08 de julho de 2026
Geral

Reajuste de preços

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Supermercados terão aumento em vários produtos

Supermercados terão aumento em vários produtos

Texto: Márcia Buzalaf

Os supermercados de Bauru já estão enfrentando briga com os fornecedores contra o aumento de preços. De acordo com as duas redes de supermercados consultadas, os fornecedores já estão avisando aos compradores os índices de repasse de aumento dos produtos. Ao contrário do que se pensa, a elevação de preços vai além dos já estabelecidos trigo, frutas importadas e óleo de soja, que estavam condicionados ao aumento de custo da importação. Lâmpadas nacionais com vidro importado e papel higiênico feito no Brasil com celulose do exterior são alguns dos itens que sofreram aumento de preço indireto.

A justificativa de aumento de preço de vários itens

é o mesmo: os insumos são importados. Muito além da deficiência na produção nacional que esta quantidade de importação de matéria-prima deve causar, quem vai sentir os efeitos dos custos dos produtos

é mesmo o consumidor, que já pode encontrar produtos reajustados nas prateleiras.

Mesmo assim, os compradores dos supermercados afirmam que estão travando uma "guerra de braços" com os fornecedores. Entre as armas das grandes empresas, está o cancelamento dos conhecidos descontos, que, segundo compradores, deve ser responsável por alguns aumentos.

De acordo com o comprador do Supermercado Santo Antônio, Antônio Vicente Ferreira, 46 anos, os fornecedores de muitos produtos não estão passando o preço com aumento ainda, mas já estão informando de quanto serão os índices de reajustes.

Os derivados de soja e de trigo, entre eles, o óleo, as massas instantâneas, massas frescas, bolachas, biscoitos, com certeza devem ter aumento, segundo Ferreira. Alguns itens ainda não foram comprados com preços reajustados porque muitos fornecedores ainda estão comercializando o estoque, sem aumento de preço.

Este não é o caso das carnes, que já estão com preços reajustados. Pelo fato de ser um produto extremamente perecível, a carne é comprada diariamente. Segundo o comprador de frios e laticínios do Santo Antônio, Cláudio Malvezi, 27 anos, a carne já está reajustada porque os fornecedores alegam que usam insumos importados e, por isso, o aumento.

Alguns produtos que não apresentavam características de "reajustáveis", mas já estão com aviso de aumento de preço, o comprador do Santo Antônio, Luís Carlos Garcia, 38 anos, destaca as lâmpadas e o papel higiênico.

O aumento de preço de alguns itens, segundo Garcia, é conseqüência de retirada de descontos. Ele cita a Johnson

& Johnson, que dava um desconto de 6% a 10% na linha de absorventes.

"Tem caso que a empresa reduziu o desconto pela metade e tem caso que ela reduziu total o desconto", completa Garcia. Ele afirma que a empresa concedeu desconto em outros produtos, o que ameniza o aumento.

Garcia, no momento da entrevista, estava negociando com um vendedor da Melhoramentos, que estava prevendo uma alta de 10,5%. Mesmo assim, Garcia afirma que o supermercado ainda não repassou o aumento e que a elevação destes preços ainda vai demorar para chegar ao consumidor.

Ele conta que, no caso de lâmpadas, a Phillips está com o preço 15% mais caro. "Eu suspendi negociações com eles e estou trabalhando com a G.E., que não mexeu no preço ainda", afirma.

O comprador de mercearia dos Supermercados Confiança, Paulo Sanches, 42 anos, os importados são os que sofrem diretamente com a mudança no câmbio. O motivo é que os próprios contratos são feitos em dólar, fazendo com que o preço obtido pelo supermercado seja condizente com a cotação do dia da moeda americana.

Sanches afirma que os aumentos ainda não têm um padrão, já que a incerteza também contagia os fornecedores. O estoque do Confiança, segundo Sanches, depende do produto. Ele afirma, por exemplo, que o óleo de soja, o trigo e o arroz já estão sendo oferecidos com preços reajustados.

O alerta que Malvezi, do Santo Antônio, dá é em relação ao aumento de preço, que pode variar de marca para marca. O fabricante que ainda tem estoque, está segurando os preços. Por isso, o consumidor deve ficar atento.