MPT eleva produtividade da Tilibra em 20%
MPT eleva produtividade da Tilibra em 20%
Texto: Paulo Toledo
A implantação de um programa de Manutenção Produtiva Total (MPT) - ou como é conhecido internacionalmente TPM (Total Production Maintenance) - promoveu um aumento de produtividade de 20% na Tilibra, a maior fábrica de cadernos do Brasil e a terceira maior da América Latina. Além disso, em cerca de três anos, o índice de acidentes de trabalho caiu 90% e a perda de matérias-primas durante o processo de fabricação foi reduzida em 41%, caindo de aproximadamente 17% para níveis em torno de 10%.
A MPT é uma metodologia que visa aumentar a produtividade com eficiência e baixo custo e que inclui incentivo aos funcionários para diminuição de quebras de máquinas, implantação de melhorias nos equipamentos e limpeza dos setores. Ela foi criada na década de 70 na Nippon-Denso, uma empresa do grupo Toyota (Japão). É um modelo considerado emergente na década de 90, que foi iniciado na Tilibra em 1995, explica Pedro Henrique Coube, 35 anos, diretor de Produção da empresa.
Ele explica que o grande objetivo do programa é atingir
índice zero nas quebra de equipamentos, nas falhas em produtos, nas perdas de matéria-prima e nos acidentes de trabalho. Para Coube, uma coisa não existe sem a outra, já que não adianta ter uma máquina rodando muito bem, mas causando acidentes. "Estamos conseguindo sucesso em todos os itens, principalmente na questão dos acidentes, mas ainda não conseguimos chegar a zero. Estamos a caminho do zero em vários pontos", afirmou.
As falhas nos produtos, que já eram pequenas, caíram ainda mais com as equipes formadas pelos trabalhadores buscando a solução dos problemas. As perdas de matérias-primas também caíram para 10%, um número considerado razoável, mas o objetivo é chegar a um dígito, na casa dos 8%, o que seria um número considerado bom. A exportação "conspira" para aumentar esse índice, pois são processo e formatos diferentes. O restante, fica por conta dos acertos de máquinas para começar a rodar.
Para se ter idéia dos avanços promovidos, em grande parte pela implantação da MPT, na atual safra, a chamada "Volta às Aulas", a Tilibra deve produzir um volume superior ao do ano passado, mas, usando um mês a menos e utilizando-se das mesmas máquinas, não havendo nenhum incremento na capacidade produtiva. A safra vai durar 150 dias, ao invés de 180.
Ricardo Carrijo, 42 anos, gerente de Qualidade e Produtividade da Tilibra, lembra que a MPT está focada em oito "pilares", que são as linhas de ação dentro da organização: Melhorias Individuais; Manutenção Planejada; Controle Inicial; Educação e Treinamento; Manutenção Autônoma; Manutenção de Qualidade; Aumento da Eficiência das Áreas Administrativas e Indiretas; e Segurança, Higiene Meio-Ambiente.
Carrijo destaca que esses princípios fazem com que a organização se torne diferente das tradicionais, trazendo excelentes resultados do ponto de vista de participação e envolvimento dos funcionários, por meio da participação das pessoas no trabalho, com base na questão da qualidade e da motivação do trabalhador com incentivos, como bolsas de estudos, possibilidade de estudo dentro da empresa e, até, premiações.
Para se ter uma idéia, em 1993, 37% dos empregados da Tilibra não tinham o 1.º Grau Completo. Com esses incentivos, hoje, esse índice está na casa dos 6%. A programação
é para que, em 2001, todos os trabalhadores da Tilibra tenham 2.º Grau completo. Desde o ano passado, para ingressar nos quadros da empresa, o grau de instrução mínimo exigido é o 2.º Grau.
Hoje, das 500 maiores empresas do Brasil, cerca de 150 praticam a metodologia MPT. Normalmente, o trabalho é acompanhado pelo JIPM (Instituto Japonês de Manutenção de Plantas Industriais), que repassa a metodologia para outras regiões do mundo e é aplicada em empresas de todas as áreas, desde as indústrias automobilísticas, passando pelas de papel e petróleo, até as que fabricam produtos mais simples, como as de materiais de higiene e limpeza, em todo o mundo.
Com a MPT, os trabalhadores da Tilibra ganharam maior liberdade para criar e desenvolver melhorias no ambiente de trabalho e na
área de produção, incluindo equipamentos e processos. Para se ter uma idéia dos resultados da MPT na empresas, no ano passado, a média de "Melhorias"
(sugestões de alterações ou adaptações em equipamentos, procedimentos e processos) obtida pelos trabalhadores foi de duas por funcionário, enquanto que a média anual norte-americana é de uma "per capta" e a brasileira é de apenas 0,005. "Nosso número significou o dobro da média norte-americana, mas ainda
é muito pequeno em relação à média japonesa que é de 18", afirmou Carrijo.
O processo funciona, basicamente, com grupos de trabalho dentro da estrutura hierárquica da empresa. Pedro Coube disse que o grande sucesso da MPT na Tilibra se deve ao fato do grande envolvimento de todos, desde o presidente da empresa até os trabalhadores mais simples.
Ricardo Carrijo destaca que, no mundo moderno, nenhum trabalhador pode se limitar àquela "velha figura" do apertar parafusos. Hoje, as empresas precisam mais de cérebro-de-obra do que de mão-de-obra. Esse sentido de participação faz com que a MPT funcione como uma espécie de revolução cultural, criando um compromisso maior das pessoas com as questões da melhoria. "Há um crescimento pessoal do cidadão, no sentido de serem valorizados como seres humanos e como profissionais conhecedores de seu trabalho", destaca Carrijo.
Em 98, a equipe que teve melhor desempenho, por exemplo, foi premiada com uma viagem para "Disney", para um de seus membro, com direito a acompanhante. Os outros membros da equipe ganharam um final de semana num hotel quatro estrelas, com direito a levar a família.
Congresso Internacional
No final de 1998, a Tilibra participou, em Atlanta Estados Unidos, da Conferência Internacional de TPM (Total Production Maintenance)
- Manutenção Produtiva Total. A empresa foi representada por Pedro Henrique Coube e Ricardo Carrijo. O evento contou com a participação de empresas de vários países, sendo a Tilibra a única empresa brasileira.
Coube e Carrijo, apresentaram resultados sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido com os grupos de manutenção autônoma e que já apresentaram bons resultados na Tilibra. "A Tilibra é considerada um exemplo entre as empresas da América do Sul que adotaram essa metodologia de trabalho", afirma Carrijo.
A conferência foi organizada pelo JIPM (Instituto Japonês de Plantas Industriais), que ensina a metodologia às empresas interessadas e controla sua implantação e resultados.
(PT)