Cuidado! As doenças podem estar nos alimentos
Cuidado! As doenças podem estar nos alimentos
Texto: Sabrina Magalhães
"Deve ser alguma coisa que eu comi!" Pelo menos nove entre dez brasileiros já fizeram esse comentário com algum amigo quando apresentaram náuseas, vômitos, cólicas, diarréia. Às vezes, estes podem ser os sintomas de intoxicação alimentar causados por ingestão de alimentos contaminados por manuseio inadequado e até mal acondicionamento. E o problema, ao contrário do que muita gente imagina, pode estar dentro da geladeira de casa.
No corre-corre do dia-a-dia é comum a mulher que trabalha fora de casa e em geral acumula papéis de "do lar" e mãe criar artifícios para facilitar a vida pessoal ou profissional. Mas é preciso tomar cuidado! Alimentos guardados de modo inadequado ou preparados sem a cautela devida podem esconder bactérias causadoras de diversas doenças.
A nutricionista Sylvia Tosi alerta que, muitas vezes, a mãe que dá um suco de laranja para uma criança e, em seguida vem uma diarréia, raramente leva em conta que ela pode ter sido provocada por falta de cuidado na hora do preparo ou acondionamento. "Às vezes, a mãe, a tia ou a babá prepara um suco, põe na madeira e deixa na pia, sem tampa. A diarréia foi provocada pelo suco? Não. A criança teve a diarréia porque uma mosca sentou no bico da mamadeira", explica.
Pequenos cuidados podem evitar dores de cabeça - ou de barriga. E a dona-de-casa, em geral, não vai perder mais do que meia hora por dia na "arte" de evitar doenças.
Vale ressaltar que as bactérias que causam intoxicação alimentar são difíceis de serem detectadas através da aparência, cheiro ou gosto dos alimentos. Porém, podem causar doença em vários graus de severidade
- leves a mais graves. Casos muito severos podem colocar em risco a vida.
O corpo humano, normalmente, é bem resistente a agressões desta natureza, provocadas por estas bactérias, mas é preciso cuidado extra. Indivíduos que tenham o sistema imunológico frágil são mais suscetíveis
à doenças e precisam redobrar a atenção na hora de se alimentar.
Mas não basta tomar cuidado apenas na hora de comer, segundo Sylvia Tosi. O ato de fazer compras e guardar alimentos merece o mesmo cuidado.
A maior parte das toxi-infecções alimentares resultam de manuseio impróprio dos alimentos. Por isso, nunca é demais tomar cuidado na hora de comprar, preparar ou estocar os alimentos. Também é bom ficar atento aos alimentos mais perecíveis e os tipos mais comuns de contaminação.
Muitas bactérias podem causar intoxicação alimentar. Entretanto, a bactéria mais freqüente nos casos de infecção alimentar é a Salmonella, que provoca salmonelose, que pode desenvolver-se após a ingestão de alimentos contaminados. Caracteriza-se por apresentar sintomas semelhantes a gripe, podendo ser seguido de náusea, vômitos, cólicas abdominais e diarréia. Os sintomas normalmente aparecem após seis a 48 horas depois de consumido do alimento suspeito.
Os alimentos mais associados com salmonelose incluem carne crua ou mal passada, carne de frango, pescado e ovos.
Cuidados ao comprar alimentos
* Observar o prazo de validade dos alimentos
* Verificar se o leite ou queijo são pasteurizados e têm inspeção oficial.
* Evitar carne crua ou mal passada
* Observar se as latas não estão enferrujadas ou amassadas.
* Comprar sempre alimentos frescos e de boa procedência.
No supermercado
* Colocar os pacotes de carne, frango ou pescado dentro de embalagens plásticas para evitar que "pinguem" nos outros alimentos dentro do carrinho. A medida evita "contaminação cruzada", ou seja, e entre alimentos.
* Evitar comprar produtos com embalagens danificadas ou a exposição inadequada.
* Alimentos prontos acondicionados de maneira inadequada ou em locais que dificultem a limpeza também devem ser evitados
* Evitar ficar "passeando" com alimentos após a compra. A medida diminui o risco de multiplicação dos microorganismos.
Em Casa
* Leve sempre em conta que a maioria dos casos de toxi-infecção alimentar são causados por manuseio impróprio.
* Manter prateleiras, bancadas, refrigeradores, freezers, utensílios, esponjas e toalhas limpas ainda é a melhor maneira de evitar a contaminação.
* Antes de manusear alimentos é preciso lavar as mãos com água e sabão. A medida também vale para o momento em que se terminar de manusear um alimento
* Tábuas de cortar de madeira não devem ser utilizadas para carne crua, frango ou pescado. As de plástico são mais apropriadas, pois são mais fáceis de serem lavadas e higienizadas.
* Frutas e vegetais frescos devem ser lavados em água corrente e guardados em sacos plásticos em geladeira, depois de secos.
* Evitar o consumo de ovos crus ou alimentos a base de ovos crus
* Os legumes devem ser guardados individualmente - cenoura, batata, beringela, etc., cada um em um saquinho diferente.
* Evitar o congelar e o descongelar. As carnes, por exemplo, devem ser congeladas em pequenas quantidades. Tenha sempre em mente que o que for descongelado precisa ser consumido. Jamais deve voltar ao freezer ou congelador.
* O pão pode e deve ser colocado na geladeira ou freezer. Aumenta o tempo de durabilidade
* Alimentos da época, especialmente as frutas podem congelados para serem usandos durante o ano.
Fora de casa
* Verificar as condições de higiene de todo o estabelecimento, incluindo a aparência, higiene e postura dos funcionários.
* Observar se os alimentos estão bem cozidos. Uma boa forma de verificar é cortá-lo ao meio. Se houver o menor sinal de sangue ou partes avermelhadas, não consuma
* Ovos precisam ser fritos dos dois lados e a gema deve estar dura.
* Saladas ou outros alimentos devem ser evitados se em sua composição entrar o uso de ovos crus.
Na viagem
* Ferver água antes de tomar ou preparar alimentos e sucos ou optar pela água mineral.
* O gelo deve ser feito com água fervida ou água mineral.
* Descascar as frutas antes de ingerir.