Histórico familiar ajuda a diagnosticar esquizofrenia
Histórico familiar ajuda a diagnosticar esquizofrenia
Texto: Solange Monteiro
O histórico familiar ajuda a diagnosticar a esquizofrenia, uma doença mental complexa. Qualquer pessoa pode ter, pelo menos uma vez na vida, um surto psicótico ou a perda do sentido de realidade, segundo o médico psiquiatra Wilson Roberto Fabra Siqueira.
Ele explica que muitas vezes, a pessoa se descontrola, tem um acesso de raiva ou atitudes violentas e isso é um surto psicótico. Um exemplo claro é o do personagem de Tony Ramos, José Clementino, na novela Torre de Babel, quando ele mata sua mulher com uma pá. Porém, nem todo surto psicótico tem, necessariamente, que ser violento.
Siqueira ressalta porém, que o surto psicótico pode ser uma doença mental que unida a outras gera a esquizofrenia que tem causa hereditária. Nesse sentido, é preciso estudar o histórico familiar do doente para poder avaliar a situação e conjuntamente fazer exames físico e de laboratório. Com isso é possível descartar outras causas dos sintomas antes de concluir que se trata de esquizofrenia.
No entanto, o tratamento, feito a base de medicamentos para o paciente, requer um "tratamento" conjunto no sentido de que a família deve saber o que se passa e como lidar com isso e com o doente.
"Muitas vezes o doente é o bode expiatório da família e não querem que ele sare por isso", disse.
Ele cita como exemplo, o caso de pessoas que freqüentam o Alcoólicos Anônimos. Se eles freqüentarem, mas os familiares não, eles voltam a beber porque a família, sem perceber, os conduzem a isso.
Igualdade
Homens e mulheres podem ser esquizofrênicos na mesma proporção, ou seja, a esquizofrenia não possui preferência por homens ou mulheres como algumas outras doenças. A estatística
é a mesma e corresponde a 1% da população.
A faixa etária em que costuma se manifestar a esquizofrenia vai dos 16 aos 30 anos, mas também existem crianças e velhos esquizofrênicos, embora em menor proporção.
Essa doença também é caracterizada pela alta incidência de suicídio.
A esquizofrenia
Por ser uma doença mental complexa, segundo o médico psiquiátrico, exige tratamento adequado e o doente, normalmente, perde gradativamente ou não sua capacidade produtiva.
São características da esquizofrenia os delírios, distúrbios de pensamento e expressão das emoções.
O doente que possui delírios acredita, por exemplo, que pode ser vítima de perseguição, que seu vizinho está vigiando e controlando suas ações, que seus pensamentos são ouvidos pelas pessoas. Os pensamentos costumam ir e vir com frequência e rapidez impossíveis de serem retidas e por isso sua dificuldade em fixar a atenção.
Além disso, as pessoas que têm esquizofrenia costumam apresentar redução na capacidade de expressar emoções e usam, muitas vezes, um tom de voz monótono e diminuição da expressão facial. A falta de higiene pessoal é outra característica, segundo o médico psiquiátrico.