ele, também é um problema. "Este botijão
é residencial e não deve ser usado pelo comércio e indústria", opina. Ele ressalta que para deixar uma residência segura, com instalações adequadas, o morador gasta cerca de R$ 60,00, dependendo da distância do botijão para a cozinha. "Com mão-de-obra especializada e material ditado pela ABNT", afirma.
Onde se orientar
Procure a seção de atividades técnica do Corpo de Bombeiros localizado na rua Marcondes Salgado, 2-32/Centro. Ou telefone para 222-5553. Se o problema for no botijão procure a concessionária ou distribuidora onde você adquiriu o botijão. Ultragás ( 236-1298) e Mil peças
( 232-7915)